O Mundo em 3 Minutos #18: Renúncia presidencial no Peru

Prezadas e prezados,

Nesta semana, um acontecimento expressivo agitou os noticiários na América do Sul e demais partes do mundo: o então presidente peruano Pedro Pablo Kuczynski (conhecido também pela sigla PPK) renunciou ao cargo, poucas horas antes da votação do processo de seu impeachment pelo Congresso do país. O chefe de Estado, que derrotou a ex-candidata Keiko Fujimori nas urnas e tomou posse em julho de 2016, já vinha enfrentando denúncias de corrupção em sua atuação política desde o ano passado. Contudo, sua situação tornou-se ainda mais problemática no último dia 20, quando o partido de oposição Força Popular, presidido por Keiko, divulgou vídeos nos quais o irmão dela, Kenji Fujimori, e alguns congressistas ligados a ele oferecem obras públicas a Moisés Mamani (parlamentar keikista) em troca do voto contra o afastamento de Kuczynski da presidência.

Em sua defesa, PPK alegou que as imagens dos vídeos foram editadas e causaram “uma grave distorção do processo político”. No pronunciamento gravado e transmitido pela televisão estatal peruana, a autoridade afirmou que sempre desempenhou sua função honestamente apesar de a oposição tentar retratá-lo como corrupto. Ademais, ele informou que o país terá uma transição de poder ordeira e constitucional. O nome apontado para substitui-lo até o fim do mandato (julho de 2021) é o do atual vice-presidente, Martín Vizcarra, que também atua como embaixador no Canadá.

A drástica mudança na presidência peruana ocorre a menos de um mês para a realização da próxima Cúpula das Américas – reunião periódica de chefes de Estado e de Governo dos países membros da Organização dos Estados Americanos (OEA) – na cidade de Lima, capital do Peru. Esta será a oitava edição do evento, que ocorre desde 1994 e tem por objetivo “discutir aspectos políticos compartilhados, afirmar valores comuns e comprometer-se com ações concertadas nos níveis nacional e regional para enfrentar os desafios presentes e futuros que os países das Américas enfrentam”. O encontro deste ano não diferirá dos anteriores em suas finalidades, todavia, há uma expectativa particular para as participações dos presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e de Cuba, Raúl Castro.

Nesta nova edição de O Mundo em 3 Minutos, o mestre de Política Internacional Tanguy Baghdadi vem explicar, com mais detalhes, os fatores envolvidos na renúncia do presidente Kuczynski e os possíveis reflexos desse episódio não apenas no cenário político peruano, mas também na região sul-americana como um todo. Assistam à breve exposição a seguir!

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Participação especial neste post:

O Mundo em 3 Minutos: Cúpula das Américas 2018: principais pontos

Digníssimos e Digníssimas,

Nos dias 13 e 14 de abril de 2018 realizou-se na cidade de Lima, no Peru, a VIII Cúpula das Américas, evento que reuniu dezoito representantes dos trinta e quatro países do continente.

O objetivo das Cúpulas das Américas, realizadas periodicamente entre os líderes americanos, é definir prioridades e políticas para os desafios comuns da região, com vistas a garantir um hemisfério cada vez mais democrático. Nessas reuniões, também são afirmados valores comuns e estabelecidas políticas conjuntas, para que se fortaleça uma concepção comum de desenvolvimento da região, seja ela social, econômica, ou de natureza política.

Na última edição da Cúpula das Américas, o tema central foi a corrupção, que, de acordo com os líderes presentes, “debilita a governabilidade democrática e a confiança dos cidadãos nas instituições”. Com o objetivo de posicionarem-se sobre o tema, os Estados americanos lançaram o “Compromisso de Lima”, declaração conjunta que visa a discutir a “Governabilidade democrática frente à corrupção”.

O documento tem suas bases em compromissos firmados anteriormente pelos Estados da região, como a Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção (CNUCC) e a Convenção Interamericana contra a Corrupção (CICC), e a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, e elenca alguns compromissos a serem firmados pelos países, no tocante ao tema:

  • Fortalecimento da governabilidade democrática;
  • Transparência, acesso à informação, proteção de denunciantes e direitos humanos, incluindo liberdade de expressão;
  • Financiamento de organizações políticas e campanhas eleitorais;
  • Prevenção da corrupção em obras públicas, contratações e compras públicas;
  • Cooperação jurídica internacional; combate à propina, ao suborno internacional, ao crime organizado e à lavagem de ativos; e recuperação de ativos;
  • Fortalecimento dos mecanismos interamericanos anticorrupção.

No “Mundo em 3 Minutos” desta semana, nosso querido mestre Paulo Velasco, comenta alguns temas relevantes da VIII Cúpula das Américas, como ausência do presidente norte-americano Donald Trump, a escolha da corrupção como tema central das discussões, e o alijamento da Venezuela da reunião.

Aproveitem os ensinamentos desse grande mestre da Política Internacional, meus caros!

 

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O Mundo em 3 Minutos #5: A situação da Venezuela hoje

Minhas caras e meus caros,

Como bem sabemos, o cenário político, econômico e social da nossa vizinha Venezuela passa por um momento bastante complicado. A grande crise que envolve esses três setores perdura há alguns anos e pode-se dizer que foi iniciada entre 2012 e 2013, após a morte do então presidente e líder da Revolução Bolivariana Hugo Chávez, quando Nicolás Maduro assumiu a presidência. Nesse mesmo período, a economia do país entrava numa situação difícil, com um significativo aumento da inflação e escassez de produtos básicos no mercado interno. Como resultado, no começo de 2014, houve uma forte reação da população – tanto de opositores como de apoiadores do governo – por meio de protestos nas ruas, iniciando uma convulsão social no país. Na ocasião, os manifestantes contrários à gestão de Maduro alegavam impotência do governo para resolver a crise econômica e o aumento da criminalidade.

Desde então, houve um acirramento da crise no âmbito político e as manifestações voltaram a se intensificar agora, em 2017, com fortes enfrentamentos entre as forças de segurança, os opositores e os simpatizantes do governo, e registros de cidadãos mortos nos confrontos mais recentes. Tal conjuntura chamou a atenção da comunidade internacional e alguns organismos se posicionaram diante da situação. O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, e o Escritório de Direitos Humanos da organização emitiram comunicados, expressando preocupação com os acontecimentos e solicitando que as partes envolvidas busquem meios para reduzir os conflitos. Países latino-americanos, como Argentina, Brasil, Chile, México, Paraguai, Uruguai, entre outros, também se pronunciaram, condenando a violência desencadeada nos protestos.

Outro posicionamento significativo foi da Organização dos Estados Americanos (OEA), que aprovou, no último dia 26, a realização de uma reunião de chanceleres para decidir se a Venezuela seria suspensa do bloco – por considerar que o governo de Maduro violou a Carta Democrática Interamericana. No entanto, Caracas se antecipou e anunciou sua saída do órgão logo em seguida, justificando que a decisão foi tomada para garantir a soberania do país e evitar intervenção estrangeira em seus assuntos internos.

Neste novo episódio de O Mundo em 3 Minutos, convidamos o mestre de Política Internacional Paulo Velasco para explicar melhor as causas e as consequências de todo esse contexto complexo no qual a Venezuela está inserida. Confiram a fala do professor no vídeo abaixo!

 

Participação especial neste post: