O reinado histórico de Elizabeth II e as relações do Reino Unido com o mundo

O reinado histórico de Elizabeth II e as relações do Reino Unido com o mundo

Olá, queridos pupilos e pupilas!

No último dia 6 de fevereiro, o mundo assistiu a um acontecimento inédito: Elizabeth Alexandra Mary, a rainha Elizabeth II do Reino Unido, tornou-se a primeira monarca britânica a comemorar o Jubileu de Safira, completando sessenta e cinco anos de reinado. Isso significa que Elizabeth II é a figura real que mais tempo permaneceu no trono britânico, superando o recorde da rainha Vitória, cujo reinado durou sessenta e três anos. Em todo esse tempo, a rainha Elizabeth II se consolidou como uma chefe de Estado bastante ativa e participativa nos assuntos públicos, tornando-se uma personalidade conhecida e respeitada mundialmente. Seu vasto histórico de participações em eventos internacionais, seja realizando visitas em diversos países ou recebendo outros representantes de Estado no Palácio de Buckingham, é a prova de que seu reinado é diferenciado no que se refere às relações do Reino Unido com o mundo.

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Rainha Elizabeth II em viagem oficial à Alemanha em 2015

A vida agitada e cheia de compromissos oficiais, porém, não estava inicialmente nos planos de Elizabeth II e sua família. Na ocasião de seu nascimento, em 21 de abril de 1926, ela ocupou o terceiro lugar na linha de sucessão ao trono, depois de seu tio Edward, Príncipe de Gales, e seu pai George, o Duque de York. Esperava-se, então, que a jovem Alteza levasse uma vida comum e privilegiada apenas como parte da família real. Entretanto, em dezembro de 1936, as mudanças começaram a ocorrer quando o então rei Edward VIII abdicou e George tornou-se o rei George VI, deixando Elizabeth como sua sucessora ao trono britânico. Esse contexto da crise da abdicação é bem retratado pelo filme O Discurso do Rei.

No início de 1952, o rei George VI foi acometido por um grave problema de saúde e ficou impedido de realizar uma viagem relacionada à Commonwealth – associação voluntária dos países que formavam o antigo Império Britânico (exceto Moçambique e Ruanda) e, após a independência, decidiram manter os laços culturais e econômicos com o Reino Unido formalmente. Diante disso, a então princesa Elizabeth realizou a viagem em seu lugar e, no dia 6 de fevereiro, recebeu a notícia da morte do pai e de sua própria ascensão ao trono enquanto estava no Quênia. A coroação oficial foi realizada no dia 2 de junho de 1953, na Abadia de Westminster, sendo essa a primeira cerimônia transmitida pela televisão. Esse fato fez com que milhares de pessoas ao redor da Commonwealth pudessem observar o esplendor e o significado da coroação de uma forma nunca possível anteriormente.

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Cerimônia de coroação da Rainha Elizabeth II em 1953

Ao tornar-se a rainha do Reino Unido, Elizabeth assumiu todas as responsabilidades e funções que antes eram exercidas por seu pai, tanto no âmbito interno quanto externo. No campo exterior, uma de suas primeiras e mais importantes ações foi ter acolhido o título de chefe da Commonwealth e, consequentemente, ter se tornado rainha também de quinze países que compõem essa comunidade. Este é um importante papel simbólico e unificador, que reforça pessoalmente os laços pelos quais a comunidade une pessoas de todo o mundo. Uma das maneiras de fortalecer essas conexões foi por meio de visitas regulares da Commonwealth. Em meados de 1953, a Rainha realizou uma turnê de sete meses pelo mundo, visitando treze países, e se tornou a primeira monarca reinante a visitar a Austrália e a Nova Zelândia. Posteriormente, as visitas aos países membros tornaram-se periódicas e prioritárias na agenda de compromissos oficiais da Alteza. Ela também sempre manteve contato regular com o Secretário Geral e o Secretariado da organização, com sede em Londres, para se informar sobre o desenvolvimento das atividades e projetos. Garantir a unidade da comunidade sempre esteve entre as prioridades mais importantes de Elizabeth.

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Rainha Elizabeth II e líderes de outros países na Conferência da Commonwealth em 1960

Desde o início, o reinado de Elizabeth adquiriu um caráter internacional singular e sua atuação no decorrer do tempo reforçou ainda mais esse fato. Em seu país e no exterior, a Rainha precisava sempre manter a neutralidade política, porém conseguiu desenvolver um sentido próprio para o papel de um monarca. Como chefe de Estado, ela realizou uma série de ações e visitas históricas, como a primeira viagem de uma realeza britânica a Berlim desde antes da Primeira Guerra Mundial.

queen1-popupEm 1957, a Rainha fez uma visita aos Estados Unidos, onde discursou na Assembleia Geral das Nações Unidas, representando o Reino Unido e a Commonwealth. Na mesma turnê, ela abriu o 23º Parlamento Canadense, tornando-se a primeira monarca do Canadá a abrir uma sessão parlamentar. Quatro anos mais tarde, Elizabeth realizou uma extensa viagem que percorreu o Chipre, a Índia, o Paquistão, o Nepal e o Irã e, em 1968, foi a vez do Brasil receber a Alteza, na primeira visita oficial de um monarca britânico ao país. Além de realizar cerimônias tradicionais, a Rainha também instituiu novas práticas, como a “Caminhada Real”, que tinha o objetivo de promover o encontro da realeza com pessoas locais durante passeios nos países visitados. Posteriormente, esse hábito se tornou uma tradição em suas viagens.

Plenary meeting: General Assembly 105th plenary meeting -Address by Her Majesty Queen Elizabeth IICada participação inédita de Elizabeth em eventos e viagens oficiais possuiu um grande simbolismo e foi fundamental para o fortalecimento das relações do Reino Unido com os demais países. Um exemplo disso foi o discurso realizado em uma reunião do Congresso dos Estados Unidos, em 1991, após a vitória da Coalização internacional na Guerra do Golfo. Na ocasião, ela se tornou a primeira monarca britânica a discursar em uma cerimônia deste tipo. Em 2010, a Rainha retornou ao país norte-americano para participar da Assembleia Geral da ONU pela segunda vez, como representante da Commonwealth, e inaugurar oficialmente um jardim memorial para as vítimas britânicas dos ataques do 11 de Setembro.

No final de 2011, devido à idade avançada, a Rainha encerrou a realização de viagens ao exterior com uma visita à Austrália, que ficou conhecida na imprensa como “turnê de despedida”. Ao finalizar esse ciclo, Elizabeth se estabeleceu como a realeza britânica que mais realizou visitas oficiais em outros países e viajou para lugares inéditos, nunca antes visitados por monarcas britânicos, como países da América do Sul e do Golfo Pérsico. O diplomata Alan Charlton registrou que “a Rainha é conhecida por sua dedicação, responsabilidade e trabalho árduo — uma continuação da obra dos dois monarcas anteriores, seu avô e seu pai. Ela é uma parte importante da identidade britânica.”

Charlton também afirma que, para os embaixadores britânicos ao redor do mundo, a Rainha e a Família Real são recursos excelentes para apoiar a diplomacia exercida por eles. Ao longo de sessenta e cinco anos de reinado, Elizabeth desempenhou essa função com maestria e prestou o apoio necessário a treze primeiros-ministros, de Winston Churchill a Theresa May, quando eles promoveram a política externa do Reino Unido, baseada em três eixos principais: Estados Unidos, Europa e Commonwealth.

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Rainha Elizabeth II em um banquete de Estado em Berlim, Alemanha, em 2015

Uma forma interessante de aprender mais sobre a história e o reinado de Elizabeth II é por meio da série The Crown, que conta de forma didática a vida da Rainha como realeza e chefe de Estado, bem como acontecimentos históricos da segunda metade do século XX. O seriado também busca mostrar como era a relação da Rainha com outros líderes políticos, como Winston Churchill, o experiente Primeiro-ministro britânico na época de sua ascensão ao trono. A ideia do criador da série é abordar sessenta anos do reinado da monarca, sendo cada década desse período retratada por uma temporada. Essa é uma ótima oportunidade de conhecer melhor a trajetória de uma rainha que exerceu – e ainda exerce – seu papel brilhantemente e conseguiu conquistar o respeito e a admiração de todo o mundo.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
MARR, A. A real Elizabeth: uma visão inteligente e intimista de uma monarca em pleno século 21. São Paulo: Editora Europa, 2012.
https://www.royal.uk/her-majesty-the-queen
http://www.itamaraty.gov.br/pt-BR/ficha-pais/5662-reino-unido-da-gra-bretanha-e-irlanda-do-norte

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