Folia e Diplomacia: uma homenagem a grandes diplomatas do Brasil!

Minhas queridas e meus queridos,

O carnaval deste ano começa oficialmente amanhã. Como vão passar os próximos quatro dias: celebrando e refrescando a cuca ou aproveitando o tempo livre para pôr os estudos em dia?

Seja como for, uma coisa é certa: a diplomacia está sempre presente nas nossas vidas! Por isso, aproveitei a ocasião festiva para unir esses dois universos e relembrar a história de grandes diplomatas do Brasil, e também presentear vocês com uma lembrancinha carnavalesca!

Vejam a trajetória de cada uma dessas personalidades fundamentais da nossa Diplomacia nos textos a seguir… depois, baixem a máscara daqueles (as) que vocês mais admiram para incrementar sua fantasia para a folia – ou animar o ambiente de estudos!

José Maria da Silva Paranhos Junior, o Barão do Rio Branco, é o patrono da Diplomacia Brasileira. Além de diplomata, foi advogado, jornalista, professor e político, e 20 de abril, a data de seu nascimento, passou a ser utilizada para comemorar o Dia do Diplomata. Ele também foi homenageado na criação do Instituto Rio Branco (IRBr) – instituição responsável pela formação dos (as) diplomatas brasileiros (as) – em 1945.

O título de patrono da nossa diplomacia se deve ao papel desempenhado na resolução de importantes conflitos territoriais entre o Brasil e países vizinhos de forma pacífica, tais como a de Santa Catarina e do Paraná, em litígio com a Argentina, no que ficou conhecido como a Questão de Palmas em 1895, e do Amapá em disputa com a França em 1900. Entretanto, a obra pela qual ele ficou mais conhecido foi o “Tratado de Petrópolis” firmado com a Bolívia, que culminou com a incorporação do Acre ao território brasileiro em 1903.

Em 1902, Rio Branco assumiu o cargo de Ministro das Relações Exteriores, no qual permaneceu até a morte, em 1912. Nas negociações das questões fronteiriças, erigiu como bandeira das reivindicações o princípio do uti possidetis solis, e, assim, resolveu velhas disputas do Brasil com quase todos os países da América do Sul por meio de uma série de tratados importantes. Além da solução dos problemas territoriais, Rio Branco lançou as bases de uma nova política externa, adaptada às necessidades do Brasil moderno. Foi o principal responsável por colocar o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) em lugar de destaque na burocracia republicana no início do século XX. Seu prestígio era tanto que, em 1909, seu nome foi até sugerido para a sucessão presidencial do ano seguinte.

Baixe a máscara do Barão aqui!

Maria José Rebello Mendes foi a primeira mulher diplomata e a primeira funcionária pública concursada do Brasil, sendo aprovada em primeiro lugar no concurso da Secretaria de Estado do Ministério das Relações Exteriores (MRE), em 1918. Quando criança, teve a formação elementar em casa pela educadora alemã Matilthe Schröeder e, depois, ingressou no Colégio Alemão, onde se formou com fluência nas línguas alemã, inglesa, francesa e italiana. Ao tomar conhecimento do concurso para o Itamaraty, decidiu inscrever-se e passou a frequentar a Escola de Comércio para se aperfeiçoar em Datilografia, Contabilidade e Economia e estudou por conta própria as matérias de Direito. No entanto, apesar de todo esforço, seu pedido de inscrição não foi aceito pelo MRE.

Sensibilizado com a história de sua conterrânea, o jurista Rui Barbosa elaborou um parecer argumentando a inconstitucionalidade da negativa do Ministério e o então Ministro das Relações Exteriores Nilo Peçanha voltou atrás e deferiu a inscrição da candidata. Com isso, em setembro de 1918, a jovem conseguiu se classificar em primeiro lugar para o cargo que disputava e passou a compor o corpo diplomático do MRE.

Maria José assumiu as funções do serviço diplomático no Itamaraty e trabalhou normalmente, sem chamar mais atenção por ser mulher. Em 1922, casou-se com o diplomata Henrique Pinheiro de Vasconcelos. Em seguida, ele foi indicado para a representação brasileira na Alemanha e Maria José solicitou licença no MRE para acompanhá-lo. Em 1934, Maria José solicitou sua aposentadoria, pois Henrique havia sido nomeado para o cargo de conselheiro da embaixada brasileira na Bélgica. Na época, por determinações administrativas, era proibido que uma mulher diplomata assumisse um cargo na mesma representação que seu marido.

A trajetória de Maria José foi fundamental para o avanço dos direitos das mulheres na carreira de diplomata. Entre 1919 e 1938, mais dezenove mulheres ingressaram no serviço diplomático brasileiro.

Baixe a máscara da Maria José aqui!

Osvaldo Aranha foi advogado, político e diplomata, considerado um dos homens mais importantes do seu tempo. Formou-se pela Faculdade de Direito do Rio de Janeiro em 1916. Anos depois, tornou-se aliado de Getúlio Vargas e participou das articulações que resultaram na deposição de Washington Luís da Presidência da República, por meio de golpe militar, e no início da Revolução de 1930. Durante o Governo Provisório, foi Ministro da Justiça e Negócios Interiores e Ministro da Fazenda, e participou da Assembleia Nacional Constituinte na condição de membro nato por ser ministro de Estado.

Em 1934, assumiu o posto de embaixador do Brasil nos Estados Unidos, onde atuou até 1937. Foi Ministro das Relações Exteriores de 1938 a 1944, período em que promoveu uma política de aproximação aos Estados Unidos, que começou com a assinatura de acordos comerciais e levou ao alinhamento brasileiro ao governo estadunidense durante a Segunda Guerra Mundial.

Em fevereiro de 1947, Aranha foi nomeado chefe da delegação brasileira na recém-criada ONU e ocupou o posto destinado ao Brasil no Conselho de Segurança da entidade. Em abril do mesmo ano, abriu e presidiu a I Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, inaugurando a tradição de o Brasil ser o primeiro país a discursar na reunião, seguida até hoje pela Organização. Também presidiu a sessão especial de 29 de novembro de 1947, na qual foi votado o Plano para partilha da Palestina, que abriu caminho para a criação do Estado de Israel e também previa a formação de um Estado Palestino. Devido a essa destacada atuação, ainda em 1947, o diplomata brasileiro foi indicado ao Prêmio Nobel da Paz.

Nas eleições presidenciais que se seguiram ao fim do Estado Novo, teve seu nome cogitado como candidato por diversas vezes. Em junho de 1953, voltou a assumir o Ministério da Fazenda, porém, deixou o cargo logo após a morte de Vargas. Em 1957, durante o governo de Juscelino Kubitscheck, chefiou novamente a delegação brasileira na Assembleia Geral da ONU.

 Baixe a máscara do Osvaldo aqui!

A cientista e diplomata Bertha Lutz foi uma das principais responsáveis pela inclusão das temáticas de gênero na Organização das Nações Unidas (ONU). Graduou-se em Ciências Naturais na Faculdade de Ciências da Universidade de Paris (Sorbonne). Prestou concurso para o cargo de secretária do Museu Nacional, passou em primeiro lugar e foi nomeada por decreto, tornando-se a segunda mulher a ocupar um cargo público no país, em 1919.

Bertha atuou na defesa dos direitos políticos e sociais das mulheres no Brasil e no mundo, sendo o direito do voto e a emancipação da mulher seus principais objetivos. Em 1933, formou-se em Direito pela Faculdade de Direito do Rio de Janeiro e, nos anos seguintes, participou de diversos eventos e atividades internacionais de grande importância. Foi a única mulher a integrar a delegação do Brasil na Conferência de São Francisco, na qual foi redigida a Carta das Nações Unidas, o documento que originou a ONU em 1945. Na ocasião, procurou impulsionar a igualdade entre homens e mulheres na agenda da instituição e como princípio universal. Graças à insistência das representantes latino-americanas presentes na Conferência, lideradas por Bertha, a Carta foi um dos primeiros tratados internacionais a mencionar em seu texto a necessidade de equidade entre os gêneros.

Foi premiada com o título de Mulher das Américas em 1951 e, no ano seguinte, representou o Brasil na Comissão de Estatutos da Mulher das Nações Unidas, criada por sua iniciativa. Em 1953, foi eleita delegada do Brasil junto à Comissão Interamericana de Mulheres da União Panamericana de Repúblicas (atual Organização dos Estados Americanos). Seu último ato em prol da melhoria da condição feminina foi no I Congresso Internacional da Mulher, realizado no México, em 1975.

Baixe a máscara da Bertha aqui!

Escritor e diplomata, João Guimarães Rosa foi uma das personalidades mais influentes do meio intelectual brasileiro no século XX. Graduou-se em Medicina pela Universidade de Minas Gerais, porém, exerceu a profissão somente por quatro anos, até decidir prestar o concurso para o Itamaraty em 1934, sendo aprovado em segundo lugar. Em 1937, foi promovido a Cônsul de Segunda Classe, e sua remoção para o Consulado do Brasil em Hamburgo ocorreu no ano seguinte. Nesse posto, ele e sua esposa, Aracy de Carvalho, ofereceram auxílio para que judeus pudessem escapar do regime nazista rumo ao Brasil, de 1938 a 1942, autorizando um número maior de vistos do que aqueles legalmente permitidos durante o Governo de Getúlio Vargas.

Após sua crucial atuação na Alemanha, exerceu a função de secretário de embaixada em Bogotá de 1942 a 1944, e foi chefe de gabinete do ministro João Neves da Fontoura em 1946. Em Paris, ocupou os cargos de primeiro-secretário e conselheiro de embaixada (1948-51); secretário da Delegação do Brasil à Conferência da Paz (1948); representante do Brasil na Sessão Extraordinária da Conferência da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) (1948) e delegado do Brasil à IV Sessão da Conferência Geral da Unesco (1949).

De volta ao Brasil, em 1951, Guimarães Rosa foi nomeado novamente chefe de gabinete do ministro João Neves da Fontoura. Dois anos depois, tornou-se chefe da Divisão de Orçamento e foi promovido a ministro de primeira classe. Em 1962, assumiu a chefia do Serviço de Demarcação de Fronteiras.

Baixe a máscara do Guimarães Rosa aqui!

Um dos maiores poetas e compositores em língua portuguesa, Vinicius de Moraes foi também diplomata de carreira. Concluiu o curso de Direito da Faculdade Nacional do Rio de Janeiro em 1933, porém, não exerceu a advocacia. Em 1938, recebeu uma bolsa do Conselho Britânico para estudar Literatura Inglesa no Magdalen College da Universidade de Oxford e mudou-se para Londres. Nessa cidade, também trabalhou como assistente do programa brasileiro da BBC até 1939, quando retornou ao Brasil. Em 1941, começou a estudar para o concurso do Itamaraty e também iniciou a carreira jornalística, como crítico cinematográfico no jornal A Manhã.

Após ser reprovado na primeira tentativa de ingressar na carreira diplomática, em 1942, Vinicius passou no concurso no ano seguinte. Assumiu o primeiro posto em 1946, como vice-cônsul em Los Angeles. Em 1953, foi indicado para o posto de segundo-secretário na Embaixada do Brasil em Paris e, logo depois, passou a trabalhar na delegação brasileira junto a UNESCO, também na capital francesa. Seu posto seguinte foi a Embaixada Brasileira em Montevidéu, para onde foi transferido em 1957. Retornou ao Brasil, em 1960, para servir na Secretaria de Relações Exteriores e também se dedicar aos lançamentos literários. Três anos depois, assumiu novamente um posto na delegação do Brasil na UNESCO, em Paris.

O poeta regressou ao Brasil após a instauração do regime militar, em 1964, e passou a se dedicar definitivamente à vida de cantor e a se afastar da carreira diplomática. Em dezembro de 1968, após a publicação do Ato Institucional nº 5, Vinicius fez a leitura de seu poema “Pátria minha”, como forma de protesto, durante um show em Portugal. No ano seguinte, foi exonerado do Itamaraty após uma ordem direta do Presidente Arthur Costa Silva.

Em 2010, o Congresso Nacional aprovou a promoção póstuma do diplomata ao cargo de Ministro de Primeira Classe (Embaixador) e a lei foi sancionada pelo Presidente Luís Inácio Lula da Silva. O chanceler à época, Celso Amorim, declarou que a homenagem representa “um reconhecimento a sua enorme contribuição à divulgação da imagem do Brasil no exterior”, e que Vinicius “foi, sem dúvida, um grande Embaixador da cultura popular brasileira”.

Baixe a máscara do Vinícius aqui!

Celso Luiz Nunes Amorim é considerado um dos maiores diplomatas brasileiros dos últimos anos, tendo ocupado o cargo de Ministro das Relações Exteriores por duas vezes. Concluiu o curso de preparação à carreira de diplomata no Instituto Rio Branco em 1964, e formou-se Mestre em Relações Internacionais na Academia Diplomática de Viena em 1967. Removido para Londres, trabalhou como cônsul-adjunto de 1968 a 1969. Nos anos seguintes, serviu na Embaixada do Brasil em Londres e realizou o Doutorado em Ciência Política e Relações Internacionais da London School of Economics and Political Science. Durante os anos 1970 e 1980, participou de diversas atividades de relevância em âmbito nacional e internacional. Ademais, foi professor de Expressão e Redação Profissional no Instituto Rio Branco e de Ciência Política e Relações Internacionais na Universidade de Brasília (UnB).

Entre 1990 e 1991, Amorim atuou como Chefe do Departamento Econômico do Itamaraty, e chefiou as equipes do Brasil que negociaram o Tratado de Assunção – documento que originou o Mercosul. Em seguida, foi nomeado representante permanente do Brasil junto às organizações internacionais sediadas em Genebra, entre as quais o GATT. Em 1993, assumiu o cargo de Ministro das Relações Exteriores, que exerceu até 1995. Foi durante esse período que o Brasil explicitou sua intenção de participar ativamente de uma reforma na composição dos membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU. Chefiou a missão permanente do Brasil na ONU, em Nova Iorque, entre 1995 e 1999. Logo depois, tornou-se chefe da missão brasileira junto à Organização Mundial do Comércio (OMC), em Genebra. Em 2001, assumiu o posto de Embaixador em Londres, e foi um dos representantes da delegação brasileira à IV Conferência da OMC, em Doha.

Entre 2003 e 2010, o diplomata exerceu novamente o cargo de Ministro das Relações Exteriores. Nessa segunda gestão, incluiu entre os objetivos da política externa brasileira a luta contra a fome, a pobreza e o unilateralismo. Também incentivou coalizões importantes para o Brasil: o G-20 (ou G-20 comercial); o G-3 ou IBSA (Índia, Brasil e África do Sul); o G-4, reunindo Alemanha, Brasil, Índia e Japão na luta para tornar o Conselho de Segurança da ONU mais representativo; e o grupo dos BRICs – Brasil, Rússia, Índia e China.

Seu último cargo governamental foi o de Ministro da Defesa, exercido no período de agosto de 2011 até janeiro de 2015.

Baixe a máscara do Amorim aqui!

Maria Luiza Viotti ingressou no Serviço Exterior Brasileiro em 1976, atuando na área de promoção das relações comerciais brasileiras com a China e países africanos. Graduou-se em Economia pela Universidade de Brasília (UnB), e também possui pós-graduação nessa área pela mesma instituição. Sua atuação no exterior começou pela Missão do Brasil junto às Nações Unidas no período de 1985 a 1988. Posteriormente, atuou no âmbito de assuntos multilaterais e como coordenadora executiva do gabinete do Ministro das Relações Exteriores. Em 1993, foi nomeada para a Embaixada do Brasil em La Paz, Bolívia, onde dirigiu o setor econômico até 1995. No ano seguinte, tornou-se Chefe da Divisão América do Sul I no Ministério das Relações Exteriores do Brasil (MRE), encarregada das relações com a Argentina, Uruguai, Paraguai e Chile, e, em 1999, foi indicada novamente para atuar na Missão do Brasil junto à ONU até 2004. Dentre os demais cargos ocupados no MRE, estão o de Diretora-Geral do Departamento de Direitos Humanos e Assuntos Sociais (2004-06) e de Diretora-Geral do Departamento de Organizações Internacionais (2006-07).

Viotti exerceu a função de Representante Permanente do Brasil junto às Nações Unidas de 2007 a 2013, sendo a primeira mulher a chefiar a Missão em Nova York. Liderou a delegação do Brasil junto ao Conselho de Segurança em 2010 e 2011 e ocupou a presidência rotativa do Conselho de Segurança em fevereiro de 2011. Atuou como Embaixadora na Alemanha (2013-2016) e, em seguida, foi subsecretária para Ásia e Pacífico do MRE, onde teve especial responsabilidade pelo trabalho com os BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).

No final de 2016, o atual Secretário-Geral da ONU, António Guterres, designou Maria Luiza Viotti como sua chefe de gabinete, cargo que ela ocupa até os dias de hoje.

Baixe a máscara da Maria Luiza aqui!

Bom carnaval, ou bons estudos, meus caros! 😃

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O Internacional em Debate #12: As mulheres na Diplomacia e nas Relações Internacionais

Caras e caros aprendizes,

A ampliação da presença das mulheres nos espaços de poder e decisão e a implementação de medidas que favoreçam a participação feminina na vida pública são fatores amplamente recomendados como um importante aspecto do exercício da cidadania por instituições mundiais, como a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Organização dos Estados Americanos (OEA). A criação da Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres (ONU Mulheres) e o fortalecimento da Comissão Interamericana de Mulheres (CIM) são bons exemplos da preocupação dessas organizações com os temas relacionados à defesa e à promoção dos direitos das mulheres.

Como já vimos aqui no blog, o documentário “Exteriores – Mulheres Brasileiras na Diplomacia”, de Ivana Diniz, celebra o centenário do ingresso de Maria José de Castro Rebello Mendes no Itamaraty, em 1918. Ela foi a primeira diplomata brasileira e também a primeira funcionária pública concursada do país. Ao longo desses cem anos, avanços significativos foram obtidos, mas ainda de forma mais lenta do que se poderia imaginar um século atrás.

No último dia 17 de abril, tivemos a imensa honra e prazer de receber a Embaixadora Thereza Quintella e a Professora Manoela Assayag para um debate sobre o tema “As mulheres na Diplomacia e nas Relações Internacionais”. Essa foi uma discussão muito especial e uma excelente oportunidade para ampliarmos as perspectivas acerca desse assunto, que se torna cada vez mais importante no Brasil e no mundo de hoje.

A seguir, vocês podem assistir o vídeo completo do evento, e conferir algumas indicações de leitura para quem desejar se aprofundar no tema!

 

Sobre as convidadas:

Thereza Quintella – Ingressou na carreira diplomática em 1961. Foi promovida a Ministra de Primeira Classe em 1987, sendo a primeira aluna do Instituto Rio Branco (IRBr) a alcançar o topo da carreira. Nesse mesmo ano, tornou-se também a primeira diretora do Instituto. Além de Embaixadora do Brasil em Viena e em Moscou, foi presidente da FUNAG e cônsul-geral do Brasil em Los Angeles. Possui graduação em Letras Neolatinas pela Universidade Santa Úrsula e graduação em Diplomacia pelo IRBr. Sua trajetória diplomática contribuiu para a promoção da igualdade de gênero no Itamaraty.

Manoela Assayag – É Doutora em Relações Internacionais e Ciência Política e Mestre em Estudos Internacionais e Ciência Política pelo Institut de Hautes Études Internationales et du Développement (IHEID), Genebra, Suíça. Bacharel em Relações Internacionais pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Atua como professora de Língua Inglesa nos cursos da área de Diplomacia e Carreiras Internacionais do Damásio – Clio. Seus principais objetos de estudo são governança global, desenvolvimento sustentável, saúde global e meio ambiente.

 

📚 Dicas de leitura sobre o tema:

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O Mundo em 3 Minutos: Venezuela: panorama atual da crise

Estimados estudiosos e estudiosas,

Como sabemos, o cenário político, econômico e social da nossa vizinha Venezuela passa por um momento bastante complicado. A grande crise que envolve esses três setores perdura há alguns anos e pode-se dizer que foi iniciada entre 2012 e 2013, após a morte do então presidente e líder da Revolução Bolivariana Hugo Chávez, quando Nicolás Maduro assumiu a presidência. Nesse mesmo período, a economia do país entrava numa situação difícil, com um significativo aumento da inflação e escassez de produtos básicos no mercado interno.

Como resultado, a partir de 2014, houve uma forte reação da população – tanto de opositores como de apoiadores do governo – por meio de protestos nas ruas, iniciando uma convulsão social no país. Desde então, a crise se acirrou no âmbito político e as manifestações chegaram ao ápice em 2017, com fortes enfrentamentos entre as forças de segurança, os opositores e os simpatizantes do governo, e registros de cidadãos mortos nos confrontos. Tal conjuntura chamou a atenção da comunidade internacional, e organismos como a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Organização dos Estados Americanos (OEA) expressaram preocupação com a situação no país.

No último dia 10 de janeiro, Maduro tomou posse para seu segundo mandato como presidente da Venezuela, porém sua legitimidade não foi reconhecida pela oposição e por parte da comunidade internacional, com destaque para o chamado Grupo de Lima – composto por Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru e Santa Lúcia. Tal contestação vem ocorrendo desde maio de 2018, quando ocorreram as eleições presidenciais, marcadas por diversas controvérsias em seu processo.

Neste novo episódio de O Mundo em 3 Minutos, convidamos o mestre de Política Internacional Paulo Velasco para explicar melhor as causas e as consequências de todo esse contexto complexo no qual a Venezuela está inserida. Confiram no vídeo abaixo!

 

Participação especial neste post:

O Mundo em 3 Minutos: Pacto Global para Migração adotado pela ONU

Minhas caras e meus caros,

Recentemente, tivemos a notícia da revogação da adesão do Brasil ao Pacto Global para Migração da Organização das Nações Unidas (ONU). A decisão foi confirmada pelo atual presidente Jair Bolsonaro e comunicada ao Ministério das Relações Exteriores no último dia 8. Dessa forma, a Missão Brasileira na ONU notificou formalmente a saída do país do acordo à sede da organização, em Nova York, e ao seu principal escritório de representação, em Genebra.

O Pacto Global para uma Migração Segura, Ordenada e Regular foi adotado pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 20 de dezembro de 2018. Conforme apresentado pela ONU, trata-se de um documento abrangente para uma melhor coordenação da migração internacional, enfrentar seus desafios e fortalecer os direitos dos migrantes, contribuindo para o desenvolvimento sustentável. O texto do acordo, que tem como base a Carta das Nações Unidas e a Declaração Universal dos Direitos Humanos, é resultado de um longo processo de negociação intergovernamental, iniciado em setembro de 2016 – quando a Assembleia Geral adotou a Declaração de Nova York para Refugiados e Migrantes.

O pacto não é juridicamente vinculante, isto é, os países não são obrigados a seguirem suas diretrizes. Por outro lado, fundamenta-se em valores de compartilhamento de responsabilidade entre os Estados e não-discriminação de direitos humanos, a fim de fornecer uma plataforma para cooperação sobre migração.

Para que possamos compreender melhor a composição deste importante acordo mundial, o mestre de Direito Internacional Guilherme Bystronski apresenta os principais aspectos do arranjo neste novo episódio de O Mundo em 3 Minutos. Assistam ao vídeo abaixo e fiquem por dentro, estimados!

 

 

Participação especial neste post:

Guilherme Bystronski – Mestre em Direito Internacional e da Integração Econômica pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e professor de Direito Internacional Público nos cursos da área de Diplomacia do Clio – Damásio.

 


 

VEJA TAMBÉM 👇

“Entenda o que é o Pacto Mundial para Migração” – Artigo do professor Ricardo Macau

O Internacional em Debate #9: Balanço da Política Externa Brasileira Contemporânea

Estimados e estimadas,

Historicamente, a política externa brasileira (PEB) é marcada por conceitos que prevalecem ao longo do tempo – como as noções de autonomia e desenvolvimento – e, ao mesmo tempo, por transformações expressivas em seus objetivos e prioridades, de acordo com a orientação e o contexto políticos de cada governo. Nos anos mais recentes, a série de acontecimentos no âmbito interno contribuiu para um maior destaque desta segunda característica. Entre os analistas e pesquisadores desse tema, uma ideia que prevalece é a de que a PEB passou (e ainda passa) por um período de inflexão, o que resultou em uma significativa perda do prestígio e do protagonismo internacionais conquistados pelo país em períodos anteriores.

Um notório contraste na política externa brasileira da atualidade pode ser observado quando comparamos, por exemplo, os avanços e os retrocessos obtidos nessa esfera durante os últimos quinze anos. Como assinalado pelo pesquisador Juliano Bravo, os governos de 2003 a 2010 foram capazes de implementar e solidificar uma inserção internacional assertiva e apropriada para as potencialidades do país. Todavia, ainda que alguns traços tenham sido mantidos, houve uma queda considerável da atuação externa durante as gestões posteriores, sobretudo a partir de 2016, com o agravamento da crise política-econômica-institucional enfrentada pelo Brasil.

No contexto das celebrações de 1 ano do blog, promovemos uma especialíssima edição de O Internacional em Debate para analisarmos todas as questões relativas a política externa brasileira na contemporaneidade. A fim de melhor compreendermos os principais aspectos da inserção do Brasil no cenário mundial neste início do século XXI, nesta ocasião, contamos com as enriquecedoras exposições dos mestres Maurício Santoro, Paulo Velasco e Sabrina Medeiros. Assistam a discussão completa a seguir, e aproveitem os ensinamentos e reflexões dos professores sobre esse tema primordial para os estudos das nossas relações internacionais!

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Participações especiais neste post:

Maurício Santoro – Doutor e mestre em Ciência Política pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (IUPERJ), graduado em Jornalismo pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Professor-adjunto do Departamento de Relações Internacionais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

Paulo Velasco – Doutor em Ciência Política pelo IESP-UERJ, possui mestrado em Relações Internacionais pelo IRI – PUC Rio e graduação em Direito pela UERJ. Professor-adjunto do Departamento de Relações Internacionais da UERJ. Leciona a disciplina de Política Internacional nos cursos preparatórios da área de Carreiras Internacionais do Damásio Educacional – Clio.

Sabrina Medeiros – Doutora em Ciência Política pelo IUPERJ, com bolsa sandwish DAAD no Wissenschaftszentrum Berlin für Sozialforschung, possui mestrado em História Social pela UFRJ, com bolsa sandwish na London School of Economics and Political Science pelo British Council, e graduação em História pela UFRJ. Professora Associada da Escola de Guerra Naval (EGN).

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O Mundo em 3 Minutos: Eleições em Cuba e seus reflexos internacionais

Caras e caros aprendizes,

Após quase seis décadas, Cuba não têm um Castro no cargo mais alto do Executivo. A transição de poder, iniciada no final de 2017, completou-se em abril desse ano, quando a presidência do país passou a ser ocupada por Miguel Díaz-Canel, preparado por Raúl Castro, há aproximadamente uma década, para a sucessão e o consequente fim da chamada generación histórica.

Os irmãos Castro foram centrais nos eventos que culminaram na Revolução Cubana, que, em um primeiro momento, não possuía caráter socialista, e baseava-se em programas de desenvolvimento e de libertação nacional das políticas norte-americanas para a ilha. Após a vitória da revolução, o consequente recrudescimento das relações com Washington e a concomitante aproximação de Moscou, no contexto da Guerra Fria, Havana alinhou-se ao bloco socialista.

O governo cubano, durante o domínio da família Castro, foi protagonista de momentos relevantes da política internacional, a exemplo da Crise dos Mísseis, em 1962. Além disso, ocupou espaço significativo da formulação de políticas dos Estados da região, a exemplo dos Estados Unidos, o líder do bloco capitalista; e do Brasil, que, alinhado aos norte-americanos, delineou, principalmente nos anos da ditadura civil-militar, estratégias específicas para que se evitasse a “cubanização” do país, tão temida pelos mandatários brasileiros e por grande parte da opinião pública nacional.

Embora busque reforçar o tom de continuidade e o legado histórico da Revolução, espera-se que o governo de Díaz-Canel aprofunde as políticas de abertura e flexibilização iniciadas por seu antecessor. Para muitos analistas, o novo presidente e o Partido Comunista, ainda liderado por Raúl Castro, deverão confiar em uma via média, para que se enfrentem as questões mais urgentes à população cubana.

Para discutir os novos rumos de Havana, convidamos o ilustríssimo mestre do Direito, Ricardo Macau, que nos brinda com uma análise sobre a transição de poder e o futuro de Cuba no “O Mundo em 3 Minutos” dessa semana. Assistam e aproveitem!

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Participação especial neste post:

Diplomacia, música e diversão: conheça a banda Zé Maria & Os Diplomatas!

Caríssimas e caríssimos,

Hoje é um dia de comemoração no blog O Barão! \o/

Este nosso querido espaço de ampliação do conhecimento sobre a diplomacia e as relações internacionais como um todo está completando 1 ano de existência neste 6 de março, e este velhinho que vos fala não poderia estar mais feliz e honrado por ter tido a companhia assídua de seus queridos pupilos nesse período. Esse foi o primeiro de muitos ciclos de aprendizado e atualização sobre o mundo. Prosseguiremos na jornada, sobretudo com as primorosas contribuições dos mestres, pesquisadores, diplomatas e demais profissionais especializados nos assuntos que abordamos por aqui!

Nos últimos dias, fiquei a pensar com meus botões como poderíamos celebrar uma data tão especial como esta… e foi então que me recordei de uma banda que viria muitíssimo a calhar nesta ocasião. Afinal de contas, numa comemoração de aniversário que se preze, jamais pode faltar música, não é mesmo?

O nome do conjunto em si já justifica a minha lembrança: Zé Maria & Os Diplomatas, o grupo mais baronesco ou, como costumam dizer, a primeira “diplo-band” da história da música e da diplomacia! Sim, meus caros, eles conseguiram unir esses dois universos com base em seus conhecimentos individuais e muito bom humor. Isso porque cada um dos integrantes tem ou já teve algum tipo de relação direta ou indireta com a diplomacia e as questões globais – dois deles já foram, inclusive, candidatos ao Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD)!

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Fruto de uma brincadeira entre amigos, a banda é formada por Alexandre Alvarenga (vocalista), Rodrigo Armstrong (guitarra), Thiago Rocha (violão/ukulele), Bruno Eschenazi (contrabaixo) e Guilherme Meyer (bateria). Apesar de não terem alcançado o sucesso mundial (ainda!), eles já conquistaram diversos simpatizantes – e até mesmo fãs, por que não? – com suas produções originais e paródias inspiradas em fatos da política externa brasileira, da história mundial, da história do Brasil e outras matérias relacionadas.

Sem mais delongas, a seguir, vocês podem conferir algumas das espirituosas canções e letras, bem como uma prosa supimpa que tive com os integrantes Alexandre e Rodrigo, na qual eles falaram sobre como surgiu a ideia de formar a banda, a criação das músicas e até mesmo suas experiências na época de estudos para o CACD!

Com vocês, Zé Maria & Os Diplomatas! 😀

 

“Bacana!”

Pienso que José Paranhos no volverá más. Y que tenemos que aprofundar El Mercosur. / Con todos países y pueblos deste continente, fuímos nos integrar luego con los argentinos.

Bacana! Meus Caros! / Criaram o Banco do Sul. A CASA virou UNASUL.

Vou chegando ensinando e mostrando que IBAS é um fórum de concertação. / Que o G20 é monotemático não vá confundir.

E o Brasil hoje quer a reforma do FMI…

 

“Guerra do Paraguai”

Ele quis ser potencia / e tinha esperança / Contudo não contava / com tríplice aliança

Solano e seu pai / Ditavam o Paraguai / Solano e seu pai / Guerra…

Começou em 64 / populações dizimadas / E a Argentina lucrava / lucrava demais…

Na Guerra do Paraguai…

Meteram bala até nos índios / O Uruguai também quis lutar / Faliu com o pobre Mauá / e foi sangrenta demais…

A Guerra do Paraguai…

 

“Alô, Gironda!”

Eu não me esqueço da declaração / que deu direito ao homem e ao cidadão / Propriedade então ficou privada / e o povo contra opressão lutava / Alguns achavam que não era sério / a Constituição Civil do Clero / A gente é pobre, mas não é otário / Quebra de pau o Clero Refratário

Luis XVI até tentou fugir / Alguns monarcas tentaram invadir / E o bonde da Comuna de Paris / esculachou na batalha de Valmy / E a Republica foi proclamada / Até a rainha executada / E vamos juntos radicalizar / Filhos da puta mataram o Marat!

Alo Gironda, eu vou te pegar! / E vou cantando meu laia laia / Sou jacobino, eu sou montanha / toco terror mesmo em qualquer lugar / Sua cabeça eu vou guilhotinar / e vamos juntos: “Allons enfants!” / Sou jacobino de coração / eu sou da massa, eu sou do povão!

 

“Protocolo de Kyoto”

Seja amigo do ambiente / não seja um cara escroto / Assine e ratifique / o protocolo de Kyoto. / As cachorras já assinaram / o Tigrão perdeu o sono / Quando viu o fumacê / do dióxidos de carbono / Extraindo, produzindo / fabricando bem gostoso / Uma camada poluente / de oxido nitroso.

Oto, Oto, é o protocolo de Kyoto! / Oto, Oto, é o protocolo de Kyoto!

E Dona Brunt relatou / que os recursos são escassos / E se ligou no movimento / de um mundo sustentável / E o Brasil que não da mole / nem tira onda de tal / Mostrou nosso aggiornamento / firme na credencial / As ONGs vieram ao Rio / alguns chefes depois / Hoje é RIO+20 / problemas de 92….

Oto, Oto, é o protocolo de Kyoto! / Oto, Oto, é o protocolo de Kyoto!

E lá rolou um quebra-pau / entre os pontos de vista / Os Conservadores esculacharam / com os Preservacionistas / Até a Rússia já assinou / assinou no Japão / Enquanto os americanos / tão pagando de alemão / 2012 caducou / eu vou morrer de rir / Com esse tal tratado / que assinaram em Paris…

Oto, Oto, é o protocolo de Kyoto! / Oto, Oto, é o protocolo de Kyoto!

 

A playlist com essas e outras músicas da banda pode ser acessada bem aqui.

 

BATE-PAPO COM OS INTEGRANTES:

 

A primeira grande curiosidade sobre a banda é: onde vocês se conheceram e como surgiu a ideia de formação do conjunto?

Alexandre – Eu, Rodrigo (Armstrong), Thiago e Bruno nos conhecemos no Clio lá por volta de 2008 e 2009, logo após a crise financeira internacional que abalou as economias globais para ser mais preciso. Eu e o Armstrong éramos alunos, o Thiago professor e o Bruno trabalhava como designer. Toda sexta-feira, professores, alunos e funcionários faziam um happy hour num sebo/bar chamado Alfarabi (não sei se escreve assim), evento promovido sobretudo pelo grande mestre João Daniel. Num desses, acabei cantando o funk do Protocolo de Quito e conheci o Armstrong. Ele falou que tocava guitarra e que a gente podia fazer uma banda sobre os temas estudados. Falei que sim, mas tudo meio que na brincadeira. Outro “point” do Clio era o sexto andar, que tinha uma máquina de café. Algumas pessoas ficavam ali batendo papo e descansando um pouco. O Bruno trabalhava numa sala ao lado e sempre aparecia no corredor pra tomar um chimarrão. Numa dessas, descobrimos que ele era um baluarte da música. Não demorou muito e começamos a frequentar um pouco a sala dele. As vezes ele levava o violão e a gente brincava de fazer umas paródias. O Thiago se juntou e a brincadeira foi crescendo. O Valdinar (vigia do BAQO [Bloco Avançado de Questões Objetivas]) era sambista e também dava corda. O Guilherme chegou bem depois, em 2016. O Maradona (Luiz Henrique) foi nosso primeiro batera, tocou no primeiro “show” num churrasco no prédio do Fabrício (nosso empresário), mas quando decidimos começar a ensaiar quase dez anos depois, ele não tinha disponibilidade. O Fabrício então sugeriu o Guilherme (amigo de adolescência), que tava muito a fim de tocar. Fizemos um ensaio, ele detonou e não saiu mais da banda. O menino é craque.

 

Por que escolheram o nome “Zé Maria e os Diplomatas”?

Alexandre – Não lembro exatamente quando surgiu, mas lembro que alguém sugeriu antes o nome “The White Rivers” e fiquei com isso na cabeça. Num desses brainstorms da vida, surgiu “Zé Maria e os Diplomatas”. Sempre lembravam do Barão pelo título de nobreza ou pelo sobrenome Paranhos, mas nunca pelo primeiro nome. Achamos que Zé Maria representava muito bem o aspecto popular do Barão, afinal seu nome era a junção de dois dos nomes mais populares do Brasil. O “& os Diplomatas” veio naturalmente. Não sei exatamente quando, mas sei que a aceitação foi universal. Todo mundo gostou e o nome pegou na hora. Acho que outra grande influência foram os trabalhos do Bruno e do André Bandeira, que faziam a arte das publicidades do Clio. Eles desenhavam vários personagens, faziam animações com o Barão e destacavam bastante a figura dele. Acho que isso foi criando uma atmosfera divertida em torno do Barão e daí não tinha como não escolher um nome que homenageasse nosso patrono. A própria história do Barão também o elevou ao status de rockstar. Ele ganhou na loteria, gastou tudo em farra na Europa, voltou, virou chanceler, morreu no carnaval, e ainda virou moeda! Ele tinha que estar na banda.

Rodrigo – Foi uma coisa meio que natural e na piada. É uma referência ao Barão do Rio Branco – o José Maria da Silva Paranhos Júnior. E, como a gente era uma espécie de “Mamonas Assassinas de nerd”, colou.

 

Qual é a relação de vocês com a diplomacia e as relações exteriores em geral?

Alexandre – Como banda, considero o Zé Maria um ator internacional de grande relevância para o sistema e para a balança de poder mundial. Somos a primeira banda de regionalismo aberto do mundo, promovemos a paz e o desenvolvimento e, se precisar, tocamos o terror jacobino! Levantamos também várias bandeiras políticas, como a sobrevivência de Tuvalu, a adesão ao protocolo de Quito, a construção do trecho Panamá-Colômbia da pan-americana e a importância histórica do Acre. Individualmente, sou formado em RI, fiz mestrado em economia política internacional (EPI) e hoje faço doutorado em RI na UERJ. O Armstrong morou muito tempo nos EUA, fez faculdade por lá e trabalhou em organização internacional. Também fez mestrado em EPI, trabalhou com RI na prefeitura do Rio e hoje é professor do Clio. O Thiagão dispensa comentários. Professor de geografia, um geopolítico nato! O Bruno é designer do Clio. Sabe aqueles cartões-postais que te perguntavam “Que tal tomar um café em Istambul?”. Pois é, ele quem aliciava os jovens, rs. Além disso, quando o assunto é música nacional e internacional, ele é o cara! Sabe muito. Quem realmente não tem muito a ver com RI é o Guilherme (nosso baterista cardiologista). No entanto, deve-se registrar que a área da saúde é uma das mais dinâmicas na cooperação entre países e na economia internacional. Mas até aí, é melhor ele entender mais de batidas e pulsações mesmo.

Rodrigo – Eu e o Alexandre somos formados em relações internacionais na graduação e fizemos mestrado em economia política internacional. Como nós dois estávamos naquela fase da vida do CACDista em que tudo acaba girando em torno do concurso, a banda foi uma válvula de escape que surgiu naturalmente. E, até hoje, trabalhamos em temas relacionados à diplomacia e às relações exteriores.

 

Algum dos integrantes se tornou diplomata ou exerceu/exerce alguma atividade ligada à diplomacia?

Alexandre – Trabalhei na área de Relações Internacionais e Protocolo nas Olimpíadas do Rio e depois em uma pesquisa acadêmica na Fiocruz sobre Diplomacia em Saúde. O Rodrigo trabalhou na prefeitura do Rio na área de RI e é professor do Clio. O Thiago segue preparando novos diplomatas e o Bruno ainda trabalha no Clio, agora também Damásio. O Guilherme continua salvando vidas nos hospitais, rs. Por ironia do destino ninguém se tornou diplomata, mas temos algumas composições que foram feitas por amigos que hoje são (diplomatas) ou que trabalham na área de RI. Provavelmente, se alguém tivesse passado, não teria banda, ou, se não existisse a banda, alguém teria passado. Deus quis assim… Salve o absolutismo divino!

 

A maior parte das músicas da banda são paródias com temáticas de política externa, história mundial, história do Brasil e afins. Como se deu o processo criativo das letras? Todos os integrantes participaram das composições?

Alexandre – O processo foi muito diversificado e muita gente participou. Como disse, o Zé Maria é uma banda de regionalismo aberto (com certeza a primeira do mundo). A primeira composição foi o Protocolo de Quioto. Surgiu na escada Clio. A galera tava conversando, começou um beatbox e saiu. A parti daí, fiquei empolgado e comecei a criar mais. Algumas sobre as matérias estudadas em um determinado dia, outras a pedido da galera. Daí saíram o bolero do Milton Santos, Bacana (sobre a integração sul-americana e em homenagem só nosso querido mestre Paulo Afonso Velasco) e o Reggae da Ditadura. Nessa época também herdei um violão de uma amiga, aprendi a tocar três acordes e comecei a criar coisas em casa. Depois mostrava pro Bruno, pro Thiago e pro Rodrigo. Nessa época o Rodrigo morava num ap bem espaçoso em Copa e fazíamos vários encontros para tocar. Foi um período bem criativo. Alguns amigos do Clio compareciam para descontrair, davam pitacos e tudo fluía. Na época, o Maradona era nosso batera e também participou de algumas criações, como Garota Soviética e Rock da Guerra do Paraguai. Basicamente a gente criava uma letra ou fazia uma paródia do nada e  dava um jeito de tocar. Teve também um fim de semana em Brasília. Eu e o Thiago saímos para tomar um chopp com o pessoal do Clio de lá e fizemos “sucesso” com as músicas. Nesse fim de semana também fizemos algumas composições, como Alô Gironda, sobre a Revolução Francesa, e Fudeu Geral, sobre a crise da dívida externa brasileira. Também tivemos composições de amigos que hoje são diplomatas. O Tainã Novaes (futuro ministro das relações exteriores) fez uma paródia sensacional sobre proliferação nuclear usando a música de axé “Bomba”. O André Saboya (meu menino de ouro e futuro representante do Brasil na ONU) teve a ideia e escreveu boa parte da letra do Pagode Russo. A maioria das músicas são paródias, pois é mais fácil criar em cima de algo já feito, mas algumas são 100% originais, como Garota Soviética, o Protocolo de Quioto, Reggae da Ditadura e Alô Gironda.

 

Para que tipo de público vocês costumam se apresentar? A banda ainda faz shows com frequência?

Alexandre – Para qualquer um, não somos seletivos. Se tiver público, tá valendo! Na verdade eu sou meio tímido, quanto menor o público, melhor, rs. Mas falando sério, tocamos para amigos que geralmente fizeram o CACD e outros agregados. Fizemos só um show, há uns dois anos. Tivemos algumas experiências anteriores de tocar na casa do Armstrong e uma vez num churrasco no prédio do Fabrício (nosso empresário/advogado), mas não passou disso. Sempre mantivemos um tom de brincadeira e por isso não ensaiávamos. Começamos a ensaiar há uns três anos e daí surgiu a ideia de fazer nosso único show da vida. Fui num estúdio em Botafogo em 2016. Alguns amigos foram, alguns diplomatas. Tinha umas trinta pessoas e a galera sabia cantar os “sucessos”. Foi emocionante! Nesse dia tinha show do Gil e do Caetano no Circo, mas foi cancelado. Provavelmente porque todo mundo foi ver o Zé Maria.

 

Existem casos de professores de cursos preparatórios (geralmente pré-vestibulares ou pré-Enem) que produzem paródias sobre as matérias que lecionam para auxiliar seus alunos no aprendizado. Vocês tiveram alguma intenção nesse sentido em relação ao CACD (Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata)? Em todo caso, acreditam que as músicas podem auxiliar os candidatos de alguma forma na preparação para o certame?

Alexandre – A intenção era fazer músicas sobre as matérias tanto para diversão quanto para fins didáticos, mas não era nada feito sob pressão, nem direcionado aos alunos de forma planejada. A ideia era se divertir com os temas, extravasar um pouco a pressão e toda a informação que recebíamos. Mas você começa a acreditar no poder desse recurso quando alguns amigos saem de uma prova de terceira fase dizendo que caiu uma questão sobre determinado assunto e eles lembraram de uma música. A música não vai te dar uma resposta de 50 linhas, mas pode te lembrar de informações cruciais. Impossível não ficar orgulhoso e inspirado com isso. Sobre a utilização desses recursos no processo de aprendizagem em geral, acredito que a música, a poesia, a dança, o humor e outras manifestações artísticas e culturais podem tanto auxiliar quanto ser o meio ou o canal principal de receber e passar informação. Acho que aprender com prazer é a melhor forma de aprender, por mais clichê que isso possa parecer. Temos mais facilidade em aprender os conteúdos e temas que mais gostamos ou os que achamos mais interssantes, mas muitas vezes a forma pela qual se aprende pode compensar um conteúdo não tão interessante ou prazeroso. Daí vem o poder da música e de outras manifestações artísticas no processo de aprendizagem. Coincidentemente, assisti a uma aula inaugural semana passada na Fiocruz onde o palestrante chamava a atenção para novas forma e canais de comunicação para difundir conhecimento de forma rápida, ampla e simples, diferentes dos artigos e papers, que muitas vezes são lidos e debatidos por um número restrito de pessoas. Não teve como não lembrar do Zé Maria.

Rodrigo – Nunca foi nossa intenção, mas várias pessoas já relataram pra gente que acertaram essa ou aquela questão porque na hora se lembraram de alguma letra nossa. Hoje, depois de quase 8 anos de “não banda” rs, a gente fala em gravar isso tudo tanto para termos de memória quanto para divulgar e deixar as pessoas usarem pra se divertir e estudar.

 

A propósito, algum dos integrantes já realizou ou pensou em realizar o concurso para diplomata? Como foi essa experiência?

Alexandre – Eu tentei algumas vezes, mas não passei nem da primeira fase. Mas como diria Darcy: “meus fracassos são minhas vitórias”. Apesar dos resultados, esse período de estudos e preparação foi um abridor de cerveja na minha vida. Desde que cheguei ao Rio em 2008 (sou de Vitória-ES), fiz grandes amigos, desenvolvi trabalhos interessantes, fiz mestrado, estou no doutorado e faço parte de uma banda. Não posso reclamar, a experiência continua sendo incrível. O Armstrong chegou às fases finais do CACD várias vezes, mas o destino quis que ele continuasse guitarrista do Zé Maria. A diplomacia chora, mas os rock’n roll agradece.

Rodrigo – Eu e o Alex fizemos o CACD algumas vezes. Eu bati na trave. Foi uma ótima experiência, apesar de eu não ter me tornado diplomata. No meu caso, o período em que foquei no concurso, entre 2011 e 2013, infelizmente coincidiu com um período também complicado na minha vida pessoal, o que acho que me atrapalhou bastante. Depois disso, fui focar em outros projetos – como o trabalho na prefeitura do Rio. Hoje, pessoalmente, não penso mais no concurso porque estou feliz com os projetos que estou tocando.

 

Vocês pretendem dar continuidade às atividades da banda, e até mesmo torná-la mais profissional? Ou veem o projeto apenas como hobby e diversão entre amigos?

Alexandre – Gostaríamos de sair em turnê mundial contra a Guerra na Síria, a favor da reunificação das Coreias e em apoio à Tuvalu. Também gostaríamos de tocar no próximo Rock’n Rio, de desenvolver um enredo de escola de samba sobre o Barão e um dia ganhar um Grammy, mas acho que não vai rolar. Difícil pensar em grandes projetos quando todos os integrantes estão envolvidos em outras atividades profissionais cotidianas de ganha pão. Mas vamos continuar fazendo o que sempre fizemos: vamos nos reunir, criar, tocar e nos divertir. Independente do sucesso, da fama e do dinheiro (que não conquistamos), o importante é manter a diversão e a amizade.

Rodrigo – O projeto com certeza é um hobby, mas queremos voltar a ensaiar e gravar nossas músicas, e talvez fazer um show ou outro pros amigos. Se algo sair daí, ótimo. Senão, está lindo também.

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O Internacional em Debate #7: Revolução Russa: centenário e legado

Estimados e estimadas,

Considerada um dos mais importantes acontecimentos do século XX, a Revolução Russa completou cem anos no mês passado. O cerne dessa importância consiste não apenas no fato de o evento ter modificado completamente as estruturas de um país de proporções continentais, mas também na enorme influência que teve sobre a conformação do sistema internacional nas décadas posteriores. Tendo sua deflagração surpreendido até mesmo teóricos renomados como Karl Marx, o processo revolucionário possuiu duas fases cruciais: a Revolução de Fevereiro (março do calendário ocidental) e a Revolução de Outubro (novembro do calendário ocidental).

As consequências desastrosas da participação da Rússia na Primeira Guerra Mundial foram a principal causa da Revolução. Diante das perdas agudas do exército, dificuldades de abastecimento, elevação do custo de vida e administração pública ineficiente, as revoltas e os protestos populares, com a exigência da saída do país do conflito, se tornaram inevitáveis. Em fevereiro de 1917, as manifestações se intensificaram, tomando todas as grandes cidades do Império Russo, e o czar Nicolau ll, impedido de entrar na então capital Petrogrado (atual São Petersburgo), abdicou do trono, pondo fim aos trezentos anos de autocracia monárquica dos Romanov. Em seguida, a Duma (parlamento russo) instalou o Governo Provisório, constituído de aristocratas e burgueses, e proclamou uma República liberal, que perdurou somente por alguns meses.

A despeito dos anseios de paz da população, a liderança do Governo Provisório não retirou a Rússia da contenda mundial e isso fez com que sua aceitação e popularidade se deteriorasse rapidamente. Aproveitando o enfraquecimento político de seus opositores, os bolcheviques tomaram o palácio do governo em 25 de outubro de 1917, dissolvendo a Duma e estabelecendo um Conselho de Comissários do Povo, chefiado por Vladimir Ilyich Ulyanov, mais conhecido por Lênin. Após a tentativa fracassada de formar uma Assembleia Constituinte, os bolcheviques eliminaram todos os seus opositores e fundaram o Partido Comunista Russo – o único permitido por lei –, consolidando-se no poder e originando o primeiro Estado socialista da História.

No contexto do centenário desse notável marco histórico, convidamos os magníficos mestres da História Mundial Daniel Araújo e João Daniel Almeida para debater e explicar, em detalhes, como se deu todo esse processo revolucionário, bem como apresentar o seu significativo legado para a Rússia e o restante do mundo. Assistam ao vídeo a seguir e aproveitem cada minuto dessa discussão para lá de enriquecedora, meus caros!

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Participações especiais neste post:

avatar_cafeDaniel Araújo – Mestre em História Política e Bens Culturais pelo Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil da Fundação Getúlio Vargas (CPDOC/FGV) e professor de História do Brasil e de História Mundial na área de Carreiras Internacionais do Damásio Educacional – Clio.

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João Daniel Almeida – Mestre em Relações Internacionais pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC – RJ) e professor de História do Brasil e de História Mundial na área de Carreiras Internacionais do Damásio Educacional – Clio.

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O Internacional em Debate #1: Holanda vs. Turquia: a Europa diante da Democracia Turca

Caríssimas e caríssimos,

Como estudiosos das Relações Internacionais e futuros profissionais de uma carreira nesta área, é imprescindível que vocês estejam sempre por dentro dos últimos acontecimentos, notícias e discussões relevantes nas diferentes partes do mundo. Muitas vezes, durante as pesquisas, é necessário até mesmo buscar mais de uma abordagem sobre determinado assunto para que seja possível ter um entendimento mais amplo e diversificado sobre a questão em foco. Com base nisso, e pensando em dar uma forcinha a vocês nessa tarefa, juntei-me à minha equipe de barões e baronesas e preparamos um novo conteúdo supimpa para o blog: O Internacional em Debate – uma série de vídeos que irão trazer tópicos atuais e quentes para o centro da discussão. Em cada episódio, uma questão recente do âmbito internacional será apresentada e debatida por um time de professores especializados e craques no assunto!

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O primeiro vídeo da série abordará um acontecimento bem recente e inesperado em termos de política internacional: a suspensão das relações diplomáticas entre Turquia e Holanda. O cenário que levou à crise tem sua origem na convocação de um referendo na Turquia, que amplia os poderes do presidente Recep Tayyip Erdogan, no que vem sendo visto pelos europeus como uma ampliação indevida de poder do Executivo. A reação holandesa foi não permitir que a ministra turca da Família e dos Assuntos Sociais, Fatma Kaya, fizesse campanha junto aos turcos residentes na Holanda, além de negar a entrada do chanceler turco Mevlut Cavusoglu em seu território.

O governo turco subiu o tom e comparou a postura holandesa ao nazismo e fascismo, o que gerou reações por parte da Alemanha, que também criticou o discurso de Erdogan. O governo turco afirmou que a Alemanha dá abrigo a terroristas, o que torna as relações entre os países muito difícil, a despeito de sua importância histórica e econômica.

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“O embate ocorre em um momento particularmente importante para todos os envolvidos, já que haverá eleições na Holanda e Alemanha, além do referendo na Turquia”, afirma o professor Tanguy Baghdadi. A conclusão deste embate e o resultado das votações serão fundamentais para qualquer análise futura acerca do relacionamento entre a Europa e a Turquia.

Sendo assim, convidamos nossos mestres de Política Internacional, Paulo Afonso Velasco e Tanguy Baghdadi, e de Economia, Daniel Sousa, para apresentarem seus entendimentos sobre a questão e nos ajudar a compreender melhor as causas e os possíveis desdobramentos desse importante acontecimento.

Confira o vídeo a seguir.