Barão do Mês: Sérgio Vieira de Mello

Minhas caras e meus caros,

O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), também conhecido como a Agência da ONU para Refugiados, foi criado em 1950 com a principal função de dirigir e coordenar a ação internacional para proteger e ajudar cidadãos deslocados em todo o mundo e encontrar soluções permanentes para eles. Em fins da década de 1960, o órgão passou a contar com o impecável trabalho de um jovem brasileiro, que, apesar de não ter objetivado essa carreira em princípio, marcou a história da instituição e das questões humanitárias em todo o mundo. Embora não tenha sido diplomata de formação pelo Itamaraty, Sérgio Vieira de Mello dedicou 34 anos de sua vida à promoção da paz e dos direitos humanos, conquistando notável respeito e admiração internacionais ao assumir desafios à frente dessa organização.

Por esse nobre e generoso motivo, Sérgio é o nosso grande homenageado do mês de fevereiro! A seguir, conheçam mais sobre a inspiradora trajetória desse barão ilustre, cuja partida completará 15 anos no próximo 19 de agosto, o Dia Mundial Humanitário.

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sergio-vieira-de-melloFilho de Gilda dos Santos e Arnaldo Vieira de Mello (diplomata e historiador), Sérgio Vieira de Mello nasceu na cidade do Rio de Janeiro, em 15 de março de 1948, mas viveu períodos no exterior desde a infância, acompanhando seu pai em missões internacionais. Concluiu os estudos secundários (atual Ensino Médio) no Colégio Liceu Franco-Brasileiro e, depois, mudou-se para a Suíça para estudar Filosofia na Universidade de Friburgo. Prosseguiu com os estudos na França, formando-se em 1969, e obteve o mestrado em Filosofia na Universidade de Sorbonne no ano seguinte.

Ainda no final de 1969, Sérgio ingressou no Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados como redator em francês e, entre outras tarefas, tinha a função de verificar se os documentos oficiais eram redigidos corretamente nos diversos idiomas da Organização. Continuou seus estudos em Filosofia e obteve seu doutorado (doctorat troisième cycle) também na Sorbonne em 1974. Sua trajetória universitária foi concluída em 1985, quando obteve o Doctorat d’Etat, defendendo sua tese “Civitas Maxima” com menção honrosa.

Sua primeira atuação direta nas questões humanitárias das Nações Unidas foi em setembro de 1971, quando o ACNUR realizou uma operação de repatriação sem precedentes, após a guerra civil que devastou a província paquistanesa de Bengali Oriental e cerca de 10 milhões de pessoas se refugiaram na Índia. Com a proclamação da independência de Bangladesh, Sérgio foi enviado a Dacca para preparar a repatriação e garantir a reintegração desses refugiados que retornavam ao seu país e permaneceu nesse posto até fevereiro de 1972. Nesse período, ele teve sua primeira experiência de trabalho de campo e pôde assistir de perto à criação do novo Estado de Bangladesh.

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Sérgio em Bengali Ocidental, Índia, 1971 (Foto: Fundação Sérgio Vieira de Mello)

Nos meses e anos posteriores, Vieira de Mello foi o responsável por outras importantes missões do ACNUR para repatriação de pessoas refugiadas. Em meados de 1972, atuou no sul do Sudão, após o acordo de paz em Adis Abeba entre as autoridades de Cartum e os rebeldes, participando do projeto e da construção de uma ponte sobre o Nilo em Juba. Foi representante do Alto Comissariado no Chipre, em 1974, e na Nicósia do Sul e na Nicósia do Norte de novembro de 1974 a abril de 1975. Em seguida, depois de Moçambique declarar sua independência, viajou para esse país para auxiliar na situação dos moçambicanos refugiados que retornavam à nação e permaneceu nessa função até novembro de 1977, sendo um dos mais jovens representantes do ACNUR em operação de campo.

No início de 1978, o diplomata foi nomeado Representante Regional do ACNUR para a América Latina e mudou-se com a família para Lima, no Peru, onde trabalhou essencialmente para assentar em países de asilo definitivo refugiados latino-americanos fugitivos do regime de Pinochet. Retornou para Genebra dois anos depois, para chefiar a área de formação dos funcionários do Departamento de Pessoal do ACNUR.

Foi após ser nomeado para o cargo de Conselheiro Político da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (FINUL), em novembro de 1981, que Sérgio passou a trabalhar com as operações de manutenção da paz da ONU. Na primeira experiência em Naqoura, no sul do Líbano, ele pôde avaliar a complexidade dessas atividades que, em sua maioria, esbarram em muitas dificuldades devido a escassa cooperação de todos os beligerantes envolvidos. Muitas vezes, os procedimentos limitam-se a uma ação humanitária e a experiência da FINUL não havia fugido a essa regra.

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Sérgio em visita a Beirut com o General Callaghan, 1982 (Foto: Fundação Sérgio Vieira de Mello)

Sérgio retornou para Genebra em julho de 1983, reassumindo sua função no Departamento de Pessoal do ACNUR. Trabalhou por dez anos na sede do órgão e exerceu diversas funções nesse período, dentre elas as de Chefe de Gabinete do Alto Comissário e de Chefe do Secretariado da Comissão Executiva. Idealizou também diversos projetos e planos que modificaram a política da Instituição, como o Comprehensive Plan of Action (CPA). Ademais, ele aproveitou esse tempo de estabilidade em Genebra para terminar sua tese de Doutorado, que defendeu brilhantemente na Sorbonne, em Paris, em dezembro de 1985.

Após ser nomeado Diretor da Divisão para a Ásia em maio de 1988, criou e incentivou o “Plano de Ação Global” (mais conhecido como CPA) que pôs fim ao drama dos “boat people” vietnamitas, que enfrentavam riscos incalculáveis para deixar seu país atravessando o Mar da China. Este plano permitiu organizar uma operação de repatriação individual para o Vietnam com um sistema de vigilância garantido pelo ACNUR até o fim dos anos 90. Em abril de 1990, ele passou a assumir também a Diretoria de Relações Exteriores do ACNUR e permaneceu nesse cargo até dezembro de 1991. Ainda nesse ano, a Alta Comissária para Refugiados Sadako Ogata o nomeia como Enviado Especial ao Camboja e Chefe do Setor de Repatriação da Autoridade Provisória das Nações Unidas para o Camboja (APRONUC) – essa operação foi considerada um sucesso para as Nações Unidas posto que, em junho de 1993, cerca de 370.000 cambojanos tinham voltado para seu país.

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Primeiros repatriados chegando a Phum Ku, zona FUNIPEC, sob o olhar de Sergio, 1992 (Foto: Fundação Sérgio Vieira de Mello)

De outubro de 1993 a abril de 1994, Sérgio foi Diretor Político da Força de Proteção das Nações Unidas (FORPRONU) na Bósnia e, em seguida, viaja para Zagreb como Chefe de Assuntos Civis da FORPRONU. Após esta experiência nos Bálcãs, Sérgio foi nomeado Diretor de Operações e Planejamento (1994-1996) e organizou a Conferência sobre os Refugiados e as Migrações na Comunidade dos Estados Independentes (CEI), que levou à elaboração de um Plano de Ação para regulamentar os fluxos migratórios decorrentes da fragmentação das antigas repúblicas soviéticas. Foi designado Assessor do Alto Comissário com o título de Subsecretário Geral das Nações Unidas, em janeiro de 1996, e novamente enviado para exercer as funções de Coordenador Humanitário das Nações Unidas para a região dos Grandes Lagos na África no final desse ano.

Na posição de Secretário Geral Adjunto do Escritório de Coordenação de Ações Humanitárias (OCHA, na sigla em inglês), Sérgio cumpriu, a pedido do Secretário-Geral da ONU Kofi Annan, uma missão de avaliação no Kosovo em maio de 1999. Ao retornar, foi nomeado pelo Secretário-Geral, seu Representante Especial Provisório, responsável pela Administração Interina das Nações Unidas em Kosovo (MINUK).

Quando a situação política no Timor-Leste começou a piorar em finais de 1999, após a divulgação dos resultados do referendo organizado pelas Nações Unidas – favoráveis à independência desta ex-colônia portuguesa anexada pela Indonésia –, Vieira de Mello desempenhou um dos mais importantes papéis de sua carreira. Para auxiliar na administração transitória do país, o Conselho de Segurança da ONU aprovou uma resolução que criou a Autoridade Provisória das Nações Unidas no Timor-Leste (UNTAET), que dispôs de poderes legislativos e executivos (incluindo a Justiça e a Administração do Território) e foi chefiada pelo brasileiro. Assim, Sérgio governou a futura nação asiática de novembro de 1999 até abril de 2002, data em que Xanana Gusmão foi eleito Presidente. Em seguida, o Estado do Timor-Leste foi oficialmente criado, em 20 de maio de 2002, tornando-se o 192º país das Nações Unidas.

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Novo Gabinete na primeira sessão parlamentar em Díli, Timor-Leste, 2001 (Foto: Fundação Sérgio Vieira de Mello)

Em setembro de 2002, desejando voltar para a Suíça e para perto de sua família, Sérgio foi nomeado Alto Comissário de Direitos Humanos com sede em Genebra. Permaneceu nesse posto até maio de 2003, quando Kofi Annan indicou-lhe como seu Representante Especial em Bagdá pelo período de quatro meses. Chegando ao Iraque em 2 de junho de 2003, notificou ao Conselho de Segurança sobre a situação no país e as condições extremamente difíceis nas quais as Nações Unidas teriam que trabalhar, uma vez que as forças da coalizão tinham entrado no território iraquiano em março de 2003.

Cinco meses depois, em 19 de agosto de 2003, ocorreu o trágico atentado com caminhão bomba à representação da ONU em Bagdá, que resultou na morte de 22 pessoas e deixou cerca de 160 feridos. Sérgio Vieira de Mello foi uma das vítimas que não sobreviveram, e a notícia de seu falecimento deixou o mundo atônito. O ataque foi atribuído ao grupo extremista Al Qaeda e foi considerado o mais sangrento sofrido pela Organização das Nações Unidas.

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Sérgio e os líderes religiosos iraquianos, 2003 (Foto: Fundação Sérgio Vieira de Mello)

Sérgio foi sepultado no Cimetière des Rois (Cemitério dos Reis), na Suíça, em 28 de agosto de 2003, após um funeral realizado no Rio de Janeiro, sua cidade natal, e em Genebra, o local que se tornou sua segunda casa e cujos cidadãos se tinham aglomerado nas ruas para prestar-lhe uma última homenagem. O grande brasileiro partiu deixando para o mundo inteiro uma imagem de admiração e inspiração da busca pela paz universal e da defesa dos direitos humanos.

Sua carreira e vida visionária foi brilhantemente tratada no livro “Chasing the Flame: Sergio Vieira de Mello and the Fight to Save the World” de Samantha Power, traduzido para o português com o título “O Homem que Queria Salvar o Mundo”. Outra obra de grande importância para a assimilação do pensamento de Vieira de Mello no Brasil é o que foi organizado pelo professor Jacques Marcovitch: “Sérgio Vieira de Mello – pensamento e memória”. Nesse último, o autor Celso Lafer estabelece relação entre a qualidade de trabalho de Sérgio e sua formação kantiana: segundo ele, foi este lastro filosófico que “animou sua atuação” na ONU onde soube bem combinar idealismo e pragmatismo, reflexão e ação.

sergio-6Inúmeras homenagens foram (e ainda são) realizadas em memória e reconhecimento ao seu brilhante trabalho. Dentre elas, podemos destacar a Fundação Sérgio Vieira de Mello, entidade internacional de direito criada por um grupo de colegas, amigos e familiares com o objetivo de promover o diálogo para a resolução pacífica do conflito; a Cátedra Sérgio Vieira de Mello (CSVM), implementada pelo ACNUR em toda a América Latina para promover o ensino e a difusão do Direito Internacional dos Refugiados em centro universitários da região; o Prêmio de Direitos Humanos “Sérgio Vieira de Mello”, destinado a reconhecer e a destacar a atividade de cidadãos timorenses e estrangeiros, de organizações governamentais e não governamentais, na promoção, defesa e divulgação dos Direitos Humanos no Timor-Leste, e os documentários “En Route to Baghdad”, dirigido pela jornalista brasileira Simone Duarte, e “Sérgio”, produzido pelo diretor estadunidense Greg Barker.

Em 2008, a Assembleia Geral das Nações Unidas designou o 19 de agosto, dia do ataque à sede da ONU em Bagdá, como Dia Mundial Humanitário, em memória de todos os trabalhadores que perderam suas vidas na promoção da causa humanitária.

“Recordar a morte de Sérgio Vieira de Mello, cultivar sua memória e preservar o seu legado reverencia a todos aqueles que dedicam sua vida lutando pela construção da paz.” (Jacques Marcovitch)

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Fontes:

www.sergiovdmfoundation.org/about-sergio/biography

www.ohchr.org/EN/ABOUTUS/Pages/Vieira.aspx

www.usp.br/svm

Baronesa do Mês: Michelle Gyles-McDonnough

Baronesas e Barões,

Na data de ontem, 25 de julho, foi celebrado o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-americana e Caribenha. Esse marco foi estabelecido durante o I Encontro de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Afro-caribenhas, realizado em Santo Domingo (República Dominicana), em 1992, e reconhecido pela Organização das Nações Unidas (ONU) ainda nesse ano. Na ocasião, também foi instituída a Rede de Mulheres Afro-latino-americanas e Afro-caribenhas. Tais acontecimentos surgiram da necessidade verificada pelas mulheres negras das Américas do Sul e Central de se organizarem à parte e provocarem reflexões críticas no âmbito dos movimentos negro e feminista, visto que ambos se reconheciam como compostos por identidades homogêneas até meados dos anos 1970 e, por isso, não contemplavam suas demandas específicas.

A celebração do Dia da Mulher Afro-Latino-Americana e Afro-Caribenha é extremamente relevante por valorizar suas contribuições políticas, intelectuais, econômicas e socioculturais no processo histórico de seus países e do continente. Também foi graças à articulação das mulheres afro-latinas e caribenhas que os governos da região passaram a constituir acordos e políticas internas e internacionais que vêm permitindo avanços na participação das mulheres negras em espaços como a universidade pública, o mercado formal de trabalho, os veículos mídia e a política partidária.

No Brasil, o dia 25 de julho é duplamente importante: além da data internacional, também é celebrado por aqui o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra. Essa data foi instituída por meio da Lei nº 12.987/2014, sancionada pela Presidenta Dilma Rousseff, e contribuiu para dar maior visibilidade a esse movimento de mulheres. Tereza de Benguela foi uma líder quilombola e viveu durante o século XVIII no Mato Grosso. Com a morte de seu companheiro, ela se tornou a rainha do quilombo Quariterê, e, sob sua liderança, a comunidade negra e indígena resistiu à escravidão por duas décadas, sobrevivendo até 1770, quando o quilombo foi destruído e a população – cerca de 79 negros e 30 indígenas –, morta ou aprisionada.

Como forma de celebrar e reforçar a profunda importância nacional e internacional desta data, nossa homenagem do mês de julho vai para uma baronesa das Relações Internacionais que representa muito bem as mulheres negras da América Latina e do Caribe em nível mundial. Conheçam mais sobre a trajetória de Michelle Gyles-McDonnough, a jamaicana que está fazendo história na ONU!

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Michelle Gyles-McDonnough nasceu e cresceu na cidade de Kingston, capital da Jamaica. Durante sua juventude, havia a visão de que a advocacia era uma profissão de sucesso entre os jamaicanos, tanto na região do Caribe como na esfera internacional, e, em certa medida, essa ideia influenciou sua formação acadêmica e sua carreira. Formou-se Bacharel em Economia, com ênfase em Francês, pela Bryn Mawr College (EUA), em 1989, e concluiu o Doutorado em Direito, com honras em Direito Internacional e Estrangeiro, na Columbia Law School em 1992. Em seguida, ela começou a trabalhar como assistente jurídica no Harare Legal Projects Center, no Zimbábue.

No período de 1996 a 1999, Michelle trabalhou como Conselheira do secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA) em Washington DC. Ela foi consultora jurídica e representante suplente da Embaixada da Jamaica e Missão Permanente da Jamaica junto à OEA e atuou como advogada especializada em comércio internacional no escritório de advocacia Winthrop Stimson Putnam & Roberts em Nova York. Posteriormente, exerceu o cargo de chefe da Unidade de Recursos Sub-regionais do Caribe do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD-SURF), em Trinidad e Tobago, até 2004. Nesse mesmo ano, a jamaicana obteve a titulação de Mestre em Administração Pública pela Harvard University (EUA) e foi assistente de ensino nessa instituição, auxiliando no desenvolvimento de cursos de mestrado em governança global e gerenciamento de desenvolvimento em um mundo em transformação.

De volta ao âmbito do PNUD, Gyles-McDonnough atuou como coordenadora do Programa de Recuperação de Granada (2004-2005) – após os furacões que devastaram o país caribenho em 2004 –, conselheira regional na Jamaica por seis meses, em 2005, e assessora de programas do Grupo de Apoio de Operações no Escritório Executivo (2006-2008).

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Michelle no Fórum de Direitos Humanos realizado na Malásia em 2014

Logo depois, Michelle assumiu o posto de Coordenadora Residente da ONU e Representante Residente do PNUD para Barbados e Organização dos Estados do Caribe Oriental (OECS), funções exercidas até 2013. Durante seu mandato, ela aumentou significativamente a visibilidade dos desafios de desenvolvimento enfrentados pelos pequenos Estados insulares em desenvolvimento e mobilizou outros parceiros de desenvolvimento a trabalhar com a ONU para apoiar os estados membros de Barbados e da OECS, abordando diversos problemas. Esses incluíram impactos das mudanças climáticas; transição para um futuro com energias sustentáveis; fortalecimento das capacidades para avaliar e gerenciar riscos e impactos de desastres e melhoria da segurança dos cidadãos, bem-estar e oportunidades de vida.

Em julho de 2013, a advogada caribenha passou a ocupar três novas relevantes posições nas Nações Unidas: Coordenadora Residente para a Malásia, Representante Residente do PNUD para a Malásia, Cingapura e Brunei Darussalam e Representante do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) para a Malásia. Atualmente, ela também atua como vice-diretora adjunta e diretora regional adjunta para a Ásia e o Pacífico.

Na abertura do evento Lean In Summit Malaysia 2015, Michelle compartilhou suas ideias sobre o fosso de desigualdade de gênero e o trabalho que as Nações Unidas estão fazendo para promover os direitos das mulheres. Confiram o vídeo a seguir:

 

Para completar essa admirável trajetória internacional, em outubro de 2016, Michelle Gyles-McDonnough foi nomeada pelo atual Secretário-Geral da ONU, António Guterres, para a função de conselheira principal na equipe de transição que lhe prestou auxílio para assumir a liderança da organização neste ano. A partir disso, ela se tornou a jamaicana com o cargo mais elevado no sistema das Nações Unidas. Que essa seja a primeira de muitas conquistas pioneiras dessa baronesa brilhante e que sua história possa inspirar outras mulheres e meninas caribenhas e latino-americanas a trilharem seus caminhos de sucesso em seus países e também fora deles! 😀

 

Fontes:
www.cultura.gov.br/o-dia-a-dia-da-cultura/-/asset_publisher/waaE236Oves2/content/dia-internacional-da-mulher-negra-latino-americana-e-caribenha/10883
www.uefs.br/modules/noticias/article.php?storyid=1160
www.jamaicaobserver.com/news/Michelle-Gyles-McDonnough-becomes-highest-serving-Jamaican-in-UN-system

O Mundo em 3 Minutos #5: A situação da Venezuela hoje

Minhas caras e meus caros,

Como bem sabemos, o cenário político, econômico e social da nossa vizinha Venezuela passa por um momento bastante complicado. A grande crise que envolve esses três setores perdura há alguns anos e pode-se dizer que foi iniciada entre 2012 e 2013, após a morte do então presidente e líder da Revolução Bolivariana Hugo Chávez, quando Nicolás Maduro assumiu a presidência. Nesse mesmo período, a economia do país entrava numa situação difícil, com um significativo aumento da inflação e escassez de produtos básicos no mercado interno. Como resultado, no começo de 2014, houve uma forte reação da população – tanto de opositores como de apoiadores do governo – por meio de protestos nas ruas, iniciando uma convulsão social no país. Na ocasião, os manifestantes contrários à gestão de Maduro alegavam impotência do governo para resolver a crise econômica e o aumento da criminalidade.

Desde então, houve um acirramento da crise no âmbito político e as manifestações voltaram a se intensificar agora, em 2017, com fortes enfrentamentos entre as forças de segurança, os opositores e os simpatizantes do governo, e registros de cidadãos mortos nos confrontos mais recentes. Tal conjuntura chamou a atenção da comunidade internacional e alguns organismos se posicionaram diante da situação. O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, e o Escritório de Direitos Humanos da organização emitiram comunicados, expressando preocupação com os acontecimentos e solicitando que as partes envolvidas busquem meios para reduzir os conflitos. Países latino-americanos, como Argentina, Brasil, Chile, México, Paraguai, Uruguai, entre outros, também se pronunciaram, condenando a violência desencadeada nos protestos.

Outro posicionamento significativo foi da Organização dos Estados Americanos (OEA), que aprovou, no último dia 26, a realização de uma reunião de chanceleres para decidir se a Venezuela seria suspensa do bloco – por considerar que o governo de Maduro violou a Carta Democrática Interamericana. No entanto, Caracas se antecipou e anunciou sua saída do órgão logo em seguida, justificando que a decisão foi tomada para garantir a soberania do país e evitar intervenção estrangeira em seus assuntos internos.

Neste novo episódio de O Mundo em 3 Minutos, convidamos o mestre de Política Internacional Paulo Velasco para explicar melhor as causas e as consequências de todo esse contexto complexo no qual a Venezuela está inserida. Confiram a fala do professor no vídeo abaixo!

 

Participação especial neste post:

Baronesa do Mês: Maria Luiza Viotti

Olá, pupilas e pupilos!

Nosso blog acabou de estrear e já tenho muitas novidades para vocês! Sabemos que muitos foram os nomes que marcaram a trajetória do nosso país e realizaram grandes feitos no âmbito das Relações Internacionais. Seja firmando tratados territoriais, acordos de comércio ou parcerias estratégicas, alguns agentes dessa área se destacaram ao desempenhar suas funções com grande êxito em situações decisivas, obtendo expressivos ganhos materiais e simbólicos para a nação.

Tendo em vista a importância histórica desses atores, apresentamos a nossa primeira coluna mensal: o Barão do Mês. Este será um espaço dedicado à apresentação dos nomes que tiveram papel fundamental na construção das relações do Brasil com os demais países e da imagem que temos hoje perante todo o sistema internacional. Sendo assim, a cada mês, você conhecerá um pouco mais sobre a vida e a carreira de um importante personagem da história das nossas relações exteriores.

Para começar em grande estilo e iniciar as celebrações do Dia Internacional da Mulher, inauguramos a coluna com uma grande baronesa: Maria Luiza Ribeiro Viotti, a atual chefe de gabinete do secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU).

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Diplomata de carreira, Maria Luiza Viotti entrou para o Serviço Exterior Brasileiro em 1976, depois de ingressar no Instituto Rio Branco – academia diplomática brasileira –, atuando na área de promoção comercial da instituição, onde contribuiu para a expansão das relações comerciais brasileiras com a China e países Africanos. Posteriormente, ela realizou os cursos de graduação em Economia, em 1979, e de pós-graduação nessa mesma área em 1981, ambos pela Universidade de Brasília.

Viotti iniciou sua atuação no exterior por meio da Missão do Brasil junto às Nações Unidas no período de 1985 a 1988. Ao retornar ao Brasil, ela trabalhou no âmbito de assuntos multilaterais e atuou como coordenadora executiva do gabinete do ministro das Relações Exteriores. Em 1993, a diplomata foi nomeada para a Embaixada do Brasil em La Paz, Bolívia, onde dirigiu o setor econômico até 1995. No ano seguinte, tornou-se Chefe da Divisão América do Sul I no Ministério das Relações Exteriores do Brasil (MRE), ficando encarregada das relações com a Argentina, Uruguai, Paraguai e Chile, e, em 1999, foi indicada novamente para atuar na Missão do Brasil junto à ONU até 2004.

Dentre os demais cargos ocupados pela diplomata no MRE, estão o de Diretora-Geral do Departamento de Direitos Humanos e Assuntos Sociais (2004-06) e de Diretora-Geral do Departamento de Organizações Internacionais (2006-07). Em seguida, Viotti tornou-se Representante Permanente do Brasil junto às Nações Unidas de 2007 a 2013, sendo a primeira mulher a chefiar a Missão e levando para Nova York a experiência de trinta anos de Itamaraty. Lá, ela também liderou a delegação do Brasil junto ao Conselho de Segurança em 2010 e 2011 e ocupou a presidência rotativa do Conselho de Segurança em fevereiro de 2011.

Recentemente, Maria Luiza atuou como embaixadora na Alemanha, no período de 2013 a 2016. Seu último cargo antes de se tornar chefe de gabinete na ONU foi o de subsecretária para Ásia e Pacífico do Ministério de Relações Exteriores do Brasil, onde teve especial responsabilidade pelo trabalho com os BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).

O atual secretário-geral da ONU, António Guterres, anunciou no final do ano passado que Maria Luiza Viotti comporia o alto escalão de seu gabinete, a partir de 1º de janeiro de 2017, já começando a cumprir a promessa de campanha de promover a paridade entre homens e mulheres na organização. Além da embaixadora brasileira, Guterres também indicou mais duas mulheres para assumir posições de comando em sua equipe: a ministra do Meio Ambiente da Nigéria, Amina J. Mohammed, que será a nova vice-secretária-geral; e a sul-coreana Kyung-wha Kang, que será assessora especial para assuntos políticos. A escolha foi feita pela sólida experiência que as três possuem em assuntos globais, desenvolvimento, diplomacia, direitos humanos e ação humanitária.

Quando questionada sobre o crescimento da representação feminina em postos de destaque, Maria Luiza Viotti pontua: “Estamos, sem dúvida, avançando, mas ainda num nível bastante aquém do que seria desejável. […] O secretário-geral tem insistido muito que é necessário fazer mais para que se possa alcançar a paridade de gênero no secretariado, sobretudo nos mais altos níveis.”

Que essa baronesa tenha muito sucesso em sua nova importante jornada e inspire futuras diplomatas e demais profissionais a trilharem a carreira dos seus sonhos!
Fontes:
Nações Unidas (un.org/sg/en)
Agência Brasil (agenciabrasil.ebc.com.br)