Novos Olhares sobre a PEB – Veja como foi o debate!

Novos Olhares sobre a PEB – Veja como foi o debate!

Estimados (as) estudiosos (as) das Relações Internacionais,

A política externa brasileira (PEB) tem como uma de suas marcas a continuidade e a estabilidade mesmo em tempos de mudanças aceleradas no mundo que nos cerca. Todavia, a busca pela estabilidade diplomática não deve ser motivo para análises estanques. Nesse sentido, na última quarta-feira, tivemos o enorme prazer de acompanhar o lançamento do livro “Novos Olhares sobre a Política Externa Brasileira”, com uma riquíssima discussão a fim de rejuvenescer a análise sobre a inserção do Brasil no cenário mundial. Entre os debatedores, contamos com a presença de Gustavo Westmann (diplomata e organizador da obra), Maurício Santoro (professor de Relações Internacionais) e Ilan Cuperstein (assessor da ONG C40 Cities) – autores de três dos artigos que compõem o livro –, e a mediação do encontro ficou a cargo do nosso mestre João Daniel Almeida.

O diplomata Gustavo Westmann explicou que o projeto do livro surgiu com base na necessidade de tornar o debate sobre política externa mais democrático e transparente, dando voz a novos pensamentos e ideias. O organizador abordou questões que perpassam por toda a obra, como a ausência de um planejamento estratégico de longo prazo para a PEB, ou seja, a falta de diretrizes claras para a atuação do Brasil no exterior, e a necessidade de reformas na estrutura de governança da política externa brasileira e do Itamaraty mais especificamente.

A conversa seguiu com a contribuição de Maurício Santoro e Ilan Cuperstein, autores de dois artigos do livro que reconhecem pontos positivos da PEB nos últimos anos, relacionados a uma significativa participação da sociedade civil, e propõem melhorias nesses aspectos. O professor Maurício destacou que a atuação da sociedade em temas mais atuais, como a Tecnologia da Informação, é fundamental e apontou a necessidade do corpo diplomático possuir profissionais mais especializados para a definição de planos específicos, uma vez que o perfil generalista acaba por dificultar essa atividade em muitos casos. Ilan, por sua vez, argumentou sobre a relevância de haver um debate mais democrático e profundo sobre o que é o desenvolvimento para o Brasil, pontuando que a agenda ambiental ainda é um tema pouco explorado pelo Itamaraty. Ele também salientou a importância da política externa brasileira incorporar temas mais diversos como o meio ambiente e as mudanças climáticas, que estão extremamente ligados ao perfil socioeconômico de um país.

Ao longo da discussão, outros assuntos de grande importância para o Brasil foram levantados pelo professor João Daniel e brilhantemente discutidos pelos debatedores. Tais como: as relações bilaterais entre o Brasil e países africanos, que são abordadas em dois artigos do livro; a região Ásia-Pacífico como o grande centro das interações econômicas, sociais e estratégicas na política internacional da atualidade e a formulação de leis e políticas públicas mais sólidas e duradouras. Nesse último tema, tivemos uma participação especialíssima do professor Bruno Borges – coautor de um dos capítulos da obra junto a Maurício Santoro –, que acompanhava o evento no auditório.

Já deu para perceber como esse encontro foi enriquecedor e construtivo, não é mesmo, pupilos e pupilas? Sendo assim, deixo aqui abaixo o vídeo completo do debate para que vocês possam assistir e fazer um ótimo proveito dos conhecimentos compartilhados por esse time precioso! 😉

 

Conheçam mais sobre os participantes do evento:

Bruno Borges é graduado em Ciências Sociais e mestre em Relações Internacionais pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e doutor em Ciência Política pela Duke University. Atualmente é Professor Adjunto de Política Internacional (Normas e Instituições) na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), no Departamento de Relações Internacionais e no Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais (PPGRI). Fez parte do corpo docente da Pós-Graduação em Relações Internacionais do Damásio Educacional / Clio. Tem experiência na área de Ciência Política, com ênfase em Relações Internacionais, Política Comparada e Teoria Política. Desenvolve pesquisa sobre Tecnologia e Autonomia Estatal, especialmente sobre Poder e Instituições.

Gustavo Westmann é Bacharel em Direito pela Universidade de São Paulo e em Relações Internacionais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Diplomata desde 2007, já atuou nas áreas cultural, comercial e de energia do Ministério das Relações Exteriores e, nos últimos quatro anos, foi Chefe do Setor Comercial da Embaixada do Brasil na Itália. Atualmente é Chefe do Setor Econômico e Comercial da Embaixada do Brasil na Indonésia, onde vem aprofundando seus estudos sobre o processo de formação da sociedade global. Mestre em Diplomacia pelo Instituto Rio Branco (IRBr) e em Política Internacional pela Escola de Governo da Luiss Guido Carli (Roma), Gustavo também é especialista em Direito Internacional Público pela UC Berkeley e pela The Hague Academy of International Law. Já foi professor visitante nas Universidades Tor Vergata (Roma) e Luiss (Roma). Antes da carreira diplomática, atuou como consultor jurídico na área de direito ambiental.

Ilan E. Cuperstein é formado em Relações Internacionais pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e mestre em Meio Ambiente e Desenvolvimento pela London School of Economics and Political Science. Assessor da ONG C40 Cities Climate Leadership Group. Anteriormente, atuou como Conselheiro Municipal do Rio de Janeiro, onde foi responsável por auxiliar o governo da cidade no planejamento e implementação de planos de mudanças climáticas tanto na adaptação aos riscos climáticos quanto na mitigação das emissões de gases de efeito estufa. Antes de ingressar no C40, Ilan foi representante brasileiro no Centro de Mudança Climática e Inovação em Tecnologia de Energia China-Brasil, onde foi responsável pela criação do escritório em Pequim, estabelecendo relações institucionais entre parceiros da Academia, ONGs, agências governamentais e empresas sobre mudanças climáticas e problemas de energia. Como assessor internacional na COPPE/UFRJ, ele também foi responsável pela gestão de parcerias internacionais relacionadas a biocombustíveis, energia solar, política de inovação e sustentabilidade urbana.

João Daniel Almeida é graduado em História pela Universidade Federal Fluminense e mestre em Relações Internacionais pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Foi professor do Colégio Pedro II, coordenador da graduação e da pós-graduação em Relações Internacionais da Universidade Candido Mendes e lecionou Política Externa Brasileira na graduação de Relações Internacionais da PUC-Rio. Autor do Manual do Candidato de História do Brasil editado pela Fundação Alexandre de Gusmão (Funag). Atualmente, é professor de História do Brasil e de História Mundial no curso preparatório para a carreira diplomática no Damásio Educacional / Clio. Possui experiência na área de Ciência Política, com ênfase em Política Externa do Brasil, atuando principalmente nos seguintes temas: Relações Internacionais, Educação, Política Internacional, Antropologia e Organização das Nações Unidas.

Maurício Santoro é doutor e mestre em Ciência Política pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro, graduado em Jornalismo pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Professor-adjunto do Departamento de Relações Internacionais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Fez parte do corpo docente da Pós-Graduação em Relações Internacionais do Damásio Educacional / Clio. Foi pesquisador-visitante nas universidades Torcuato di Tella (Buenos Aires, Argentina) e New School (Nova York, Estados Unidos), assessor da Anistia Internacional e do Secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, pesquisador no Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas, repórter do jornal O Globo. Colaborou com artigos no New York Times, Estado de S. Paulo, Folha de São Paulo, Huffington Post, Le Monde Diplomatique e Valor Econômico, entre outros. Lecionou na Academia Militar das Agulhas Negras e realizou palestras na Escola de Comando e Estado-Maior do Exército e no Ministério das Relações Exteriores. Tem experiência com cooperação internacional na América Latina e na África e recebeu prêmios acadêmicos ou bolsas de estudo do Ministério das Relações Exteriores, CAPES, União Latina, Latin American Studies Association, Fundação Robert Bosch. Integra o Conselho Consultivo do Nexus Fund (Estados Unidos) e o juri do prêmio The Bobs – the best of online activism da Deutsche Welle. Foi membro do Conselho Nacional de Juventude, do Comitê Brasileiro de Direitos Humanos e Política Externa e do Fórum Nacional de Participação Popular.

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Da esquerda para a direita: Bruno Borges, Maurício Santoro, Tanguy Baghdadi, Gustavo Westmann, João Daniel Almeida e Ilan Cuperstein

 

POR DENTRO DA OBRA

Meus pupilos e minhas pupilas, o livro “Novos Olhares sobre a Política Externa Brasileira” tem como principal objetivo aprofundar a discussão sobre a inserção do Brasil na ordem global e os principais obstáculos que deverão ser enfrentados nos próximos anos, com análises modernas e pragmáticas, baseadas em experiências concretas, propositivas e desvinculadas de ideias preestabelecidas pela literatura tradicional sobre o tema. A obra consiste em uma série de artigos desenvolvidos de maneira crítica e construtiva por uma nova geração de diplomatas, jornalistas, professores e representantes do setor privado que, em certa medida, estão envolvidos nos estudos e debates sobre os rumos da agenda internacional do país.

Para que vocês possam ter maior conhecimento do conteúdo abordado neste magnífico trabalho, esse bigodudo que vos fala trouxe uma listagem dos textos que o compõem, com breves explicações retiradas diretamente da parte introdutória do livro e informações sobre os autores e as autoras. Confiram a seguir, meus caros! 🙂

 

PARTE I – Reflexões mais amplas e gerais sobre a diplomacia e a política externa brasileira:

 

  1. Política externa e desenvolvimento: que horas o desenvolvimento chega? Uma nova política externa para uma nova estratégia de desenvolvimento

De modo a facilitar a leitura dos textos, o livro tem início com excelente análise de Felipe Antunes sobre os diferentes modelos de desenvolvimento adotados pelo Brasil nas últimas décadas e como eles têm influenciado os rumos da política externa. Segundo o autor, embora a busca pelo desenvolvimento seja uma constante em nossa agenda internacional, os caminhos para atingi-lo continuam objeto de disputa entre elites burocráticas, econômicas e políticas que não necessariamente refletem as aspirações da maioria da população brasileira, do que decorre a premência de democratizar os debates sobre nosso papel no mundo contemporâneo e de repensar os modelos de inserção a seguir.

Felipe Antunes de Oliveira – Bacharel em História (UFRJ), mestre em Diplomacia (IRBr) e doutorando em Relações Internacionais (Sussex University). Pesquisador do Centre For Global Political Economy. Diplomata desde 2010.

 

  1. Inserção internacional em um cenário de crise: A crise brasileira numa ordem global em transformação

O texto do professor Guilherme Casarões, diferentemente, avalia o processo de deterioração da política externa brasileira a partir de inflexões sobre recentes mudanças nas dinâmicas regionais de poder, no equilíbrio entre grandes potências e na configuração estratégica das parcerias brasileiras. Além de propor soluções alternativas para a crise atual, Casarões também apresenta comentários sobre o período de instabilidade pelo qual o Brasil está passando, e alerta para mudanças de rumo que vêm sendo verificadas, com impactos negativos ainda pouco compreendidos.

Guilherme Casarões Doutor e mestre pela Universidade de São Paulo (USP) e mestre pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) (Programa San Tiago Dantas). Leciona Relações Internacionais na Escola Superior de Propaganda e Marketing de São Paulo (ESPM-SP) e na FGV-SP.

 

  1. Os novos desafios da diplomacia brasileira: Reflexões sobre a diplomacia brasileira em tempos de globalização

Na mesma linha crítica e construtiva, o diplomata Gustavo Westmann introduz um debate atual sobre as recentes transformações da ordem global e suas consequências para a atividade diplomática tradicional. Ao indicar as dificuldades enfrentadas pelo Brasil para atender às demandas emergentes, o autor divide com o leitor suas opiniões sobre os avanços e retrocessos da política externa brasileira e sobre a crise do Itamaraty, sugerindo novos caminhos para a atuação do país no cenário internacional.

Gustavo Westmann – Diplomata desde 2007, bacharel em Direito (USP) e em Relações Internacionais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Mestre em Diplomacia (IRBr) e em Política Internacional (Luiss). Especialista em Direito Internacional Público pela UC Berkeley e pela The Hague Academy of International Law. Atualmente é chefe do setor econômico e comercial da embaixada do Brasil na Indonésia.

 

  1. Elitismo e política externa: Notas sobre os fundamentos aristocráticos (e oligárquicos) da política externa brasileira

Neste artigo, o professor Dawisson Belém Lopes baseia-se em vasto conhecimento acadêmico para desmascarar o elitismo político na diplomacia brasileira, indicando que nossa política externa continua sendo pensada e implementada por fração diminuta da sociedade e orientada por referenciais normativos ultrapassados, que dificultam a democratização do debate.

Dawisson Belém Lopes – Professor do Programa de Pós-Graduação em Ciência Política da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

 

  1. A formação do conhecimento diplomático: Pensando devagar em diplomacia

Esse texto de Tiago Santos, afasta-se da literatura tradicional para abordar de maneira inovadora o processo de construção do conhecimento diplomático. Efetivamente, o autor questiona se esse conhecimento seria essencialmente pautado pela experiência ou por teorização e conclui que, apesar da primeira continuar sendo fundamental para as atividades de nossos diplomatas, nos dias de hoje é imprescindível associá-la a estratégias modernas de pesquisa e análise de bases teóricas e evidências empíricas.

Tiago Ribeiro dos Santos – Ingressou na carreira diplomática em 2007. É formado em Direito pela PUC-RJ e mestre em Políticas Públicas pela Harris School da Universidade de Chicago. Já esteve lotado nas Divisões de Nações Unidas e de Política Financeira do Ministério das Relações Exteriores e atualmente trabalha na embaixada do Brasil em Washington.

 

  1. O exercício do soft power brasileiro: A diplomacia do futuro e a alcunha do passado: o mito do soft power brasileiro

Hayle Gadelha, por sua vez, apresenta breve reflexão sobre as noções de soft power e diplomacia pública, analisando seus alcances e os benefícios que o Brasil poderá inferir de sua utilização planejada. De acordo com Gadelha, ao contrário de países como o Reino Unido, o governo brasileiro ainda não se vale de estratégias definidas para incrementar o potencial das reservas de soft power de que goza ou para converter esse poder em influência internacional. Defende, nesse sentido, uma diplomacia moderna, flexível e integrada à sociedade de rede, que seja capaz de implementar, em conjunto com a sociedade, abrangente plano de ação para o exercício do poder brando do país.

Hayle Gadelha – Adido cultural da embaixada do Brasil em Londres e doutorando pelo King’s College London. Trabalhou na embaixada do Brasil em Pequim e no Departamento de América do Sul-II do Itamaraty.

 

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PARTE II – Análises específicas sobre a atuação do Brasil em torno de temas que vêm ganhando crescente importância no cenário internacional do século XXI:

 

  1. Brasil e África: O recuo do Brasil na África: o desmantelamento da ofensiva de soft power do governo Lula

O segundo eixo do livro tem início com a pragmática leitura da jornalista Patrícia Campos Mello, autora que dispensa apresentações, sobre a política externa do Brasil para a África, indicando as perdas que o país vem sofrendo desde o desmantelamento da estratégia de Lula para o continente. O texto intitulado “O recuo do Brasil na África: o desmantelamento da ofensiva de soft power do governo Lula” argumenta a favor de uma política externa mais sólida e consistente para o continente, recordando não haver soft power sem recursos, planejamento e vontade política.

Patrícia Campos Mello – Repórter especial e colunista da Folha de S. Paulo. Formada em Jornalismo pela USP e mestre em Business and Economic Reporting pela Universidade de Nova York. Foi correspondente em Washington do jornal O Estado de S. Paulo e repórter do Valor Econômico e da Gazeta Mercantil, pelo qual foi correspondente na Alemanha. Foi vencedora do Prêmio Folha e Prêmio Estado. Venceu o Troféu Mulher Imprensa 2016, categoria melhor repórter de jornal.

 

  1. A fronteira asiática: Brasil, país Pacífico

Outro continente que vem assumindo importância central no sistema internacional e que, por isso mesmo, não poderia ficar de fora deste livro é a Ásia. E ninguém melhor do que um jovem diplomata residente no continente para discutir o tema. Em “Brasil, país Pacífico”, Flávio Campestrin Bettarello analisa a atuação do Brasil na vertente do Pacífico, evidenciando as limitações da agenda brasileira para a região e sugerindo que, não obstante a distância geográfica e as barreiras linguísticas e culturais, a Ásia deverá necessariamente receber maior atenção de nossos formuladores de política externa.

Flávio Campestrin Bettarello – Diplomata de carreira. Desde 2014, é o vice-observador permanente do Brasil com a Comissão Econômica e Social das Nações Unidas para a Ásia e Pacífico (UN-ESCAP) e conselheiro na embaixada do Brasil em Bangkok. Serviu na embaixada brasileira em Washington e foi professor titular de Economia Aplicada no Instituto Rio Branco. Concluiu programas de pós-graduação nas Universidades Johns Hopkins, LSE e UC Berkeley. Doutor em Ciências do Comportamento e mestre em Diplomacia.

 

  1. Cooperação para o desenvolvimento: O Brasil precisa de uma agência para o desenvolvimento internacional?

Felipe Krause dá continuidade ao livro por meio da apresentação de sólidos argumentos a favor da reforma e expansão das atividades do governo brasileiro nos campos da cooperação técnica e desenvolvimento internacional. Sustenta, por conseguinte, a criação de uma grande agência para o desenvolvimento internacional, com legislação e orçamento próprios, que permitam a elaboração de efetivo planejamento de longo prazo para a cooperação brasileira, ao contrário do que se observa atualmente.

Felipe Krause – Diplomata, atualmente cursando Ph.D. em Ciência Política e Relações Internacionais na Universidade de Cambridge, Reino Unido.

 

  1. A agenda de segurança alimentar e nutricional: Para uma nova geopolítica da fome: a segurança alimentar e nutricional na política externa brasileira

Em sintonia com as análises anteriores, Candice Sakamoto Vianna divide sua experiência profissional com o leitor para discutir mais amplamente a segurança alimentar e nutricional na diplomacia brasileira, apontando para importantes avanços do Brasil nesta agenda, apesar de ainda sujeitos a revezes. Ao criticar construtivamente a fragmentação do sistema de cooperação brasileiro e seus impactos na área de segurança alimentar, a autora reforça a necessidade de promover debates internos mais consistentes, que permitam avaliar os ganhos e perdas que uma política externa ativa na área poderá trazer para nossa sociedade.

Candice Sakamoto Vianna – Diplomata, mestre em Diplomacia pelo Instituto Rio Branco e bacharel em Administração pela Fundação Getulio Vargas. Trabalhou quatro anos na Representação Permanente do Brasil com as Agências das Nações Unidas em Roma, onde atuou como presidente do Grupo de Trabalho para o Marco Estratégico Global para Segurança Alimentar e Nutrição do Comitê de Segurança Alimentar Mundial. Atualmente é conselheira comissionada na embaixada do Brasil em Jacarta.

 

  1. Em defesa do desenvolvimento sustentável: Por um novo paradigma: a diplomacia brasileira para o desenvolvimento sustentável

Roberta Lima introduz, em seguida, importante transição temá- tica para abordar uma das pautas centrais do discurso internacional do Brasil nas últimas décadas: a promoção do desenvolvimento sustentável. Em “Por um novo paradigma: a diplomacia brasileira para o desenvolvimento sustentável”, a autora comenta os bastidores de grandes negociações internacionais sobre o tema e avalia a participa- ção brasileira na evolução da Agenda 2030 e nos Acordos de Paris. Destaca, contudo, que, apesar dos significativos avanços alcançados na construção mais democrática das posições brasileiras, ainda há muito espaço para ampliar e institucionalizar os canais de diálogo com outros órgãos da administração pública e da sociedade civil.

Roberta LimaDiplomata brasileira, graduada em Jornalismo pela UFRJ e mestre em História Política/Relações Internacionais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UERJ). No Itamaraty, tem-se dedicado principalmente a temas de meio ambiente, agricultura, desenvolvimento sustentável e cooperação internacional. Integrou a equipe negociadora da Conferência Rio+20.

 

  1. O futuro do regime climático: Legitimidade por natureza: a política externa brasileira e o regime climático

Diretamente relacionado à agenda de desenvolvimento, mas sem com ela se confundir, o regime de mudança do clima é tratado por Ilan E. Cuperstein com singular clareza e objetividade. “Legitimidade por natureza: a política externa brasileira e o regime climático” vai além do debate usual sobre o protagonismo brasileiro na área ambiental para alertar que a evolução do tema vem exigindo a revisão das posições adotadas pelo país no passado, com impactos significativos em nossas políticas para o setor. Cuperstein aproveita a oportunidade para discorrer sobre as principais convenções que regulam o regime climático e refletir sobre os novos desafios e oportunidades que se apresentam à nossa política externa.

Ilan E. CupersteinAssessor da C40 Cities Climate Leadership Group para a cidade do Rio de Janeiro. Antes da presente função, foi representante da Coppe/UFRJ no Centro Brasil China de Mudanças Climáticas e Tecnologias Inovadoras para Energia em Pequim por três anos. É formado em Relações Internacionais pela PUC/RJ e tem mestrado em Meio Ambiente e Desenvolvimento pela London School of Economics and Political Science.

 

  1. A diplomacia orçamentária nas Nações Unidas: Dívidas e dividendos: o Brasil e a área administrativa e orçamentária das Nações Unidas

Os últimos dois capítulos têm como elemento comum suas referências às Nações Unidas, desvendando temas não tradicionais em sua agenda, embora cada vez mais determinantes da conformação de poder global. Em tempos de críticas aos atrasos no cumprimento de nossas obrigações financeiras internacionais e de rediscussão sobre a participação do Brasil em diversos fóruns multilaterais, Fernando Zelner revela os mecanismos de agenda setting nas Nações Unidas com o conhecimento de quem lida diariamente com o tema e aprofunda a discussão sobre a relevância da participação financeira do Brasil em organismos internacionais.

Fernando ZelnerBacharel em Ciência Política pela Universidade de Brasília (UnB) e diplomata de carreira desde 2007. Atualmente, está locado na Missão Permanente do Brasil com as Nações Unidas.

 

  1. Governança da internet: Do marco civil às resoluções da ONU sobre privacidade digital: a política externa brasileira para a governança da internet como um jogo de dois níveis

Para encerrar o livro com um assunto que nos últimos anos vem atraindo grande atenção da mídia brasileira, dois jovens especialistas, Bruno de Moura Borges e Maurício Santoro, foram convidados a discorrer sobre a liderança do Brasil no processo de definição das regras globais de governança da internet. “Do marco civil às resoluções da ONU sobre privacidade digital: a política externa brasileira para a governança da internet como um jogo de dois níveis” permite compreender não apenas a relevância desta nova agenda, mas também os avanços logrados desde a criação do Marco Civil da internet, evidenciando que nossas posições ainda não estão consolidadas, sujeitas às incertezas da política nacional.

Bruno de Moura Borges e Maurício SantoroBruno é Ph.D. em Ciência Política (Duke University), doutor em Ciência Política (Iuperj) e professor-adjunto do Departamento de Relações Internacionais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Maurício é doutor em Ciência Política (Iuperj) e professor-adjunto do Departamento de Relações Internacionais da UERJ.

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