O Mundo em 3 Minutos #17: A reaproximação das Coreias

Caros pupilos e pupilas,

Na última semana, Coreia do Norte e Coreia do Sul realizaram a primeira reunião formal entre representantes dos governos, após mais de dois anos de ausência total de comunicação entre as duas nações. O encontro foi fruto da uma série de iniciativas de aproximação de ambos os países, ocorridas a partir do surpreendente discurso de Ano Novo do presidente norte-coreano, Kim Jong-un. Na ocasião, o líder apoiou a melhoria das relações com o Estado vizinho e demonstrou grande interesse na participação da Coreia do Norte nos Jogos Olímpicos de Inverno, que ocorrerá em Seul em fevereiro deste ano.

Tal acontecimento foi recebido com grande surpresa no restante do mundo, haja vista que as relações entre os dois países estavam suspensas desde o início de 2016, quando a Coreia do Norte rompeu todos os canais de contato com o Sul.  A atitude foi uma retaliação à decisão do então Executivo sul-coreano de fechar a zona industrial intercoreana de Kaesong – o maior projeto de cooperação econômica entre as regiões, e significativa fonte de recursos para o regime norte-coreano – em protesto contra o quarto teste nuclear do Norte.

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Cumprimento entre representantes da Coreia do Sul e do Norte na reunião de alto nível em 09/01/18

No último dia 3, contudo, o presidente Kim Jong-un decidiu reativar o chamado “telefone vermelho” – linha telefônica militar intercoreana – para iniciar as negociações sobre o envio de uma delegação por Pyongyang às Olimpíadas de Inverno. O Ministério da Unificação sul-coreano informou que o primeiro contato foi realizado para a verificação de diversos aspectos técnicos, e que o canal passará a ser utilizado para negociar com o país vizinho os detalhes de sua proposta de diálogo bilateral.

A reunião de alto nível realizada na cidade de Panmunjom, região fronteiriça da Zona Desmilitarizada (DMZ), em 9 de janeiro, foi o segundo grande passo de reaproximação entre as nações coreanas. Como resultado deste encontro, os países emitiram um comunicado conjunto, no qual mostraram-se dispostos a colaborar para reduzir a tensão militar na península e buscar a reconciliação, bem como liderar as negociações para resolver todos os assuntos relativos às relações entre as Coreias. Por outro lado, os representantes discordaram em questões relacionadas a atividades nucleares na região: enquanto a Sul ressaltou a necessidade de redução de ações dessa natureza, o Norte se manteve firme na defesa de seu programa nuclear.

Muitas questões complexas estão por trás desta aparente simples aproximação diplomática entre as Coreias do Norte e do Sul. O que teria motivado o repentino tom apaziguador do discurso de Kim Jong-un? Quais os possíveis desdobramentos deste acontecimento para o mundo? E como fica a constante tensão entre Coreia do Norte e Estados Unidos nessa circunstância? Para esclarecer esses pontos, o estimado mestre de Política Internacional Tanguy Baghdadi faz uma análise supimpa da atual relação entre as Coreias e as principais implicações dessa conjuntura no cenário internacional!

Assistam a seguir, meus caros:

 

Participação especial neste post:

O Internacional em Debate #6: EUA x Coreia do Norte: uma guerra nuclear é possível?

Minhas caras e meus caros,

A tensão diplomática e militar entre os Estados Unidos da América (EUA) e a Coreia do Norte teve início na década de 1950 e foi motivada, sobretudo, pela intervenção militar estadunidense no confronto entre as regiões norte e sul da península coreana, que ficou conhecido como Guerra da Coreia (1950-1953). Como sabemos, esse conflito resultou na divisão do país em dois – Coreia do Norte e Coreia do Sul – e, desde então, as relações entre os EUA e o Estado norte-coreano se tornaram cada vez mais delicadas.

Para agravar a situação, nos anos 1960, a Coreia do Norte começou a desenvolver seu programa nuclear, contando com o auxílio da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), e construiu o primeiro reator nuclear nacional. A finalidade dessa atividade, em princípio, era gerar energia para o país, que possui importantes reservas de urânio. Entretanto, com a intensificação das tensões da Guerra Fria, que levaram os Estados Unidos a instalarem ogivas nucleares na Coreia do Sul, Pyongyang iniciou pesquisas para a construção de armas nucleares a partir da década de 1980.

Após o término da Guerra Fria, as pressões por fiscalização internacional sobre armas nucleares aumentaram, e pode-se dizer que essa foi uma das principais motivações para a Coreia do Norte decidir abandonar o Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP) em 2003. Temendo uma intervenção externa – já que o país havia sido classificado como um dos integrantes do “Eixo do Mal”, junto ao Irã e ao Iraque, pelo então presidente dos EUA, George W. Bush –, o governo norte-coreano realizou seu primeiro teste com ogivas nucleares em 2006.

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Desde esse experimento inicial, a Coreia do Norte informa ter realizado um total de seis testes nucleares. O último deles foi feito com uma bomba atômica de hidrogênio no início deste mês. As suposições sobre esse artefato ser o mais potente já produzido pelo país, com possibilidade de ser instalado em um míssil intercontinental, causou uma grande agitação no cenário mundial. Dias antes, o governo norte-coreano havia realizado diversos testes com mísseis, com alguns deles sobrevoando o território do Japão. O líder Kim Jong-un informou que essas atividades foram uma resposta aos exercícios militares conjuntos da Coreia do Sul e Estados Unidos na península coreana, e também uma oportunidade de testar a capacidade operacional de guerra do Exército norte-coreano.

Após esses eventos, a disputa entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte vem ganhando novos contornos, com reações e respostas cada vez mais duras de ambos os lados. A retórica agressiva de Kim Jong-un tem sido constantemente rebatida pelo discurso enérgico de Donald Trump, o que tem contribuído, cada vez mais, para a elevação das tensões na península coreana. Nesta sexta edição de O Internacional em Debate, convidamos dois renomados professores e especialistas em Relações Internacionais, Marcelo Valença e Sabrina Medeiros, para discutir essa atmosfera de hostilidades entre os dois países e os riscos de uma possível guerra nuclear nesse contexto.

Assistam à riquíssima discussão dos mestres a seguir! 🙂

 

Conheçam os debatedores:

Marcelo Valença – Professor Adjunto do Departamento de Relações Internacionais, UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro). Linhas de pesquisa: Estudos Críticos de Segurança, Direito Internacional, Humanitarismo e Prevenção de Conflitos, Teorias normativas, Aprendizado ativo em Relações Internacionais.

Sabrina Medeiros – Professora Adjunta da Escola de Guerra Naval (EGN/MB) e Professora-Colaboradora do PPGHC/UFRJ. Tem experiência na área de Ciência Política com ênfase em Relações Internacionais, atuando principalmente nos seguintes temas: cooperação internacional, políticas imigratórias, cooperação para segurança, mecanismos de internacionalização e reputação, simulações e cenários.

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