Redação Português: como estudar em 50 dias? | CACD 2018

Redação Português: como estudar em 50 dias? | CACD 2018

Como estudar em menos de dois meses para a prova de redação em Português?

Nós, professores do CACD, temos uma missão ao mesmo tempo estimulante e inglória: equilibrar-nos entre a gigante quantidade de conteúdos cobrados nesse concurso e a necessidade de síntese que caracteriza qualquer preparação para provas, pragmática por natureza. Estimulante porque dificílima; inglória porque, como amantes das nossas respectivas disciplinas, a tentação constante é sempre a de sermos detalhistas ao invés de sintéticos e pragmáticos.

Começo este texto assim porque sempre considerei que meu trabalho principal é ser um economizador de tempo para você, candidata ou candidato. Preciso ser o cara que se nutre das fontes primárias para que você não tenha que fazer isso; que seleciona, sintetiza e didatiza os conteúdos e as técnicas; e, principalmente, que foge da tentação de gastar o tempo dos alunos com temas e abordagens que, por mais interessantes que sejam, não trarão benefícios claros, pragmáticos e concretos.

A palavra-chave, aqui, é “tempo”. Com menos de dois meses de tempo e mais de dez disciplinas diferentes para estudar – cada qual com suas complexidades, especificidades e requerimentos –, o seu tempo é uma commodity escassa.

Nesse sentido, urge procurar o equilíbrio entre o pragmatismo e o aprofundamento. Eu, professor, preciso apresentar não a preparação perfeita da minha disciplina, mas a preparação perfeita que crie reservas de tempo para estudar para as demais disciplinas. A oração restritiva, aqui, é o fulcro do problema: de nada adianta gastar tempo excessivo em uma disciplina quando isso significa deixar de preparar-se para as outras.

O que isso significa para o concurso deste ano? Em 2018, o tempo entre a primeira fase e as demais está exíguo como nunca: menos de um mês entre primeira e segunda fases, e menos de uma semana entre segunda e terceira. Isso cria novos desafios para você, na medida em que é dificílimo, se não impossível, realizar uma preparação intensiva eficiente para as oito provas escritas do concurso no prazo que lhe foi dado pelo edital.

Por conta disso, volto ao argumento que criei no começo do texto. Sendo um economizador de tempo, sempre recomendei aos meus alunos que, após o lançamento do edital, deixassem de lado a preparação escrita de português e a retomassem apenas depois da primeira fase, exceção feita àqueles candidatos com problemas sérios de escrita. Não porque a prática escrita fosse inútil de um ponto de vista absoluto – afinal, a prática nunca é absolutamente inútil –, mas porque o tempo gasto nas minhas aulas certamente poderia ser melhor utilizado de outra maneira, de um ponto de vista relativo. Afinal, dado que a primeira fase é o grande funil do concurso, depois do lançamento do edital é melhor gastar o máximo de tempo possível estudando para ela e depois se preocupar com as demais provas.

Essa lógica infelizmente não se aplica ao CACD 2018.

Pensemos juntos: a primeira fase é em 26 de agosto, e o gabarito sairá dois dias depois, dia 28. É seguro presumir que quase nenhuma alma sã conseguirá estudar eficientemente nessa semana, com a tensão criada pelo gabarito, pelas conjecturas de recursos e pelas análises de possíveis notas de corte. Talvez realizar um simulado de segunda fase no final dessa semana seja factível, mas não dá para contar com muito mais do que isso.

Já estamos, portanto, na semana de 3 a 7 de setembro, a 20 dias da prova escrita de Português. Soma-se a isso o fato de que o CACD 2018 é também um exercício físico, de escrever dezenas de páginas em período curtíssimo de tempo; portanto, não dá para demandar dos candidatos uma produção pesada de textos na semana antes da prova. De quê adianta fazer um ou dois simulados completos poucos dias antes da segunda fase, se você chegar estafado no dia da primeira prova dessa maratona?

Percebam que nossa quantidade de tempo está cada vez menor. Quem não estiver começado a preparação intensiva para a segunda fase desde antes da primeira terá em mãos um problema sério e de difícil solução: ou se prepara de maneira superficial, fazendo poucos simulados e aulas, de modo a deixar tempo disponível para a preparação das demais provas; ou faz muitas aulas de redação em um período curto de tempo, limitando os estudos para as outras disciplinas.

Para evitar esse problema, recomendo o seguinte:

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Comece a preparação intensiva para a segunda fase – e também para a terceira – o quanto antes. Em anos anteriores, era possível recomendar uma preparação intensiva segmentada – focar apenas na primeira fase e, apenas depois dela, estudar para a segunda e a terceira. Em 2018, isso não é possível.

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De nada adianta uma preparação perfeita para a primeira fase se as demais forem negligenciadas. A primeira fase é o grande funil, mas a nota final é dada pela soma de segunda e terceira fases.

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Trabalhe com contenção de danos. Lembre-se de que a nota de corte de aprovação no concurso gira em torno de 65% a 70% do total de pontos disponíveis, e que, com uma nota de cerca de 75%, você estaria entre os cinco primeiros colocados. Dê-se o direito de errar durante os preparatórios, mas não se esqueça de que você pode perder quase 3 de cada 10 pontos e, ainda assim, lograr a aprovação.

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Confie na sua preparação pregressa. Em um concurso complexo como o CACD, vai ser constante a sensação de que os conteúdos são infinitos e de que a preparação foi insuficiente. Deixe essa sensação de lado o máximo que puder: agora é hora de consolidar o conhecimento adquirido, aprender a utilizá-lo de forma eficiente e fechar apenas uma ou outra lacuna pontual.

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Espero ter ajudado. Como sempre, qualquer dúvida, angústia ou desespero, procurem-me.

Um abraço, bons estudos e força nessa maratona!


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Vejam também a série de vídeos com orientações especiais para a realização da prova! 👇

1. Cinco dicas de ouro:

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2. Erros comuns dos candidatos:

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3. A cultura de interesse da banca:


 

Texto do professor:

Imagem do Professor

Fernando Entratice

Bacharel em Relações Internacionais pela Universidade de São Paulo (USP). Leciona a disciplina de Técnicas de Redação em Português, com ampla experiência na análise de correções da banca Cespe/UnB, nos cursos da área de Diplomacia do Damásio Educacional – Clio.

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