O Internacional em Debate #13: Atlântico Sul: um debate interdisciplinar

Caríssimas e caríssimos,

O Atlântico Sul é entendido como a porção do Oceano Atlântico localizada entre a América do Sul e a África, que pode ser delimitada segundo aspectos geográficos, históricos ou políticos. Trata-se de uma região de vital importância nas relações e comunicações entre os dois continentes. Ademais, é através dela que se estendem as linhas de comunicação mais meridionais do Ocidente, constituindo a via natural das ligações marítimas dos países que banha e dos portos do Atlântico Norte com os oceanos Pacífico e Índico.

Para o Brasil em particular, o Atlântico Sul é uma região de grande relevância, tanto sob uma perspectiva político-econômica como também em questões relacionadas ao meio ambiente e à nossa estratégia de defesa nacional. Aproximadamente 95% do comércio exterior brasileiro é efetuado por rotas marítimas, abrigando o Atlântico parte significativa de nossos recursos naturais energéticos (como petróleo e gás). Por sua vez, a Amazônia Azul – termo cunhado por Comandante da Marinha Brasileira em 2004 – abrange o equivalente a 3,6 milhões de km², havendo solicitação brasileira que possibilitaria sua ampliação até 4,5 milhões de km².

Na medida em que 80% da nossa população vive a menos de 200 km do litoral, compreender o Atlântico Sul possui importância fundamental para formulação de políticas de interesse nacional, preservação do meio ambiente e defesa contra possíveis ameaças estrangeiras.

No último dia 1º de novembro, tivemos o prazer de receber os grandes professores Guilherme Bystronski, João Felipe Ribeiro e Paulo Velasco para uma nova edição da série O Internacional em Debate, cujo tema foi “Atlântico Sul: um debate interdisciplinar”. A discussão, portanto, englobou questões relativas às disciplinas de Direito Internacional, Geografia e Política Internacional, tais como: Geoestratégia, Geopolítica, Estrutura Geológica e Geomorfológica, Segurança Nacional, Política Nacional de Defesa, Amazônia Azul, Limite da plataforma continental/Comissão de Limites da Plataforma Continental, e Administração dos recursos encontrados em espaços marítimos.

Assistam, abaixo, ao vídeo completo do evento, e aproveitem as excelentes exposições dos mestres sobre o assunto!

 

Sobre os debatedores:

Guilherme Bystronski – Mestre em Direito Internacional e da Integração Econômica pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Professor de Direito Internacional Público nos cursos da área de Diplomacia e Carreiras Internacionais do Clio – Damásio. Professor de Direito Internacional Público e Direito Internacional Privado no Instituto Universitário de Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Iuperj/UCAM).

João Felipe Ribeiro – Licenciado em Geografia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Foi professor dessa disciplina em escolas das redes estadual e municipal do Rio de Janeiro e, atualmente, leciona na Escola Parque e na rede de ensino Pensi. É professor de Geografia na preparação para o Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD) e nos demais cursos da área de Diplomacia do Clio – Damásio.

Paulo Velasco – Doutor em Ciência Política pelo IESP-UERJ, possui mestrado em Relações Internacionais pelo IRI – PUC Rio e graduação em Direito pela UERJ. Professor-adjunto do Departamento de Relações Internacionais da UERJ. Leciona a disciplina de Política Internacional nos cursos da área de Diplomacia e Carreiras Internacionais do Clio – Damásio.

 

📚 Dicas de leitura sobre o tema:

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O Internacional em Debate #12: As mulheres na Diplomacia e nas Relações Internacionais

Caras e caros aprendizes,

A ampliação da presença das mulheres nos espaços de poder e decisão e a implementação de medidas que favoreçam a participação feminina na vida pública são fatores amplamente recomendados como um importante aspecto do exercício da cidadania por instituições mundiais, como a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Organização dos Estados Americanos (OEA). A criação da Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres (ONU Mulheres) e o fortalecimento da Comissão Interamericana de Mulheres (CIM) são bons exemplos da preocupação dessas organizações com os temas relacionados à defesa e à promoção dos direitos das mulheres.

Como já vimos aqui no blog, o documentário “Exteriores – Mulheres Brasileiras na Diplomacia”, de Ivana Diniz, celebra o centenário do ingresso de Maria José de Castro Rebello Mendes no Itamaraty, em 1918. Ela foi a primeira diplomata brasileira e também a primeira funcionária pública concursada do país. Ao longo desses cem anos, avanços significativos foram obtidos, mas ainda de forma mais lenta do que se poderia imaginar um século atrás.

No último dia 17 de abril, tivemos a imensa honra e prazer de receber a Embaixadora Thereza Quintella e a Professora Manoela Assayag para um debate sobre o tema “As mulheres na Diplomacia e nas Relações Internacionais”. Essa foi uma discussão muito especial e uma excelente oportunidade para ampliarmos as perspectivas acerca desse assunto, que se torna cada vez mais importante no Brasil e no mundo de hoje.

A seguir, vocês podem assistir o vídeo completo do evento, e conferir algumas indicações de leitura para quem desejar se aprofundar no tema!

 

Sobre as convidadas:

Thereza Quintella – Ingressou na carreira diplomática em 1961. Foi promovida a Ministra de Primeira Classe em 1987, sendo a primeira aluna do Instituto Rio Branco (IRBr) a alcançar o topo da carreira. Nesse mesmo ano, tornou-se também a primeira diretora do Instituto. Além de Embaixadora do Brasil em Viena e em Moscou, foi presidente da FUNAG e cônsul-geral do Brasil em Los Angeles. Possui graduação em Letras Neolatinas pela Universidade Santa Úrsula e graduação em Diplomacia pelo IRBr. Sua trajetória diplomática contribuiu para a promoção da igualdade de gênero no Itamaraty.

Manoela Assayag – É Doutora em Relações Internacionais e Ciência Política e Mestre em Estudos Internacionais e Ciência Política pelo Institut de Hautes Études Internationales et du Développement (IHEID), Genebra, Suíça. Bacharel em Relações Internacionais pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Atua como professora de Língua Inglesa nos cursos da área de Diplomacia e Carreiras Internacionais do Damásio – Clio. Seus principais objetos de estudo são governança global, desenvolvimento sustentável, saúde global e meio ambiente.

 

📚 Dicas de leitura sobre o tema:

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O Internacional em Debate #11: Eleições no Brasil: perspectivas domésticas e internacionais

Minhas caras e meus caros,

No último dia 28 de outubro, tivemos o segundo turno de uma das eleições presidenciais mais decisivas para o Brasil nos últimos anos. Isso porque a votação deste ano não será lembrada apenas como um simples processo eleitoral. A polarização observada no país torna o pleito de 2018 único, com uma sequência de fatos pouco usual, que passaram pela prisão do candidato – até então – líder das pesquisas eleitorais e um grave ataque a faca ao outro candidato – quando este também já era, por sua vez, líder das pesquisas eleitorais.

A mudança no quadro político brasileiro levará a uma reorganização das forças, com um novo papel para a direita e para a esquerda, e com relevantes alterações de curso em matéria de economia e de política externa. Ainda que esses temas tenham soado estéreis para as campanhas eleitorais, eles fazem uma enorme diferença para as condições de vida no país nos próximos anos, e para a posição do Brasil no cenário internacional.

Por esse motivo, realizamos a 11ª edição da série O Internacional em Debate no intuito de discutirmos acerca dos temas sobre os quais pouco se falou na disputa presidencial. Para tanto, contamos com a participação dos grandes professores Daniel Sousa, Rodrigo Armstrong e Tanguy Baghdadi, que forneceram suas análises e explicações das questões econômicas e políticas nos âmbitos interno e internacional. Assistam ao vídeo completo do evento a seguir!

Participações especiais neste post:

Daniel Sousa – Mestre em Economia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Possui Especialização em Innovation in Business Learning por Boston College e graduação em Economia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Atua como Comentarista do Estúdio i da Globo News e Coordenador do GLOBAL MBA do Ibmec Rio de Janeiro. É professor na pós-graduação de Relações Internacionais e nos cursos da área de Diplomacia e Carreiras Internacionais do Clio – Damásio. Leciona na pós-graduação do Ibmec (GLOBAL e MBA) em disciplinas de Teoria Econômica e correlatas. Áreas de atuação: Economia Brasileira, Economia Internacional, Mercado Financeiro e Investimentos.

Rodrigo Armstrong – Mestre em Economia Política Internacional pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e graduado em Relações Internacionais pela Tufts University. Foi escolhido para o Director’s Leadership Council, núcleo de estudantes representantes do programa de Relações Internacionais da universidade. É professor nos cursos da área de Diplomacia e Carreiras Internacionais do Clio – Damásio. Seus interesses de pesquisa envolvem os seguintes temas: História das Relações Internacionais, Política Externa Brasileira, Economia Política Internacional e Finanças Internacionais.

Tanguy Baghdadi – Mestre em Relações Internacionais pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e graduado em Relações Internacionais pela Universidade Candido Mendes (UCAM). É professor de Política Internacional nos cursos da área de Diplomacia e Carreiras Internacionais do Clio – Damásio. Atua como coordenador pedagógico de Carreiras Internacionais e da pós-graduação em Relações Internacionais do Damásio Educacional. Tem experiência na área de Política Internacional, atuando principalmente nos seguintes temas: política externa brasileira, desarmamento nuclear, integração regional, terrorismo e organizações internacionais.

O Internacional em Debate #5: Os desafios e oportunidades na Relação Brasil-Ásia

Minhas caras e meus caros,

Nos últimos anos, pudemos observar uma movimentação expressiva no sistema internacional, semelhante àquela ocorrida no início do século XX, que transferiu o eixo de poder da Europa para a América do Norte: a região da Ásia‑Pacífico emergiu como um ponto da economia mundial com influência política ascendente, até mesmo nos órgãos de decisão multilaterais. Essa parte do mundo, que já possui uma grandiosidade física em termos de território e população – maior número de habitantes do mundo, com média de 4,436 bilhões de pessoas –, tem apresentado taxas crescentes no que se refere a Produto Interno Bruto (PIB), fluxos de comércio mundial, investimentos significativos em setores de infraestrutura e de defesa, entre outras áreas. Ademais, houve um notável fortalecimento dos mecanismos de integração regionais e interregionais do continente asiático, com destaque para concertações como a Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), o Banco Asiático de Desenvolvimento (ADB) e o mais recente projeto One Belt and One Road (OBOR) – também conhecido como “Nova Rota da Seda.

Diante desse novo cenário, as relações do Brasil com o continente asiático também cresceram expressivamente, sobretudo a partir do início do século XXI. As interações bilaterais com as nações da Ásia cresceram em densidade e complexidade, de forma que a região se tornou um dos principais parceiros comerciais do país. Além disso, houve uma ampliação do contato em outras dinâmicas, como nos programas de cooperação técnica, nas atividades culturais, no intercâmbio de turistas e no número de brasileiros residentes na Ásia. Em face disso, é muito importante que os agentes e formuladores de política externa brasileira se mantenham preparados para o relacionamento e a promoção os interesses nacionais nesse contexto.

capa_brasil_asia-500x500-jpeg-2Foi com esse pensamento que o diplomata licenciado Pedro Henrique Batista Barbosa procurou incentivar as reflexões sobre as mudanças do cenário mundial a partir da ascensão da região da Ásia‑Pacífico e organizou o livro “Os desafios e oportunidades na Relação Brasil-Ásia na perspectiva de Jovens Diplomatas”, recém-publicado pela Fundação Alexandra de Gusmão (Funag). A obra é uma iniciativa inédita composta por artigos de jovens diplomatas, que possuem experiência com os países abordados, seja trabalhando com as nações asiáticas na Secretaria de Estado, em Brasília, ou nos inúmeros postos avançados (embaixadas e consulados) alocados nos países da Ásia.

O livro, que está disponível para download gratuito na página da Fundação Alexandre de Gusmão (Funag), está dividido em catorze capítulos que abordam as relações com os principais parceiros do Brasil no continente e apresentam reflexões sobre a necessária dinamização das relações com alguns dos países da região, com grande enfoque nas questões econômicas e comerciais. Além disso, os autores falam sobre as comunidades brasileiras na Ásia, as possibilidades de cooperação e a difusão de nossa cultura, como também tratam da política internacional ampla, ressaltando o papel do Brasil em questões mais complexas e as oportunidades para o país em fóruns internacionais. Nas palavras do Embaixador Sérgio Eduardo Moreira Lima, atual presidente da Funag, “não se trata somente de um exercício acadêmico, mas de um esforço singular de reflexão de profissionais a respeito da formulação e da execução da política externa para com a região mais dinâmica do planeta, e também a mais distante geograficamente”.

Para ampliar as discussões acerca desse riquíssimo tema, na quinta edição de “O Internacional em Debate”, convidamos o organizador da obra e os professores João Daniel, Maurício Santoro e Tanguy Baghdadi para apresentarem suas reflexões a partir das análises trazidas pelo livro a respeito da grande política internacional e da política externa brasileira para a região da Ásia-Pacífico. Assistam a seguir, pupilos! 🙂