Plantão do Barão: As bancas da 1ª Fase do CACD 2019 | Comentários dos professores

Plantão do Barão: As bancas da 1ª Fase do CACD 2019 | Comentários dos professores

[Atualizado em 25/09/19]

 

Futuras e futuros diplomatas,

Foi divulgada a relação dos integrantes da Banca Examinadora das provas da Primeira Fase do Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD) de 2019! A informação consta na Portaria de 26 de agosto de 2019, publicada no Diário Oficial da União (DOU).

A relação de nomes dos componentes da banca examinadora das provas é uma das informações mais desejadas pelos candidatos. Isso porque, ao saber quem são os integrantes desse grupo, os “ceacedistas” podem ter uma melhor noção do que pode vir a ser cobrado nos exames, com base nas áreas de interesse e linhas de trabalho ou pesquisa de cada examinador. Esse conhecimento, portanto, pode ser um bom trunfo para o incremento das leituras e dos exercícios, sobretudo nesta reta final dos estudos. Assim sendo, nossos professores haviam preparado comentários sobre a composição da banca de cada disciplina para dar-lhes uma forcinha nisso.

Contudo, no dia 3 de setembro, o Instituto Rio Branco (IRBr) divulgou uma nova Portaria sobre a banca da Primeira Fase, com mudanças em todas as disciplinas. Dentre os nomes divulgados anteriormente, foi mantido apenas um examinador em cada matéria. 

Vejam, a seguir, a listagem completa dos responsáveis pela elaboração (em destaque) e correção dos exames neste ano, e os comentários dos mestres sobre suas áreas de atuação e seus temas de interesse – considerando a primeira Portaria sobre a banca (26 de agosto).

 

Língua Portuguesa
  • Alessandro Warley Candeas
  • Simone Silveira de Alcantara – nome retirado
  • Stefania Caetano Martins de Rezende Zandomênico – nome retirado

Comentários da professora Isabel Vega:

Como já esperávamos, em Português, nada de novo no CACD 2019. Assim como, no edital, todos os conteúdos programáticos foram mantidos, apenas houve, na banca deste ano, troca entre nomes da 1ª e da 2ª fase do concurso de 2018. Podemos, então, inferir que o IADES vai cuidar apenas da logística (impressão, aplicação e fiscalização das provas), enquanto o Embaixador Alessandro Warley Candeas representará o Itamaraty, garantindo a lisura e a tradição do certame e das ideias, e as professoras Simone Silveira de Alcantara e Stefania Caetano Martins de Rezende Zandomênico (ambas saídas da banca da 2ª fase de 2018, ambas com graduação na UnB, onde também foram professoras substitutas) avaliarão os conceitos linguísticos e gramaticais, com uma “pegada” mais moderna, propondo certo equilíbrio. Vale ressaltar que a área de pesquisa da primeira professora é Literatura, com autores e temas atuais, como Arnaldo Antunes, cinema e MPB. A área da segunda é Linguística, com foco no estudo do Português Brasileiro, principalmente, da concordância verbal. Acredito, entretanto, que, na disputa entre tradição e modernidade das regras gramaticais, vencerá aquela, como em 2018, já que o contratante do concurso é o Instituto Rio Branco.

 

História do Brasil
  • Antonio José Barbosa de Oliveira – nome retirado
  • Bruno Miranda Zétola
  • Luiz César de Sá Júnior – nome retirado

Comentários do professor Marcus Dezemone:

Em 2019, a banca examinadora de História do Brasil para a prova objetiva do CACD foi completamente alterada em relação à edição de 2018. Ano passado, a banca foi composta por dois professores dos quadros da UNB – Marco Aurélio de Paula Pereira e Neuma Brilhante Rodrigues -, ambos com formação e atuação em História, respectivamente, História Moderna e História do Brasil Monárquico. Eles cedem seus lugares a três novos integrantes: Antonio José Barbosa de Oliveira (UFRJ – Biblioteconomia), Bruno Miranda Zétola (MRE) e Luiz César de Sá Júnior (UNB – História). É importante registrar que todos possuem formação superior em História, da graduação ao doutorado. Além disso, tanto Antonio José Barbosa de Oliveira quanto Luiz César de Sá Júnior integram a banca examinadora de História Mundial na prova desse ano.

Antonio José Barbosa de Oliveira, apesar de professor do curso de Biblioteconomia, possui formação em História em diferentes instituições no Rio de Janeiro. Sua trajetória de pesquisa se concentrou em temas como Informação, Memória, História e Formação no Ensino Superior, orientando ainda diversos trabalhos em nível de graduação, mestrado e doutorado nessas linhas. Tudo isso sugere a possibilidade de exploração do ponto 11, inserido no edital de 2019, a saber, “Os impactos tecnológicos e digitais nas transformações políticas e sociais do Brasil no século XXI”, que exigirá cautela e cuidado da banca com a abordagem escolhida devido à sensibilidade política associada ao item.

A novidade em relação a 2018 é a presença de um diplomata de carreira na elaboração das questões objetivas. Tendo ingressado no Instituto Rio Branco em 2006, Bruno Miranda Zétola passou por um processo seletivo num modelo muito próximo ao da prova atual. Ele certamente é o membro da banca que mais familiaridade possuí com as especificidades do CACD, além do conhecimento do debate sobre política externa brasileira em razão da preparação para o concurso, do curso de formação no IRBr e de sua trajetória no Ministério. Sua formação acadêmica em História pela UFPR, da graduação ao doutorado, se concentrou no estudo das relações diplomáticas na Idade Média – temática ausente do edital -, perpassando aspectos da hierarquia eclesiástica e da Igreja. Chamou atenção um trabalho de sua autoria sobre o Padre Antonio Vieira. O autor de “Os sermões”, que viveu durante a União Ibérica e assistiu a ocupação holandesa do Nordeste no século XVII, poderia inspirar questões muito interessantes.

Por fim, Luiz César de Sá Júnior é professor da UNB, na área de Teoria e Metodologia da História, possuindo sólida trajetória de pesquisa que sugere maior engajamento com a Época Moderna e a América Portuguesa em temáticas como a atuação de elites letradas. Sua formação e interesses profissionais reforçam as possibilidades de exploração do item 1.2 no edital, sobre As dimensões econômicas e sociais da América Portuguesa, introduzido em 2019.

As novidades pontuais e as permanências majoritárias nos conteúdos do edital, a alteração na composição da banca examinadora, sua ampliação de dois para três membros, e o perfil dos novos integrantes corroboram as indicações que forneci ao longo dos cursos ministrados em 2019, atentas às mudanças ocorridas no MRE e seus eventuais impactos na prova objetiva de História do Brasil.

 

História Mundial
  • Antonio José Barbosa de Oliveira – nome retirado
  • Fábio Moreira Farias
  • Luiz César de Sá Júnior – nome retirado

Comentários do professor Daniel Araújo:

Camaradas, futuros diplomatas, qualquer análise sobre a banca sem estar presente na elaboração da prova é muito subjetiva. Por exemplo, eu tenho um livro sobre a Ditadura Civil-Militar brasileira mas li um livro ótimo que fala da Guerra da Crimeia, ressaltando os fatores religiosos em detrimento daqueles geopolíticos para a sua eclosão. Ou seja, se eu estivesse na banca iria sugerir uma questão sobre um assunto (Guerra da Crimeia) totalmente fora da minha área de pesquisa. Dessa forma, não se “prendam” aos assuntos estudados pelos membros da banca pois estes são apenas uma “pista” sobre o que os mesmos podem abordar na prova de domingo.

Antonio José Barbosa de Oliveira:

* Historiador formado pela UFRJ, passou pela UERJ e UNIRIO para fazer especializações, atuando em cargos diretivos na federal do Rio de Janeiro.

* Sua produção acadêmica está muito ligada a História e Memória de Instituições sendo a sua tese de doutorado sobre Identidade Institucional, enquanto a dissertação de mestrado sobre a construção da cidade universitária do Rio de Janeiro

* Acredito que será o responsável pelas questões sobre a República no Brasil e também sobre o Brasil Pombalino, período por ele estudado em sua graduação

Fábio Moreira Farias:

* Fábio é um administrador de empresas formado pela FGV em São Paulo e aluno da faculdade de História da Universidade de Brasília. É diplomata, concluindo o mestrado no IRBR em 2005. Desde então atua na área de economia, relações internacionais e relações públicas.

* Como está em contato com a a academia, Fabio Moreira tem o potencial de trazer uma nova e diversa historiografia para o concurso. As questões mais relacionadas a História da Diplomacia Brasileira e História Mundial provavelmente possuirão da sua visão de mundo. Acredito que, devido às suas credenciais, Fábio Moreira atuará na interface entre a prova do concurso e as novas diretrizes do IRBR

Luiz César de Sá Júnior:

* Luiz César de Sa Júnior é historiador formado pela Universidade de Juiz de Fora, realizando seu mestrado na mesma instituição de ensino. Na UFRJ fez seu doutorado em História Social, passando um período na  École des hautes études en sciences sociales.

* Hoje professor da UNB, Luiz César tem uma vasta produção acadêmica voltada para a prática letrada durante a idade moderna, mais especificamente nos primórdios do período colonial brasileiro.

* Certamente as questões de Brasil Colonial, que sempre tiveram destaque no concurso, deverão ganhar peso com a presença de Luiz César na banca. Seu último artigo pública foi “A autoridade entre os antigos” na Revista de História da Unisinos, volume 23.

 

Geografia
  • Adriano Botelho 
  • Fernando Luiz Araújo Sobrinho – nome retirado
  • Juscelino Eudâmidas Bezerra – nome retirado

Comentários do professor João Felipe Ribeiro:

A banca de geografia teve a manutenção de professor da UNB Fernando Luiz Sobrinho. Além de estudos de urbanização, ele tem o turismo como importante área de estudo.

Um dos 2 novos membros da banca é o também professor da UNB, Juscelino Eudâmidas Bezerra.

Em teoria, sua presença aumenta a probabilidade de questões sobre a produção agropecuária brasileira, sua área de estudo. Imaginamos que essa ou essas questões terão menos ênfase nos impactos socioambientais do agronegócio, como ocorreu em 2017 e 2018.

O outro membro novo da banca é Adriano Botelho, diplomata, mestre e doutor em geografia. Seu mestrado e doutorado foram em temas que se tornaram tradicionais na geografia nas últimas décadas: impactos espaciais do pós-fordismo e segregação espacial.

Na nossa análise, essa banca não indica uma mudança radical na geografia do CACD, apesar de imaginarmos que esse ano teremos provas com abordagens distintas das de 2017 e 2018, notadamente quanto à valorização de conflitos sociais no território brasileiro e impactos ambientais.

 

Língua Inglesa
  • João Augusto Costa Vargas
  • Ofal Ribeiro Fialho – nome retirado
  • Raquel Lourenço Corrêa – nome retirado
  • Thiago Blanch Pires – nome retirado

Comentários da professora Manoela Assayag:

A banca de 2019 é, em certa medida, uma velha conhecida: três de seus membros, todos acadêmicos, foram parte da banca de segunda fase em anos anteriores (2016-2018), com a bem-vinda inclusão do diplomata e mestre em História das Relações Internacionais João Augusto Costa Vargas. O que posso prever é uma banca rigorosa, no esquema habitual da 1a fase deste concurso: vocabulário criterioso, interpretações em temáticas variadas e textos de fontes respeitadas. Minha aposta aponta para artigos e trechos de obras sobre carreira e história diplomática, política internacional (olho em vocabulário de Guerra Fria e de redistribuição do poder) e história mundial (o 75o aniversário do Dia D e os 100 anos do Tratado de Versalhes podem não passar em branco). Também não me parece absurdo imaginar um ou mais textos de ficção ou falando sobre produção de ficção — cabendo aos candidatos recordar que celebramos em 2019 os bicentenários de Herman Melville (lembrado na segunda fase de 2018) e do poeta Walt Whitman. Em suma, não acho que haja motivo para se assustar.

 

Política Internacional
  • Alcides Costa Vaz – nome retirado
  • Antonio Jorge Ramalho da Rocha – nome retirado
  • Christian Philip Klein – nome retirado
  • Luiz Eduardo Fonseca de Carvalho Gonçalves

Comentários do professor Paulo Velasco:

A Banca de Política Internacional de 1a fase do CACD 2019 traz dois nomes muito conhecidos e tradicionalmente presentes no concurso, que são os professores Alcides Costa Vaz e o professor Antonio Jorge Ramalho da Rocha, ambos da Universidade de Brasília, e outro nome bem menos conhecido que é o professor Christian Philip Klein, da Universidade Católica de Brasília.

O professor Alcides Costa Vaz, que também esteve na banca de 1a fase em 2018, concentra suas pesquisas em temas ligados ao regionalismo, especialmente sul-americano, com trabalhos muito conhecidos sobre Mercosul, como o clássico Cooperação, Integração e Processo Negociador: a Construção do Mercosul, publicado em 2002. Nos últimos tempos, o professor tem privilegiado questões relacionadas a segurança e defesa no entorno estratégico regional do Brasil, com destaque para a cooperação em defesa no seio da Unasul.

O professor Antonio Jorge Ramalho da Rocha é um dos principais nomes da academia de Relações Internacionais brasileira nos estudos sobre segurança internacional e defesa, tendo analisado recentemente desafios sul-americanos como o processo de paz na Colômbia e a crise na Venezuela. Vale lembrar que o professor foi escolhido como diretor da Escola de Defesa Sul-americana da Unasul.

O professor Christian Philip Klein fez tese de doutorado em Relações Internacionais sobre empresas de cosméticos amazônicos, mobilizando questões como sustentabilidade e mercado verde. O restante de sua produção acadêmica gira mais em outras áreas como linguística e educação, por vezes adentrando em questões ligadas à cultura nas Relações Internacionais.

Luiz Eduardo Fonseca de Carvalho Gonçalves é diplomata de carreira, e tem dois trabalhos publicados pela Funag que dão um pouco a dimensão do que ele pesquisou ao longo da carreira. Ele tem um livro sobre a Comissão Econômica para a América Latina (CEPAL), “As Relações Brasil-CEPAL”, e um livro mais recente sobre o Egito da Primavera Árabe, de 2011 a 2015, “Egito – Revolução e Contrarrevolução (2011-2015)”. Vale lembrar que ele serviu como diplomata na embaixada do Brasil no Cairo, o que o levou a ter dados e informações que alimentaram esse livro. Por não ser acadêmico, ele não tem pesquisas de maior fôlego ou alcance, mas isso já dá uma dimensão do que ele pode gostar, eventualmente, para incluir na prova.

 

Economia
  • Andrea Felippe Cabello – nome retirado
  • Daniel Klug Nogueira – nome retirado
  • Fabiano Burkhardt

Informações sobre o examinador:

Fabiano Burkhardt é Bacharel em Comunicação Social – Jornalismo (2000), mestre (2006) e doutor em Sociologia (2012) pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Diplomata de carreira desde 2008, serviu nas embaixadas do Brasil em Jacarta (2010-2012), Buenos Aires (2012-2016) e Nova Delhi (2016-2018). No Ministério das Relações Exteriores, em Brasília, na condição de funcionário da Divisão de Negociações de Serviços, participou, em 2018, das negociações dos capítulos de serviços e investimentos dos acordos de livre comércio entre Brasil e Chile; Mercosul e União Europeia; Mercosul e Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA); e Mercosul e Canadá. Desde janeiro de 2019, é assessor do ministro de estado das Relações Exteriores e professor assistente do Instituto Rio Branco (IRBr). Tem experiência nas áreas de Sociologia do Trabalho, Sociologia das Desigualdades, Comércio Internacional, Economia do Desenvolvimento, Jornalismo e Relações Internacionais.

Informações coletadas do Lattes em 25/09/2019.

 

Direito Interno e Direito Internacional Público
  • Leonardo de Camargo Subtil – nome retirado
  • Gustavo Oliveira de Lima Pereira – nome retirado
  • Mamede Said Maia Filho – nome retirado
  • Valéria Mendes Costa Paranhos

Comentários do professor Guilherme Bystronski (Direito Internacional):

Dentre os quatro integrantes da banca de Direito, três são da área de Direito Internacional: Leonardo de Camargo Subtil, Gustavo Oliveira de Lima Pereira e Valéria Mendes Costa Paranhos.

O primeiro, Leonardo de Camargo Subtil, tem formação em Direito do Mar fundamentalmente e trabalhou no Tribunal Internacional de Direito do Mar, na solução de controvérsias. No Lattes dele, há informações relativas a formação em matéria de Meio Ambiente. Então, em relação a esse examinador, acredito que ele tenha como preferências pessoais (e pode cobrar na prova) temas relacionados a Direito do Mar e Direito Internacional do Meio Ambiente.

O Gustavo Oliveira de Lima Pereira possui formação no contexto de Direitos Humanos. Então, pode cair alguma coisa sobre Direito Internacional de Direitos Humanos, Direito Internacional Humanitário, refúgio e asilo. Essa é a formação acadêmica dele.

A última examinadora, Valéria Mendes Costa Paranhos, é diplomata (primeira-secretária) e o último posto que ela desempenhou foi em matéria de Comércio Internacional. Então, há uma boa chance de cair na prova desse ano alguma coisa sobre Direito Internacional do Comércio.

Comentários do professor Ricardo Macau (Direito Interno):

A partir da análise da produção acadêmica dos membros da banca de Direito do CACD 2019, é possível deduzir que um dos quatro examinadores deverá atuar na elaboração das questões de Direito Interno:

Mamede Said Maia Filho – já integrava a banca em 2018, o que indica que não devemos ter mudanças significativas no perfil das questões elaboradas por ele – mesmo considerando que o edital de 2019 trouxe novos temas e ampliou o conteúdo de Direito Administrativo. A produção acadêmica deste examinador concentra-se em temas de Direito Constitucional. Logo, acredito que devemos esperar, da parte dele, uma prova carregada em temas clássicos de Direito Constitucional, em especial Federação brasileira, Poder Executivo, processo legislativo e controle de constitucionalidade.

É isso! Força aos CACDistas e vamos pra cima!

Beijos e abraços (a quem de direito), Macau.

 

Possivelmente, as bancas examinadoras da Segunda Fase do concurso também serão reveladas pelo Instituto Rio Branco em breve. Mas não se preocupem… caso surjam novidades nesse sentido, o Barão continuará mantendo-lhes informados por aqui! 😉

Abraços e ótimos estudos, meus queridos!

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