Sabatina do Barão | Língua Portuguesa – Gabarito comentado #1

Mancebos e moçoilas,

Aqui está o gabarito comentado da nossa primeira sabatina de Língua Portuguesa!

No vídeo abaixo, vocês podem conferir as explicações e comentários da caríssima professora Isabel Vega sobre a questão de interpretação referente ao texto “Cabeludinho”, de Manoel de Barros. Assistam e tomem nota!

 

QUESTÃO:

Texto: Cabeludinho

 

Quando a Vó me recebeu nas férias, ela me apresentou aos amigos: Este é meu neto. Ele foi estudar no Rio e voltou de ateu. Ela disse que eu voltei de ateu. Aquela preposição deslocada me fantasiava de ateu. Como quem dissesse no Carnaval: aquele menino está fantasiado de palhaço. Minha avó entendia de regências verbais. Ela falava de sério. Mas todo-mundo riu. Porque aquela preposição deslocada podia fazer de uma informação um chiste. E fez. E mais: eu acho que buscar a beleza nas palavras é uma solenidade de amor. E pode ser instrumento de rir. De outra feita, no meio da pelada um menino gritou: Disilimina esse, Cabeludinho. Eu não disiliminei ninguém. Mas aquele verbo novo trouxe um perfume de poesia à nossa quadra. Aprendi nessas férias a brincar de palavras mais do que trabalhar com elas. Comecei a não gostar de palavra engavetada. Aquela que não pode mudar de lugar. Aprendi a gostar mais das palavras pelo que elas entoam do que pelo que elas informam. Por depois ouvi um vaqueiro a cantar com saudade: Ai morena, não me escreve / que eu não sei a ler. Aquele a preposto ao verbo ler, ao meu ouvir, ampliava a solidão do vaqueiro.

 

Manoel de Barros. Memórias inventadas: a infância. São Paulo: Planeta, 2003.

 

Considerando o sentido do texto e sua estrutura, julgue (certo ou errado) os itens a seguir.

 

I. Pode-se afirmar que as palavras “Vó” e “Cabeludinho” foram escritas com letras maiúsculas porque exercem, no texto, função de vocativo.

II. A narrativa de memórias foi o gênero textual escolhido pelo autor para abordar o conteúdo gramatical referente ao emprego e ao sentido das preposições.

III. Ao empregar a preposição “de” na frase “Ele foi estudar no Rio e voltou de ateu.”, a avó deixa evidente aos amigos que desautoriza a opção do neto pelo ateísmo.

IV. O autor constrói dois grupos de sentido opostos relativos ao modo como lida com as palavras: um da subjetividade, composto pelo termo “perfume de poesia” e pelos verbos brincar e entoar; outro da objetividade, composto pelo termo “palavra engavetada” e pelos verbos trabalhar e informar.

 

Comentários da professora Isabel:

 

 

GABARITO: ECCC

 

Continuem treinando com orientações da professora, no modelo da prova objetiva de Língua Portuguesa no CACD! 

 

Colaboração especial neste post:

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