Sabatina do Barão | Geografia – Gabarito comentado #1

Futuras e futuros diplomatas,

Hoje, a nossa sabatina é na disciplina de Geografia!

Confiram a questão abaixo sobre geografia urbana no Brasil, e respondam qual é a única alternativa correta.

 

QUESTÃO:

A urbanização brasileira seguiu a tendência do processo em países da periferia do capitalismo mundial, o que não elimina a existência de certas especificidades. Com relação a esse processo, assinale a alternativa correta:

(A) O Brasil vivenciou um processo de urbanização a partir de 1930 porque antes dessa data não tivemos nenhum momento em que a população urbana crescesse mais do que a população rural.

(B) O processo de urbanização ainda é muito desigual regionalmente porque o Sudeste e o Sul possuem elevado percentual de pessoas que residem em áreas urbanas enquanto no Nordeste, no Norte e no Centro Oeste a taxa de urbanização é reduzida.

(C) Durante parte expressiva do nosso processo de urbanização as maiores cidades lideraram o crescimento populacional, gerando uma metropolização exagerada e a formação de grandes regiões metropolitanas.

(D) São Paulo é a grande cidade global brasileira, mas vem sofrendo redução da sua importância na rede urbana do país, devido ao processo de descentralização industrial  e  aumento da relevância das cidades médias.

 

Comentários do professor:

No vídeo abaixo, vocês podem conferir as respostas e os comentários do caríssimo mestre João Felipe Ribeiro sobre cada item da questão. Assistam e anotem as explicações!

 

GABARITO: C

 

Continuem treinando com orientações do professor, no modelo da prova objetiva de Geografia no CACD! 

 

Colaboração especial neste post: 

O Internacional em Debate #13: Atlântico Sul: um debate interdisciplinar

Caríssimas e caríssimos,

O Atlântico Sul é entendido como a porção do Oceano Atlântico localizada entre a América do Sul e a África, que pode ser delimitada segundo aspectos geográficos, históricos ou políticos. Trata-se de uma região de vital importância nas relações e comunicações entre os dois continentes. Ademais, é através dela que se estendem as linhas de comunicação mais meridionais do Ocidente, constituindo a via natural das ligações marítimas dos países que banha e dos portos do Atlântico Norte com os oceanos Pacífico e Índico.

Para o Brasil em particular, o Atlântico Sul é uma região de grande relevância, tanto sob uma perspectiva político-econômica como também em questões relacionadas ao meio ambiente e à nossa estratégia de defesa nacional. Aproximadamente 95% do comércio exterior brasileiro é efetuado por rotas marítimas, abrigando o Atlântico parte significativa de nossos recursos naturais energéticos (como petróleo e gás). Por sua vez, a Amazônia Azul – termo cunhado por Comandante da Marinha Brasileira em 2004 – abrange o equivalente a 3,6 milhões de km², havendo solicitação brasileira que possibilitaria sua ampliação até 4,5 milhões de km².

Na medida em que 80% da nossa população vive a menos de 200 km do litoral, compreender o Atlântico Sul possui importância fundamental para formulação de políticas de interesse nacional, preservação do meio ambiente e defesa contra possíveis ameaças estrangeiras.

No último dia 1º de novembro, tivemos o prazer de receber os grandes professores Guilherme Bystronski, João Felipe Ribeiro e Paulo Velasco para uma nova edição da série O Internacional em Debate, cujo tema foi “Atlântico Sul: um debate interdisciplinar”. A discussão, portanto, englobou questões relativas às disciplinas de Direito Internacional, Geografia e Política Internacional, tais como: Geoestratégia, Geopolítica, Estrutura Geológica e Geomorfológica, Segurança Nacional, Política Nacional de Defesa, Amazônia Azul, Limite da plataforma continental/Comissão de Limites da Plataforma Continental, e Administração dos recursos encontrados em espaços marítimos.

Assistam, abaixo, ao vídeo completo do evento, e aproveitem as excelentes exposições dos mestres sobre o assunto!

 

Sobre os debatedores:

Guilherme Bystronski – Mestre em Direito Internacional e da Integração Econômica pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Professor de Direito Internacional Público nos cursos da área de Diplomacia e Carreiras Internacionais do Clio – Damásio. Professor de Direito Internacional Público e Direito Internacional Privado no Instituto Universitário de Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Iuperj/UCAM).

João Felipe Ribeiro – Licenciado em Geografia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Foi professor dessa disciplina em escolas das redes estadual e municipal do Rio de Janeiro e, atualmente, leciona na Escola Parque e na rede de ensino Pensi. É professor de Geografia na preparação para o Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD) e nos demais cursos da área de Diplomacia do Clio – Damásio.

Paulo Velasco – Doutor em Ciência Política pelo IESP-UERJ, possui mestrado em Relações Internacionais pelo IRI – PUC Rio e graduação em Direito pela UERJ. Professor-adjunto do Departamento de Relações Internacionais da UERJ. Leciona a disciplina de Política Internacional nos cursos da área de Diplomacia e Carreiras Internacionais do Clio – Damásio.

 

📚 Dicas de leitura sobre o tema:

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CACD 2019 | Análise da mudança da banca e seu impacto em Geografia

Pelo professor João Felipe Ribeiro*

 

Ainda não dá para ter a dimensão dos impactos da mudança da banca CESPE para IADES na prova de geografia, mas é possível traçar algumas estratégias de preparação mesmo antes de termos o edital com informações mais detalhadas do que tende a ocorrer.

Para decidir o que fazer nas próximas semanas, é importante avaliar qual é o nível de preparação do candidato nessa estrada complicada que é o CACD e analisar o histórico da prova de geografia no concurso.

Candidatos que estão com pouco tempo de preparação podem continuar utilizando o programa do concurso, até que o edital defina se também vai haver mudança programática. Um ajuste imediato que pode ser feito por quem está nessa situação é privilegiar leituras e questões de abordagem mais técnicas, de cunho mais descritivo e menos social. Esses candidatos podem olhar as questões das provas de 2008, 2009, 2010 e 2011 como referência para o que pode ocorrer esse ano.

programa que vem sendo utilizado nos últimos anos foi lançado em 2008. Ele é bem completo e os seus 7 itens contemplam parte expressiva dos estudos de geografia no campo político, humano, sócio econômico e ambiental.

As provas do Cespe são tradicionalmente difíceis, com um grau de profundidade expressivo. Nos últimos 5 anos, notadamente nos 3 últimos, a  prova passou a privilegiar abordagens sociais, privilegiando conflitos por uso do território e impactos sócio ambientais, o que não ocorria nas provas de 8, 10 anos atrás. É provável que essa abordagem recente deixe de ocorrer, por isso a sugestão para olhar provas mais antigas, que eram menos críticas.

Os candidatos que estão “há mais tempo na estrada” devem esperar uma prova em que parte do conhecimento mais profundo adquirido nesses anos não deve ser tão útil na prova objetiva. Se isso realmente ocorrer eles perdem uma vantagem adquirida, mas devem considerar que eles possuem menos lacunas de conhecimento geográfico, o que não deve ser desconsiderado.

O que fazer então nesse período ainda sem informações mais detalhadas?

Eu apostaria numa “horizontalização” do estudo, notadamente de geografia do Brasil.

Vou pegar como referência candidatos que fizeram o nosso curso Diplomacia 360°. Esse é um curso de 40 aulas de quase 2 horas. Ele é muito completo e abrange o programa vigente que, como disse, é muito amplo. Esses candidatos já estão em nível de preparação alto e com grau de profundidade elevado. Qual o risco? Uma guinada para uma prova muito decoreba valorizando excessivamente detalhes.

Se isso acontecer, eu imagino que seja com ênfase na geografia do Brasil, que nas provas antigas era amplamente dominante no CACD. Uma revisão privilegiando detalhes do quadro natural, humano e econômico das regiões brasileiras é uma boa estratégia de proteção.

Outra aposta que os candidatos podem fazer é sobre geopolítica brasileira buscando alguma leitura de  geopolítica  tradicional. Eu sugiro a obra do Golbery do Couto e Silva denominada Geopolítica do Brasil.

No mais, é tentar não perder tempo abalado com as incertezas e não acreditar em fórmulas mágicas. O fundamental é ter uma autoavaliação e minorar os riscos tapando lacunas de conhecimento, até então não muito relevantes no CACD e que agora podem ser decisivos.

Se precisarem da gente nessa preparação, estamos prontos para tentar ajudar com nossa experiência que pode ser útil em momento de grande instabilidade.

 

* Texto especial do professor:

O que esperar do concurso ABIN? – Geografia Contemporânea

Digníssimos e Digníssimas,

Dando continuidade à série especial sobre o concurso para Oficial de Inteligência da ABIN, hoje vamos falar de uma das disciplinas que compõem a parte de “Conhecimentos Específicos” da prova objetiva da Primeira Fase!

Geografia Contemporânea é uma matéria que possui um caráter bastante interdisciplinar, pois engloba temas que se relacionam diretamente com outras áreas do conhecimento, tais como História, Economia, Política Internacional, entre outras. No entanto, no contexto dos concursos públicos, os assuntos geográficos também apresentam aspectos específicos importantes e que merecem atenção especial nos estudos. Espaço e território, por exemplo, são elementos característicos da Geografia e, comumente, são aplicados a conceitos amplos – como globalização, migrações etc. – para distinguir o conteúdo dessa disciplina de outras.

Em relação ao concurso da ABIN, o último edital (2008) abarcou em seu conteúdo programático os seguintes temas:

1 Geografia do Brasil

1.1 A integração do Brasil no processo de internacionalização da economia.

1.2 A divisão inter-regional do trabalho e da produção.

1.3 O processo de industrialização e suas repercussões na organização do espaço.

1.4 A rede brasileira de transportes e sua evolução.

1.5 A estrutura urbana brasileira e as grandes metrópoles.

1.6 A dinâmica das fronteiras agrícolas e sua expansão para o Centro-Oeste e para a Amazônia.

1.7 A Evolução da estrutura fundiária e os problemas demográficos no campo.

1.8 Os movimentos migratórios internos.

1.9 A distribuição dos efetivos demográficos no território nacional.

1.10 A estrutura etária da população brasileira e a evolução de seu crescimento.

1.11 Integração entre indústria, estrutura urbana, rede de transportes e setor agrícola no Brasil.

1.12 Recursos naturais: aproveitamento, desperdício e políticas de conservação de recursos naturais.

1.13 O Brasil e a questão cultural.

2 Geografia mundial

2.1 Globalização e fragmentação em relação à nova ordem mundial.

2.2 O estágio atual do capitalismo e a divisão internacional do trabalho.

2.3 Processo de desenvolvimento/subdesenvolvimento.

2.4 Caracterização geral dos sistemas político-econômicos contemporâneos e suas áreas de influência e disputa.

2.5 O papel das grandes organizações político-econômicas internacionais.

2.6 A formação dos grandes blocos econômicos.

2.7 A ação do Estado na economia e políticas contemporâneas.

2.8 As consequências da transformação do espaço socialista.

2.9 Os conflitos geopolíticos recentes.

2.10 Movimentos migratórios internacionais e crescimento demográfico.

2.11 A questão ecológica em nível mundial.

2.12 Cultura e espaço: conflitos étnicos/religiosos/linguísticos atuais. A questão das nacionalidades.

Mas, afinal de contas, como esses tópicos são cobrados na prática? Quais tipos de análises as questões podem requerer dos candidatos? Para sanar essas dúvidas inquietantes, o querido mestre João Felipe Ribeiro, especialista em Geografia para concursos, traz os esclarecimentos necessários para vocês tirarem essa disciplina de letra no próximo exame da ABIN! 😉

Confiram as primorosas explicações do professor:

 

Participação especial neste post:

avatar_joaofelipeJoão Felipe Ribeiro – Licenciado em Geografia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Professor dessa disciplina na preparação para o Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD) e nos demais cursos de Carreiras Públicas e Internacionais do Damásio Educacional / Clio.

 

 

VEJA TAMBÉM:

O que esperar do concurso ABIN? – Atualidades

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#PassandoDeFase no CACD – Geografia

Mancebos e moçoilas,

Assim como ocorrido em Política Internacional, a disciplina de Geografia também terá uma prova independente na Terceira Fase do CACD 2017. Conforme vimos na série “De Olho na Banca”, essas duas matérias compuseram um exame único, com duas questões para cada uma, nas três últimas edições do concurso (2014, 2015 e 2016). Todavia, o edital deste ano trouxe mudanças nesse aspecto e retomou o formato de provas separadas, constituídas por quatro perguntas. Houve uma alteração também na configuração das questões de conteúdos geográficos: as perguntas, agora, terão limite de 60 e 40 linhas para resposta e não mais 90/60 linhas como estabelecido nos certames anteriores.

Confiram, abaixo, mais detalhes sobre as características estruturais e de conteúdo da prova discursiva de Geografia.

 

Data e horário da prova:

  • 07 de outubro (sábado)
  • Início: 09h00
  • Término: 13h00

 

Composição da prova:

  • duas questões de 60 linhas para resposta – 30 pontos cada uma
  • duas questões de 40 linhas para resposta – 20 pontos cada uma
  • Pontuação máxima: 100 pontos

 

Conteúdo programático requerido:

ITENS SUBITENS
1 História da Geografia. 1.1 Expansão colonial e pensamento geográfico.
1.2 A Geografia moderna e a questão nacional na Europa.
1.3 As principais correntes metodológicas da Geografia.
2 A Geografia da População. 2.1 Distribuição espacial da população no Brasil e no mundo.
2.2 Os grandes movimentos migratórios internacionais e intranacionais.
2.3 Dinâmica populacional e indicadores da qualidade de vida das populações.
3 Geografia Econômica. 3.1 Globalização e divisão internacional do trabalho.
3.2 Formação e estrutura dos blocos econômicos internacionais.
3.3 Energia, logística e reordenamento territorial pós-fordista.
3.4 Disparidades regionais e planejamento no Brasil.
4 Geografia Agrária. 4.1 Distribuição geográfica da agricultura e pecuária mundiais.
4.2 Estruturação e funcionamento do agronegócio no Brasil e no mundo.
4.3 Estrutura fundiária, uso da terra e relações de produção no campo brasileiro.
5 Geografia Urbana. 5.1 Processo de urbanização e formação de redes de cidades.
5.2 Conurbação, metropolização e cidades-mundiais.
5.3 Dinâmica intraurbana das metrópoles brasileiras.
5.4 O papel das cidades médias na modernização do Brasil.
6 Geografia Política. 6.1 Teorias geopolíticas e poder mundial.
6.2 Temas clássicos da Geografia Política: as fronteiras e as formas de apropriação política do espaço.
6.3 Relações Estado e território.
6.4 Formação territorial do Brasil.
7 Geografia e gestão ambiental. 7.1 O meio ambiente nas relações internacionais: avanços conceituais e institucionais.
7.2 Macro divisão natural do espaço brasileiro: biomas, domínios e ecossistemas.
7.3 Política e gestão ambiental no Brasil.

Baixe aqui a tabela em PDF

 

Em comparação a outras disciplinas, podemos dizer que o programa de Geografia é breve e sucinto, visto que seus itens e subitens são apresentados de forma bem definida e pontual em cada uma das sete partes em que a matéria se divide. Tal estruturação do conteúdo permite que os candidatos tenham mais facilidade para organizar seus planos de estudos, baseados tanto no aprendizado teórico dos temas como na prática regular de exercícios discursivos – e, aqui, não podemos esquecer dos melhores amigos de todo CACDista neste momento: as provas anteriores e os Guias de Estudos, com exemplos de respostas que receberam nota máxima da banca!

Uma boa preparação para as questões dissertativas também deve procurar focar os assuntos mais passíveis de serem cobrados na iminente prova. Por isso, nosso querido mestre de Geografia, João Felipe Ribeiro, veio dar explicações especializadas sobre o formato e o conteúdo das respostas exigidas pelos examinadores, para deixá-los ainda mais afiados nas demandas dessa disciplina. Confiram no vídeo a seguir! 😉

 

Participação especial neste post:

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João Felipe Ribeiro – Licenciado em Geografia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e professor dessa disciplina na área de Carreiras Internacionais do Damásio Educacional – Clio.

 

 

VEJA TAMBÉM:

#PassandoDeFase no CACD – História do Brasil

#PassandoDeFase no CACD – Direito Internacional Público

#PassandoDeFase no CACD – Direito Interno

#PassandoDeFase no CACD – Língua Espanhola e Língua Francesa

#PassandoDeFase no CACD – Língua Inglesa

#PassandoDeFase no CACD – Política Internacional

#PassandoDeFase no CACD – Noções de Economia

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Barão do Mês: Milton Santos

Atualizado em 02/10/18

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Pupilos e pupilas,

Há dezessete anos, o mês de junho ficou marcado pela perda de um brasileiro ilustre, que deixou um enorme legado em nosso país, e também fora dele, para uma disciplina bem conhecida de vocês. Nosso querido Milton Santos foi um pesquisador necessário e brilhante para a Geografia e, por isso, ele é o grande homenageado do mês aqui no blog!

“A contribuição do Milton é gigantesca. É até difícil mensurar… ele realmente transcende. Não temos nenhum geógrafo que a gente possa comparar em vastidão de obra e importância”, ressalta o nosso mestre dos estudos geográficos, João Felipe Ribeiro. “Lembrando que o Milton rompeu várias barreiras. Primeiro, a barreira acadêmica: principalmente na sua volta do exterior, ele teve um reconhecimento que transcende a academia e, efetivamente, como intelectual, conseguiu passar parte de suas ideias para um público maior, que é uma coisa que a gente sempre reclama da Academia. No que se refere a Geografia: a obra e os conceitos dele, como o do meio técnico-científico-informacional e a importância que ele dá ao território, acabam sendo usados em várias outras áreas de estudos que não só a Geografia”, completa o professor.

Conheçam mais sobre a vida e a carreira admiráveis desse geógrafo que orgulha o Brasil até os dias de hoje! 🙂

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Milton Almeida dos Santos nasceu em 3 de maio de 1926 na cidade baiana de Brotas de Macaúbas, região da Chapada Diamantina. Sua mãe, Adalgisa Umbelina de Almeida Santos, era professora e filha de professores enquanto seu pai, Francisco Irineu dos Santos, foi professor primário e, quando criança, Milton recebeu educação formal em casa, com os próprios pais, até o primário. Com dez anos de idade, tornou-se aluno interno do renomado colégio Instituto Baiano de Ensino, na capital do estado, onde residiu por dez anos. Já no ginásio, se interessou pela disciplina de Geografia Humana, ministrada pelo professor Oswaldo Imbassay, que marcou a memória do jovem estudante, e, aos quinze anos, começou a ensinar os colegas mais novos.

5637032381_5a7b91dd70_oEntre 1942 e 1943, Milton Santos realizou o curso pré-jurídico e, em 1948, formou-se como Bacharel em Direito pela renomada Faculdade de Direito de Salvador. Posteriormente, começou a lecionar Geografia Humana para o ginásio no colégio municipal de Ilhéus (BA). Nessa época, Milton também trabalhou como jornalista e redator no jornal “A Tarde”, onde escreveu 116 artigos versando sobre a zona do cacau, a cidade do Salvador, Europa e África e Cuba e outros temas locais e globais até 1964.

A geógrafa Marie-Hélène Tiercelin e o professor Jacques Levy explicam o desenvolvimento da carreira de Milton Santos destacando três grandes momentos. O primeiro foi o que eles definiram como “um pesquisador implicado na realidade local”, no período de 1948 a 1964. Durante esses anos, Milton exerceu cargos públicos e iniciou sua carreira acadêmica como professor de Geografia Humana na Universidade Católica de Salvador. Em 1958, formou-se doutor em Geografia pela Universidade de Estrasburgo, França, com a tese “O Centro da Cidade de Salvador”, sob orientação do professor Jean Tricart. Ao retornar ao Brasil, Santos tornou-se professor catedrático de Geografia Humana na Universidade Federal da Bahia, onde fundou o Laboratório de Geociências. Também foi diretor da Imprensa Oficial da Bahia (1959-1961), representante da Casa Civil do presidente Jânio Quadros na Bahia, em 1961, e presidente da Fundação Comissão de Planejamento Econômico do Estado da Bahia (1962-1964).

Conforme destacou a professora Maria Auxiliadora da Silva, a década de 60 pode ser considerada como a época áurea de Geografia na Bahia, pois o Laboratório de Geomorfologia e Estudos Regionais, fundado por Milton em 1959, representou uma proposta acadêmica renovadora. Nele, a ciência geográfica era tratada não apenas como técnica, mas como reflexão. A implantação de uma nova filosofia de trabalho em Geografia, até então inexistente no Brasil, abre espaços para a geração de pesquisas, capazes de movimentar outras mentes e acionar novas ideias. Essas atividades foram fortemente estimuladas por Milton, que transmitia, além de ensinamentos, motivações e autoconfiança, através do pensamento autônomo, crítico e criativo, sobretudo em relação a questões socioeconômicas.

Em 1964, logo após a implantação do regime militar no Brasil, Milton foi preso e enviado para um Batalhão do Exército em Salvador, onde parte de sua equipe do laboratório e seus amigos o visitavam diariamente. Posteriormente, após sofrer um princípio de derrame, ele foi solto e, após negociar sua saída do país, seguiu para o exílio na França para lecionar na Universidade de Toulouse-Le Mirail (atual Universidade Toulouse – Jean Jaurès). Assim, o professor iniciou sua carreira internacional, que ficou conhecida como a fase de “um pesquisador viajante” (1964-1977).

Na França, Milton foi professor convidado nas universidades de Toulouse, Bordeaux e Paris-Sorbonne, e no Instituto de Estudos do Desenvolvimento Econômico e Social (IEDES). Entre 1971 e 1977, o geógrafo exerceu uma carreira itinerante, começando pelo Canadá (Universidade de Toronto). Depois, foi para os Estados Unidos como pesquisador convidado do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), trabalhando com o linguista e filósofo Noam Chomsky. Passou ainda pela Venezuela, onde foi diretor de pesquisa e planejamento de urbanização da Organização das Nações Unidas. Datam desta época as pesquisas do geógrafo acerca dos processos de urbanização das cidades do então chamado “terceiro mundo” (países subdesenvolvidos). Como desenvolvimento deste seu interesse, posteriormente, realizou trabalhos de pesquisa sobre pobreza urbana na América Latina em Lima (Peru), onde também lecionou na Faculdade de Economia da Universidade Central. Na Tanzânia, penúltimo destino antes do retorno ao Brasil, Milton organizou o curso de pós-graduação em Geografia da Universidade Dar-es-Salaam, e lá residiu por dois anos. De volta aos EUA, terminou o longo período de exílio lecionando na Universidade de Columbia, em Nova Iorque.

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Seu retorno ao Brasil, em 1977, marcou o início da terceira etapa de sua carreira, como “um pesquisador engajado”, conhecido e admirado mundialmente e já com várias obras publicadas. Durante os treze anos que esteve fora do país, Milton estruturou a base do pensamento que analisa o efeito social provocado pelo desenvolvimento urbano político e econômico. O impacto das publicações em português dos livros do geógrafo, que até então só haviam sido editados em outros idiomas, foi enorme. Suas ideias foram responsáveis pela renovação de boa parte dos conceitos e temas debatidos na geografia brasileira. “Ele é uma referência importante na geografia crítica. Tem um livro fundamental chamado ‘Por uma Geografia Nova’, em que ele faz uma crítica contundente a uma corrente de pensamento geográfico (a ‘nova geografia’), que é a Geografia quantitativa, e prega um engajamento social e político da produção geográfica”, salienta nosso mestre João Felipe.

O geógrafo se tornou Consultor de Planejamento do Estado de São Paulo e, depois, lecionou como professor visitante na Universidade Federal do Rio de Janeiro entre 1979 e 1983, quando então foi contratado como professor titular da Universidade de São Paulo (USP), onde lecionou até se aposentar. Ademais, os convites do exterior continuaram: foi professor visitante da Universidade de Stanford, na Cátedra de Joaquim Nabuco, entre 1997 e 1998; diretor de Estudos em Ciências Sociais, na Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais – Paris em 1998; consultor das Nações Unidas, Organização Internacional do Trabalho (OIT), Organização dos Estados Americanos (OEA) e Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco); consultor junto aos governos da Argélia e Guiné Bissau e consultor junto ao Senado Federal da Venezuela para questões metropolitanas. Além das universidades francesas, americanas e latino-americanas, da África e da Ásia, Milton Santos colaborou ainda com a Complutense de Madrid, de Barcelona e de Lisboa.

Milton seguiu lecionando e orientando mestres e doutores no Brasil, ao mesmo tempo em que continuou publicando livros, o que o alçou a uma das mais extensas e densas bibliografias brasileiras, sem dúvidas a maior entre geógrafos latino-americanos. Deixou como legado mais de 40 títulos publicados em diversos idiomas e mais de 300 artigos e pequenas publicações. Em relação a sua produção bibliográfica, o professor João Felipe destaca: “na Geografia especificamente, a obra do Milton é muito vasta porque ele tem preocupações em campos muito variados. Eu destacaria a questão urbana, na qual ele tem uma série de livros, como o ‘Manual da Geografia Urbana’ e ‘Urbanização Brasileira’, que são referência fora do Brasil inclusive. É um geógrafo do ‘terceiro mundo’ contando como a urbanização se dá por aqui. Então, a produção dele é muito grande nessa área de urbanização, que é um assunto fundamental para a Geografia”. O docente também ressalta o importante tratamento que Milton Santos deu ao conhecimento teórico em seus textos: “ele tem uma preocupação epistemológica muito grande e estuda os conceitos fundamentais da Geografia com grande cuidado. Conceitos como território, espaço, paisagem, lugar, tudo isso é motivo da produção dele”.

Além da grande produção sobre urbanização, o professor João Felipe destaca outro tema que Milton Santos priorizou: “mais para o final da sua vida, ele acabou escrevendo muito sobre globalização. Porque o Milton, nessa sua ‘gana’ de analisar epistemologicamente a Geografia, valorizava muito o papel das técnicas – a técnica como mediadora de algo fundamental para a Geografia que é a relação sociedade-natureza. No final dos anos 90, momento em que a globalização entrava no Brasil como uma panaceia, com questionamento muito baixo ou até mesmo quase nenhum, ele escreve um livro chamado ‘Por uma outra globalização’, que também tem um impacto muito grande pra gente”.

Por fim, nosso mestre resume: “a produção dele é vasta demais, de assuntos muito variados, mas de assuntos fundamentais. Acho que essa é a grande questão. O Milton gostava de assuntos fundamentais e eu destacaria pelo menos esse tripé: os conceitos fundamentais da Geografia, da análise territorial e espacial dos fatos; os estudos de urbana, onde ele tem um destaque absurdo, e, mais recentemente, os estudos de globalização, da maneira como ele enxergava esse fenômeno e achava possível uma outra globalização e, de certa maneira, o próprio papel das técnicas na produção do espaço geográfico”.

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No decorrer de sua brilhante carreira, Milton Santos recebeu dezenas de títulos e homenagens no mundo inteiro. São vinte títulos de Doutor Honoris Causa, sendo doze conferidos por universidades brasileiras e oito estrangeiras, além do título de Professor Emérito da USP, recebido em 1997. Dentre as diversas premiações recebidas, merece destaque o Prêmio Internacional de Geografia Vautrin Lud, em 1994, uma espécie de Prêmio Nobel da Geografia. Essa foi a primeira vez que o prêmio era concedido a um geógrafo que não era francês nem norte-americano.

Em 1996, para os seus 70 anos, amigos se reuniram para prestar-lhe uma homenagem, no Seminário Internacional, em São Paulo, denominado “O mundo do Cidadão. Um cidadão do mundo”. Nessa ocasião, foi lançado o livro com o mesmo nome, com depoimentos de 67 intelectuais e amigos de todas as partes do mundo, acolhidos na ocasião pela USP. Abaixo, vocês podem conferir um vídeo desse belo encontro.

Milton faleceu aos 75 anos, em 24 de junho de 2001. Seu sepultamento ocorreu no cemitério da Paz, em São Paulo. Cinco anos depois, foi lançado o documentário “Encontro com Milton Santos: O Mundo Global Visto de Cá”, dirigido por Silvio Tendler. O filme apresenta, por meio de entrevistas com o geógrafo, alguns dos seus principais conceitos.

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Grande importância em provas e concursos

Em decorrência da importância singular de seu trabalho para os estudos da Geografia brasileira e mundial, Milton Santos é um autor abordado de forma constante em grades curriculares e exames das mais variadas instituições, com grande destaque para as provas do Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD). “Os textos e as ideias do Milton aparecem muito no concurso dada a dimensão monumental da produção dele. Isso não é uma característica só do CACD. Isso acontece, na verdade, em concursos no Brasil desde provas de vestibular e de Ensino Médio – abordando, obviamente, de maneira mais superficial, mas trabalhando com os conceitos do Milton, que são muito importantes – até concursos para professor. Isso é, realmente, espalhado”, salienta o mestre João Felipe.

Para finalizar, o professor faz uma excelente análise da relação entre os temas de Geografia cobrados pelo CACD e a produção teórica de Milton Santos:

“No caso específico do CACD, o que nós temos é um programa de Geografia de sete itens e, indiretamente, todos estão ligados à obra do Milton, porque ele trabalhou de maneira epistemológica e trata de todos esses temas. De maneira direta: o item 1 fala da história do desenvolvimento da Geografia e ele é um personagem icônico nesse processo, muito importante numa escola de pensamento geográfico (a Geografia crítica). É um autor importantíssimo para a análise de conceitos. Já aconteceu de o concurso cobrar a maneira como Milton Santos vê o conceito de espaço, de paisagem e por aí vai. Então, o item 1 é diretamente ligado à obra dele. O item 2 é um pouco menos. Os itens 3 e 4 tratam de Geografia Econômica e Agrária e ele tem uma produção enorme nessa área, principalmente na parte de globalização, de indústria e até mesmo ao valorizar aquele estudo das técnicas, na questão do campo – ele fala muito sobre a ‘artificialização’. O item 5 é Geografia Urbana e, nesse tema, ele é a referência do sul global. E o item 6 do programa, que é Geografia Política, trata das relações entre o Estado e o território, sobre a qual ele também tem uma produção grande. É até difícil mensurar a relevância dos seus textos. Óbvio, Milton Santos não é um autor fácil de ser lido. Ele tem uma linguagem toda própria. Mas, independente da questão do concurso, o que não pode se questionar é a monumentalidade da sua obra”.

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Fontes:

miltonsantos.com.br

museuafrobrasil.org.br

ub.edu/geocrit/sn/sn-124f.htm

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Participação especial neste post:

O Internacional em Debate #4: As migrações internacionais e seus desafios

Caríssimos e Caríssimas,

As migrações são um fenômeno tão grande quanto a humanidade, e tendem a se intensificar em momentos de crises agudas. Em tempos de acirramento dos desequilíbrios de natureza econômica, social, política ou de segurança, os fluxos migratórios passam a ser vistos como inexoráveis e inevitáveis, trazendo consigo a imagem que simboliza a instabilidade: os refugiados. Por outro lado, os movimentos populacionais internacionais podem ter um caráter voluntário, isto é, serem motivados por interesses individuais, como o desejo por melhores condições de vida por exemplo. Saber distinguir esses dois perfis de migrantes é essencial para uma análise adequada das migrações ao redor do mundo na atualidade.

Inúmeros fatores podem provocar o processo de migração internacional. Dentre eles estão desastres ambientais, guerras, perseguições políticas e étnicas/culturais e busca por oportunidades de trabalho e melhores perspectivas de vida. Esse último ainda é a principal causa dos fluxos migratórios entre países nos dias de hoje. O Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais das Nações Unidas emite, periodicamente, um relatório com dados sobre os aspectos gerais das migrações em todo o mundo. O último documento, publicado em 2015, mostra que o número de migrantes internacionais alcançou a marca de 244 milhões. Dessa quantidade, a análise calcula que 713 mil imigrantes estão no Brasil e, recentemente, nosso país adotou uma postura positiva e bastante significativa em relação a essas pessoas ao sancionar a nova Lei de Migração.

Nos últimos anos, um assunto que tem ganhado muita visibilidade no âmbito dos fluxos migratórios internacionais é o refúgio. Por definição da ONU, refugiados são pessoas que foram obrigadas a fugir de seus países por motivos de perseguição, calamidades, guerra, ou outras circunstâncias que perturbam seriamente a ordem pública e que, como resultado, necessitam de “proteção internacional”. Segundo o recém-divulgado relatório “Tendências Globais” do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), atualmente, há no mundo cerca de 65 milhões de pessoas em situação de migração forçada, dos quais 22 milhões são refugiados – o maior número desde a Segunda Guerra Mundial. O Acnur busca trabalhar estreitamente com governos de diversos países, aconselhando-os e os apoiando conforme suas necessidades a fim de implementar suas responsabilidades em relação às pessoas em situação de refúgio.

Para enriquecer nossas reflexões sobre as questões da migração internacional, nesta quarta edição da nossa série de debates, os estupendos professores Guilherme Bystronski, João Felipe Ribeiro e Tanguy Baghdadi abordaram os aspectos políticos, geográficos e jurídicos desse fenômeno e suas possíveis consequências para as relações internacionais. Assistam à riquíssima discussão dos mestres a seguir, meus caros!

De Olho na Banca: CACD – Geografia

Futuros e futuras diplomatas,

Agora que já conhecemos a estrutura e o funcionamento das provas de Política Internacional (PI) do Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD), podemos partir para a análise das outras disciplinas da seleção. Hoje, então, vamos averiguar a matéria de Geografia, que é abordada na primeira e na terceira fase do certame, assim como PI, porém possui um peso menor em relação a essa. Isso não significa, no entanto, que o conteúdo de Geografia não mereça atenção e planejamento para os estudos, meus caros! Quanto maior o domínio nos assuntos de cada prova, melhor poderá ser o seu desempenho no concurso como um todo.

Nas três últimas edições do CACD, a prova de Geografia na primeira fase foi composta por cinco questões objetivas no modelo “certo ou errado”. Já na terceira etapa, a disciplina contou com apenas duas questões discursivas – cujas respostas precisavam ter sessenta e noventa linhas no máximo –, compondo uma prova em conjunto com mais duas questões de Política Internacional. Nos concursos anteriores, cada uma dessas matérias formava uma prova distinta, com quatro questões, na terceira fase. Porém, esse formato foi modificado em 2014 e as duas disciplinas passaram a integrar uma única prova de quatro questões.

Para nos situar quanto à maneira que o conteúdo de Geografia é cobrado em ambas as fases do CACD, ninguém melhor que o excelente mestre João Felipe Ribeiro! Sendo assim, no segundo vídeo da série De Olho na Banca, o professor diz o que se pode esperar das provas dessa disciplina e também dá umas dicas supimpas para vocês tirarem as questões tanto objetivas quanto discursivas de letra! 😉

Veja o vídeo logo abaixo:

 

Participação especial neste post: