O Internacional em Debate #6: EUA x Coreia do Norte: uma guerra nuclear é possível?

Minhas caras e meus caros,

A tensão diplomática e militar entre os Estados Unidos da América (EUA) e a Coreia do Norte teve início na década de 1950 e foi motivada, sobretudo, pela intervenção militar estadunidense no confronto entre as regiões norte e sul da península coreana, que ficou conhecido como Guerra da Coreia (1950-1953). Como sabemos, esse conflito resultou na divisão do país em dois – Coreia do Norte e Coreia do Sul – e, desde então, as relações entre os EUA e o Estado norte-coreano se tornaram cada vez mais delicadas.

Para agravar a situação, nos anos 1960, a Coreia do Norte começou a desenvolver seu programa nuclear, contando com o auxílio da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), e construiu o primeiro reator nuclear nacional. A finalidade dessa atividade, em princípio, era gerar energia para o país, que possui importantes reservas de urânio. Entretanto, com a intensificação das tensões da Guerra Fria, que levaram os Estados Unidos a instalarem ogivas nucleares na Coreia do Sul, Pyongyang iniciou pesquisas para a construção de armas nucleares a partir da década de 1980.

Após o término da Guerra Fria, as pressões por fiscalização internacional sobre armas nucleares aumentaram, e pode-se dizer que essa foi uma das principais motivações para a Coreia do Norte decidir abandonar o Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP) em 2003. Temendo uma intervenção externa – já que o país havia sido classificado como um dos integrantes do “Eixo do Mal”, junto ao Irã e ao Iraque, pelo então presidente dos EUA, George W. Bush –, o governo norte-coreano realizou seu primeiro teste com ogivas nucleares em 2006.

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Desde esse experimento inicial, a Coreia do Norte informa ter realizado um total de seis testes nucleares. O último deles foi feito com uma bomba atômica de hidrogênio no início deste mês. As suposições sobre esse artefato ser o mais potente já produzido pelo país, com possibilidade de ser instalado em um míssil intercontinental, causou uma grande agitação no cenário mundial. Dias antes, o governo norte-coreano havia realizado diversos testes com mísseis, com alguns deles sobrevoando o território do Japão. O líder Kim Jong-un informou que essas atividades foram uma resposta aos exercícios militares conjuntos da Coreia do Sul e Estados Unidos na península coreana, e também uma oportunidade de testar a capacidade operacional de guerra do Exército norte-coreano.

Após esses eventos, a disputa entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte vem ganhando novos contornos, com reações e respostas cada vez mais duras de ambos os lados. A retórica agressiva de Kim Jong-un tem sido constantemente rebatida pelo discurso enérgico de Donald Trump, o que tem contribuído, cada vez mais, para a elevação das tensões na península coreana. Nesta sexta edição de O Internacional em Debate, convidamos dois renomados professores e especialistas em Relações Internacionais, Marcelo Valença e Sabrina Medeiros, para discutir essa atmosfera de hostilidades entre os dois países e os riscos de uma possível guerra nuclear nesse contexto.

Assistam à riquíssima discussão dos mestres a seguir! 🙂

 

Conheçam os debatedores:

Marcelo Valença – Professor Adjunto do Departamento de Relações Internacionais, UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro). Linhas de pesquisa: Estudos Críticos de Segurança, Direito Internacional, Humanitarismo e Prevenção de Conflitos, Teorias normativas, Aprendizado ativo em Relações Internacionais.

Sabrina Medeiros – Professora Adjunta da Escola de Guerra Naval (EGN/MB) e Professora-Colaboradora do PPGHC/UFRJ. Tem experiência na área de Ciência Política com ênfase em Relações Internacionais, atuando principalmente nos seguintes temas: cooperação internacional, políticas imigratórias, cooperação para segurança, mecanismos de internacionalização e reputação, simulações e cenários.

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O Mundo em 3 Minutos #12: Coreia do Norte vs. EUA: até onde vai a tensão?

Caríssimas e caríssimos,

Duas ações recentes realizadas pela Coreia do Norte têm causado grande agitação no cenário internacional nos últimos dias. A primeira foi o lançamento do míssil balístico, no dia 29 de agosto, que teria sobrevoado parte do território japonês até atingir o mar, a cerca de 1180 quilômetros da ilha de Hokkaido. Segundo a Agência de Notícias Central Norte-coreana (KCNA, na sigla em inglês) o líder do país, Kim Jong-un, informou que a atividade foi uma maneira de rechaçar os exercícios militares conjuntos da Coreia do Sul e Estados Unidos na península coreana, e também uma oportunidade de testar a capacidade operacional de guerra do Exército norte-coreano.

A Coreia do Norte comunicou ainda que o inédito lançamento do projétil será o primeiro de muitos e que o Pacífico continuará sendo o alvo dos testes de seu programa armamentista, reiterando os planos de disparar mísseis que caiam em águas próximas à ilha de Guam, onde há duas bases militares dos Estados Unidos. Tal postura, com efeito, gerou reações desse país e da comunidade internacional como um todo. O presidente estadunidense, Donald Trump, sugeriu que a possibilidade de uma resposta militar não está descartada ao declarar que “todas as opções estão sobre a mesa”. Ademais, o Conselho de Segurança das Nações Unidas convocou uma reunião de emergência para tratar do caso, e o secretário-geral da organização, António Guterres, emitiu um comunicado condenando o acontecimento.

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Sessão do Conselho de Segurança dedicada à Coreia do Norte

A segunda ação da nação asiática que causou polêmica em âmbito mundial foi o teste de uma bomba atômica de hidrogênio realizado no último domingo. Estima-se que esse artefato seja o mais potente já produzido pela Coreia do Norte e que pode ser instalado em um míssil intercontinental. A partir desse evento, os Estados Unidos, o Japão e a Coreia do Sul, recrudesceram suas declarações em relação a Pyongyang e propuseram sanções mais severas a fim de isolar completamente o país de Kim Jong-un. Uma segunda reunião do Conselho de Segurança da ONU foi convocada em regime de urgência, porém seus membros adotaram posturas diferentes: enquanto os EUA, a França e o Reino Unido concordaram em apresentar uma nova resolução com penalidades para ser submetida à votação, a China e a Rússia se mostraram mais inclinadas a uma saída diplomática, por meio de diálogo conjunto, para evitar o aumento da tensão bélica.

Novamente, o secretário-geral da ONU condenou a postura norte-coreana, afirmando que o teste nuclear foi mais uma violação grave das obrigações internacionais do país. António Guterres declarou que a ação da Coreia do Norte prejudicou os esforços internacionais de não proliferação e desarmamento e também é “profundamente desestabilizadora para a segurança regional”. Além disso, o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Yukiya Amano, classificou a atividade como uma ação extremamente deplorável e uma negligência completa das repetidas exigências da comunidade internacional.

No vídeo a seguir, o caríssimo mestre de Política Internacional Tanguy Baghdadi aborda mais detalhes sobre a sucessão de acontecimentos que levaram à escalada da tensão entre a Coreia do Norte e os Estados Unidos. Vejam as explicações do professor e entendam melhor esse contexto, que tem gerado grandes preocupações de segurança internacional, não só no âmbito do continente asiático como também em todo o globo!

 

Participação especial neste post: