Sabatina do Barão | História Mundial – Gabarito comentado #1

Estimadas e estimados aspirantes a diplomata,

Chegou a vez da nossa sabatina de História Mundial!

Quais são os itens certos e/ou errados na questão abaixo sobre o período da Guerra Fria?

QUESTÃO:

Sobre a Guerra Fria, julgue as sentenças em C (certa) ou E (errada):

I. Na Guerra Fria Clássica, a definição da bipolaridade ocorreu com a criação de instituições como a OTAN e o Pacto de Varsóvia, o Plano Marshall e a Comecon, e a Aliança para o Progresso e o Comintern, em fins dos anos 1940 e começo da década de 1950.
II. Sob Stalin, com a doutrina do “socialismo num só país”, o bloco socialista conteve seu ímpeto expansionista, construindo as bases da chamada “coexistência pacífica”.
III. Kissinger foi o principal responsável pela “vietnamização” da guerra no sudeste asiático, promovendo a retirada das tropas dos EUA, o que abriu caminho para a unificação do país sob o socialismo na década de 1970.
IV. Na Nova Guerra Fria, Reagan soube muito bem tirar propósito da fragilidade soviética, visto que o regime comunista se mostrou incapaz de promover quaisquer reformas na política e na economia.

 

Comentários do professor

No vídeo abaixo, vocês podem conferir as respostas e os comentários do caríssimo mestre Marcus Dezemone sobre cada item da questão. Confiram e aproveitem todas as explanações!

 

GABARITO: EECE

 

Continuem treinando com orientações do professor, no modelo da prova objetiva de História Mundial no CACD! 

 

Colaboração especial neste post:

Marcus Dezemone – Doutor em História pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Atualmente, é professor adjunto de História do Brasil República da UFF, professor adjunto de História do Brasil da UERJ, e professor de História nos cursos da área de Diplomacia e Carreiras Internacionais do Clio – Damásio.

O Mundo em 3 Minutos: Coreias em diálogo: fato histórico para o mundo

Meus caros e minhas caras,

No último dia 27 de abril, vimos a História acontecer diante de nossos olhos, com a reaproximação de Coreia do Norte e Coreia do Sul.  Os governantes dos dois países, que protagonizaram um dos principais conflitos da era da Guerra Fria e ainda não assinaram o armistício pondo fim à Guerra da Coreia (1950-1953), trocaram apertos de mão e comprometeram-se a assinar um acordo de paz até 2019.

Após o conflito, o diálogo entre Pyongyang e Seoul foi dificultado por questões principalmente ideológicas: os norte-coreanos alinharam-se ao bloco socialista, tendo a China como principal aliado; e os sul-coreanos preferiram unir-se ao bloco capitalista, liderado pelos Estados Unidos. Desde então, a escalada de tensões entre os países tornou-se constante, com períodos de distensão entre as crises, impulsionadas, mormente, pela questão nuclear: enquanto a Coreia do Sul conta com arsenais nucleares norte-americanos em seu território, a Coreia do Norte busca o desenvolvimento autônomo desses armamentos.

Encontro dos presidentes Kim Jong-un (esquerda) e Moon Jae-in na linha de demarcação que divide os dois países, em abril/2018. Foto: Korean Broadcasting System / AFP
Encontro dos presidentes Kim Jong-un (esquerda) e Moon Jae-in na linha de demarcação que divide os dois países, em abril/2018. Foto: Korean Broadcasting System / AFP.

Para aplacar as questões relativas à proliferação de armas nucleares norte-coreanas, e garantir um ambiente de estabilidade na Península Coreana, foram estabelecidas as Six-Party Talks. As reuniões, compostas por Estados Unidos, Rússia, China, Japão e as duas Coreias, foram realizadas a partir de 2003, e nelas foram firmados compromissos relevantes para a desnuclearização de Pyongyang. No entanto, com a suspensão das conversas em 2009, as evidências de enriquecimento de urânio e os testes nucleares levados a cabo pelo governo de Kim Jong-Un, a esperança de paz na região parecia cada vez mais distante.

A mudança diplomática da Coreia do Norte, que parecia não caminhar em direção a um acordo com o país vizinho, suscita sentimentos variados entre os analistas internacionais. Há os que creem em um redirecionamento político, racional, baseado na ideia de que Pyongyang teme um enfrentamento militar com Washington; e os que defendem que essa é apenas uma manobra de Jong-Um para ganhar tempo e aprimorar os armamentos de seu país, visando a uma guerra eminente.

O que ocorrerá no futuro, meus pupilos, só o tempo dirá. Mas sobre a História e sobre como se iniciaram os desentendimentos diplomáticos entre as duas Coreias, nosso mestre Daniel Araújo está aqui para nos esclarecer. Aproveitem o conteúdo oferecido por nosso estimado professor!

 

Participação especial neste post:

O Internacional em Debate #7: Revolução Russa: centenário e legado

Estimados e estimadas,

Considerada um dos mais importantes acontecimentos do século XX, a Revolução Russa completou cem anos no mês passado. O cerne dessa importância consiste não apenas no fato de o evento ter modificado completamente as estruturas de um país de proporções continentais, mas também na enorme influência que teve sobre a conformação do sistema internacional nas décadas posteriores. Tendo sua deflagração surpreendido até mesmo teóricos renomados como Karl Marx, o processo revolucionário possuiu duas fases cruciais: a Revolução de Fevereiro (março do calendário ocidental) e a Revolução de Outubro (novembro do calendário ocidental).

As consequências desastrosas da participação da Rússia na Primeira Guerra Mundial foram a principal causa da Revolução. Diante das perdas agudas do exército, dificuldades de abastecimento, elevação do custo de vida e administração pública ineficiente, as revoltas e os protestos populares, com a exigência da saída do país do conflito, se tornaram inevitáveis. Em fevereiro de 1917, as manifestações se intensificaram, tomando todas as grandes cidades do Império Russo, e o czar Nicolau ll, impedido de entrar na então capital Petrogrado (atual São Petersburgo), abdicou do trono, pondo fim aos trezentos anos de autocracia monárquica dos Romanov. Em seguida, a Duma (parlamento russo) instalou o Governo Provisório, constituído de aristocratas e burgueses, e proclamou uma República liberal, que perdurou somente por alguns meses.

A despeito dos anseios de paz da população, a liderança do Governo Provisório não retirou a Rússia da contenda mundial e isso fez com que sua aceitação e popularidade se deteriorasse rapidamente. Aproveitando o enfraquecimento político de seus opositores, os bolcheviques tomaram o palácio do governo em 25 de outubro de 1917, dissolvendo a Duma e estabelecendo um Conselho de Comissários do Povo, chefiado por Vladimir Ilyich Ulyanov, mais conhecido por Lênin. Após a tentativa fracassada de formar uma Assembleia Constituinte, os bolcheviques eliminaram todos os seus opositores e fundaram o Partido Comunista Russo – o único permitido por lei –, consolidando-se no poder e originando o primeiro Estado socialista da História.

No contexto do centenário desse notável marco histórico, convidamos os magníficos mestres da História Mundial Daniel Araújo e João Daniel Almeida para debater e explicar, em detalhes, como se deu todo esse processo revolucionário, bem como apresentar o seu significativo legado para a Rússia e o restante do mundo. Assistam ao vídeo a seguir e aproveitem cada minuto dessa discussão para lá de enriquecedora, meus caros!

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Participações especiais neste post:

avatar_cafeDaniel Araújo – Mestre em História Política e Bens Culturais pelo Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil da Fundação Getúlio Vargas (CPDOC/FGV) e professor de História do Brasil e de História Mundial na área de Carreiras Internacionais do Damásio Educacional – Clio.

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João Daniel Almeida – Mestre em Relações Internacionais pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC – RJ) e professor de História do Brasil e de História Mundial na área de Carreiras Internacionais do Damásio Educacional – Clio.

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De Olho na Banca: CACD – História

Meus queridos e minhas queridas,

Agora que temos a confirmação do Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD) neste ano, vamos continuar a análise de sua banca organizadora – a Cespe/UnB (Cebraspe) – com força total! Já pudemos entender melhor o funcionamento das provas de Política Internacional, Geografia, Economia e Direito Internacional no certame. No vídeo de hoje, vocês vão aprender mais sobre os exames de História do Brasil (HB) e de História Mundial (HM), que, por sinal, se diferenciam bastante das provas de outros concursos que também possuem essas disciplinas em seus editais, como as seleções para Oficial de Chancelaria e para Oficial de Inteligência da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) por exemplo.

A prova de História como um todo (HB e HM) no CACD é considerada a mais difícil de todos os concursos públicos. Isso se justifica, em grande parte, pela forma como o conteúdo da matéria é requerido, com demandas específicas que não são vistas em outros processos seletivos. Entretanto, isso não deve ser motivo de desânimo, meus caros! Como eu já disse algumas vezes, o segredo para um bom resultado está em conhecer a fundo as particularidades da banca e é exatamente isso que fazemos aqui! 😀

O peso da disciplina no concurso é alto, pois ela é cobrada em duas fases e o número de questões em cada etapa é relativamente grande. Na Primeira Fase, a prova consiste em dezessete questões objetivas – geralmente, no modelo “certo ou errado” –, sendo onze questões de História Mundial e seis de História do Brasil. A etapa discursiva, por sua vez, requer conhecimentos mais aprofundados de História do Brasil apenas, por meio de uma prova com quatro questões – duas com limite de noventa linhas e outras duas com extensão máxima de sessenta linhas para resposta.

Bom, agora é hora de ouvir o que o especialista da vez tem a dizer sobre as especificidades dessas provas trabalhosas e a melhor forma de lidar com elas. Para isso, contamos com o vastíssimo conhecimento e experiência do mestre João Daniel no CACD para apresentar as principais características da banca de História do Brasil e de História Mundial e lhes passar umas dicas de ouro* para um ótimo desempenho no certame.

* A inscrição no curso gratuito Primeira Fase Comentada CACD 2010 a 2016, mencionado pelo professor no vídeo, pode ser feita aqui. Depois, basta acessar a Área do Aluno para iniciar seu treinamento das questões! 😉

Confiram as orientações do mestre:

 

Participação especial neste post:

9 verdades e 1 mentira do Barão: História Mundial

Estimados (as) aspirantes a carreira internacional,

 

Precisamos conhecer bem o nosso passado para estarmos preparados para as situações do presente e do futuro, não é mesmo? Isso vale tanto para os acontecimentos no país quanto para o âmbito internacional. Sendo assim, o desafio de hoje será sobre a disciplina que possui exatamente esse objetivo!

Nosso grande mestre de História Mundial, Daniel Araújo, caprichou na tarefa e produziu uma relação fantástica, com alguns fatos que não são tão conhecidos da maioria. Mas o que será que não faz sentido nessa lista, meus caros?

Vejam abaixo e deem seus palpites!

 

9 verdades e 1 mentira de História Mundial:

  1. Franklin D. Roosevelt, trigésimo segundo presidente da História estadunidense, foi candidato derrotado nas eleições de 1920 e, pouco tempo depois, foi diagnosticado com poliomielite, o que não impediu sua eleição para governador de Nova York em 1928 e, posteriormente, para a Casa Branca, marcando seu nome como um dos principais políticos da História do século XX.
  1. Eva Perón, antes de se tornar primeira dama da Argentina, foi atriz. Evita começou sua carreira no cinema com o filme Segundos Afuera, lançado no país em 1937. Aproveitando a força do rádio naqueles tempos, decidiu dedicar-se as populares radionovelas e, em pouco tempo, tornou-se uma das mais bem pagas atrizes da Argentina. Em 1943, antes mesmo de conhecer Juan Domingo Perón, iniciou a sua carreira na política ao liderar o Sindicato Argentino de Rádio.
  1. Intitulando-se a quarta lâmina do comunismo mundial, o professor universitário Abmael Guzmán liderou o grupo marxista-leninista peruano Sendero Luminoso, que é considerado, por muitos, o mais letal movimento guerrilheiro comunista de toda a América Latina. Atualmente, encontra-se encarcerado na prisão de segurança máxima da Base Naval da Marinha de Guerra do Peru, construída especialmente para abrigar Abimael.
  1. Integrante mais destacado da Frente Sandinista de Libertação Nacional, Daniel Ortega foi eleito para seu terceiro mandato consecutivo no Executivo nacional nicaraguense. Afastado do discurso radical dos tempos em que ajudou na queda da Família Somoza, Ortega hoje tem excelentes relações econômicas com os Estados Unidos e é apoiado por importantes setores da Igreja Católica.
  1. Advogado de formação, o revolucionário russo Vladimir Ilyich Ulyanov, de família conservadora liberal, entrou em contato com a repressão política ainda na adolescência, quando seu irmão Alexander se envolveu em uma tentativa fracassada de assassinato do Alexandre III. A execução de seu irmão pelo czarismo teve grande impacto na formação do futuro líder da URSS.
  1. Em seus tempos de jornalista, Benito Mussolini esteve envolvido na edição de dois jornais socialistas: o L’Avvenire del Lavoratore e o Lotta di classe. Filho de um fervoroso ferreiro socialista, Mussolini rompe com as esquerdas por ocasião da Primeira Guerra Mundial, uma vez que defendia uma neutralidade ativa por parte da Itália, contra a orientação da II Internacional de absoluta neutralidade diante do conflito de 1914.
  1. Fonte de inspiração do deputado Paulinho da Força, o Solidarność é uma federação sindical polaca fundada em 1980, tornando-se protagonista das ações que levaram ao desgaste e a posterior queda do regime comunista local. Seu polêmico líder, Lech Wałęsa, venceu as primeiras eleições presidenciais livres após a queda da República Popular da Polônia, não conseguindo a reeleição. Desde então seu nome está envolvido em diversos escândalos, que vão desde corrupção até o envolvimento com a espionagem do regime comunista nos anos 1970.
  1. Ronald Reagan, quadragésimo presidente da história estadunidense, foi ator antes de entrar na política, o que rendeu uma piada no filme “De Volta para o Futuro”. No primeiro longa da franquia, lançado em 1985, a versão jovem do Doutor Brown não consegue acreditar que Reagan um dia poderia ser comandante do país, resistindo a ideia de que George McFly teria vindo do futuro para a cidade de Hill Valley dos anos 1960. De forma surpreendente, o presidente que liderava uma cruzada mundial contra o comunismo soviético naqueles tempos, se divertiu com a cena. Aproveitando-se da publicidade positiva, Reagan cita o filme em seu discurso para o Congresso de 1986.
  1. As mais de quarenta organizações anticastristas sediadas em Miami intensificaram suas ações contra a Ilha caribenha nos anos 1990, incentivando, por meio de folhetos, a queima de colheitas inteiras de cana-de-açúcar por exemplo. É nesse contexto que Fidel Castro lança Rede Vespa, uma operação que infiltrou um grupo de doze homens e duas mulheres espiões em grupos como o Hermanos Al Rescate e a Alpha 66. Descoberta pelo FBI em 1998, a operação foi dissolvida. Em 2014, três dos cinco detidos pelo governo estadunidense foram libertados em um contexto de retomada das relações diplomáticas entre Havana e Washington.
  1. Em seu décimo terceiro álbum de estúdio (Dance of Death), a banda britânica Iron Maiden lança uma música sobre a batalha de Paschendale, também conhecida como “A Terceira Batalha de Ypres”, uma das maiores da Primeira Guerra Mundial. O conflito se deu pelo controle da vila de Paschendale, perto da cidade de Ypres, na Bélgica. Após a vitória em novembro de 1917, ingleses, canadenses e australianos conseguiram romper a linha de defesa alemã, abrindo caminho à costa belga, onde estavam instaladas bases de submarinos alemães.

 

Em breve, colocarei o gabarito aqui!

 

[Atualização em 05 de maio: a mentira é o número 3.]

 

 

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A batalha decisiva para a ordenação do mundo que conhecemos hoje

Caríssimas e caríssimos aspirantes a carreira internacional,

Hoje vamos viajar no tempo e relembrar um acontecimento de grande relevância para a História Mundial e as Relações Internacionais. Há setenta e quatro anos, o dia 2 de fevereiro registrou o fim da Batalha de Stalingrado (com início em 17 de julho de 1942), travada entre as forças armadas do Eixo, lideradas pela Alemanha, e da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) durante a Segunda Guerra Mundial e que definiu o desfecho desse conflito. Ocorrida na cidade soviética de Stalingrado (atual Volgogrado, na Rússia), a batalha é considerada a mais violenta e sangrenta da História, com estimativas de 2 milhões de militares e civis mortos de ambos os lados.

O confronto é decorrente da Operação Barbarossa, um plano da Alemanha Nazista de invadir e conquistar a União Soviética em meados de 1941. As forças do Eixo tinham o objetivo de chegar até Moscou e conseguiram obter sucesso em terras soviéticas até o final deste ano. Todavia, as tropas começaram a dar sinais de fraqueza, sofrendo com perdas expressivas, com a chegada do inverno rigoroso da região. Isso fez com que os alemães recuassem para poupar recursos e redefinissem o plano de conquista em direção a Stalingrado. A importância da tomada da cidade se devia, entre outros motivos, pelo fato da localidade ser um grande polo industrial e dar acesso ao rio Volga, uma rota de navegação entre o Mar Cáspio e o norte da URSS. Com efeito, as forças alemãs conseguiriam conquistar a capital soviética se a invasão de Stalingrado fosse bem-sucedida.

Na etapa inicial da batalha, as forças do Eixo conseguiram alcançar resultados positivos com os ataques aéreos da Luftwaffe, a força aérea alemã, para então começar a avançar pela via terrestre. Um enorme esforço militar foi empregado por Hitler para a conquista da cidade e as tropas eram forçadas a agir no formato de guerra-relâmpago, tática de guerra alemã conhecida como “blitzkrieg”, para uma célere tomada do território. Além disso, o ditador alemão proferia ordens aos soldados de não recuarem ou se renderem, independente das condições em que estivessem submetidos. Tais medidas contribuíram para que exército nazista tivesse um avanço significativo na tomada da região, chegando a dominar nove décimos da cidade. Por outro lado, as ações foram prejudiciais para o desempenho alemão à medida que desgastava expressivamente os combatentes e os suprimentos disponíveis.

O esgotamento das tropas do Eixo foi acentuado pela brava resistência da população de Stalingrado. Foi registrada uma participação inédita de civis, sem qualquer experiência em conflitos armados e que nunca haviam manuseado qualquer equipamento militar, na defesa do território. Mulheres chegaram a operar baterias antiaéreas, soldados soviéticos munidos de granadas ativadas se lançavam sob tanques alemães, combates de residência em residência eram constantes. Essa foi uma grande surpresa, em termos de combate, para as forças alemãs, que ficaram ainda mais enfraquecidas com o início do contra-ataque soviético no final de 1942. Mesmo em situação de desvantagem, os soldados alemães continuaram enfrentando os soviéticos até fevereiro de 1943, quando as tropas já não conseguiam mais resistir à fome, ao frio intenso do inverno e à falta de equipamentos. Nesse momento, o então general Friedrich Paulus foi o primeiro comandante do exército alemão a se render em uma batalha, pondo fim ao conflito e garantindo a vitória da URSS.

O triunfo da União Soviética nesse confronto foi decisivo para o desfecho da Segunda Guerra Mundial, pois foi a partir disso que as forças do Eixo começaram a recuar para Berlim, onde ocorreu a derrota derradeira da Alemanha em 1945. É desse fato que decorre a grande importância da Batalha de Stalingrado para a História Mundial e o desenvolvimento das relações internacionais no pós-guerra. O grande mestre Daniel Araújo, professor de História especializado em concursos de Carreiras Internacionais, ressalta ainda que o evento possui um aspecto singular no que diz respeito ao movimento nazifascista. “A partir da vitória soviética em Stalingrado, foi iniciada a ‘desnazificação’ da Europa Oriental. Foi a mais significativa derrota nazista até então, que mudaria não apenas os rumos da guerra iniciada em 1939, mas também da geopolítica mundial na segunda metade do século XX”, pontua o docente.

Diante da grande relevância histórica, o conflito germano-soviético costuma ser um tema abordado direta ou indiretamente nos processos seletivos que abarcam a disciplina de História Mundial em seus editais. Sobre esse ponto, o professor Daniel destaca que “um dos eventos mais cobrados em qualquer concurso é a Guerra Fria, sendo o domínio soviético sobre o Leste Europeu a partir de 1942 algo fundamental no processo de construção de um mundo bipolar. Dessa forma, a Batalha de Stalingrado ganha importância maior por ser a origem desse processo”.

Portanto, meus caros pupilos, procurem ficar atentos a esse tema durante seus estudos e não deixem de inclui-lo nas revisões dos conteúdos de História Mundial!

 

Participação especial neste artigo: