A batalha decisiva para a ordenação do mundo que conhecemos hoje

A batalha decisiva para a ordenação do mundo que conhecemos hoje

Caríssimas e caríssimos aspirantes a carreira internacional,

Hoje vamos viajar no tempo e relembrar um acontecimento de grande relevância para a História Mundial e as Relações Internacionais. Há setenta e quatro anos, o dia 2 de fevereiro registrou o fim da Batalha de Stalingrado (com início em 17 de julho de 1942), travada entre as forças armadas do Eixo, lideradas pela Alemanha, e da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) durante a Segunda Guerra Mundial e que definiu o desfecho desse conflito. Ocorrida na cidade soviética de Stalingrado (atual Volgogrado, na Rússia), a batalha é considerada a mais violenta e sangrenta da História, com estimativas de 2 milhões de militares e civis mortos de ambos os lados.

O confronto é decorrente da Operação Barbarossa, um plano da Alemanha Nazista de invadir e conquistar a União Soviética em meados de 1941. As forças do Eixo tinham o objetivo de chegar até Moscou e conseguiram obter sucesso em terras soviéticas até o final deste ano. Todavia, as tropas começaram a dar sinais de fraqueza, sofrendo com perdas expressivas, com a chegada do inverno rigoroso da região. Isso fez com que os alemães recuassem para poupar recursos e redefinissem o plano de conquista em direção a Stalingrado. A importância da tomada da cidade se devia, entre outros motivos, pelo fato da localidade ser um grande polo industrial e dar acesso ao rio Volga, uma rota de navegação entre o Mar Cáspio e o norte da URSS. Com efeito, as forças alemãs conseguiriam conquistar a capital soviética se a invasão de Stalingrado fosse bem-sucedida.

Na etapa inicial da batalha, as forças do Eixo conseguiram alcançar resultados positivos com os ataques aéreos da Luftwaffe, a força aérea alemã, para então começar a avançar pela via terrestre. Um enorme esforço militar foi empregado por Hitler para a conquista da cidade e as tropas eram forçadas a agir no formato de guerra-relâmpago, tática de guerra alemã conhecida como “blitzkrieg”, para uma célere tomada do território. Além disso, o ditador alemão proferia ordens aos soldados de não recuarem ou se renderem, independente das condições em que estivessem submetidos. Tais medidas contribuíram para que exército nazista tivesse um avanço significativo na tomada da região, chegando a dominar nove décimos da cidade. Por outro lado, as ações foram prejudiciais para o desempenho alemão à medida que desgastava expressivamente os combatentes e os suprimentos disponíveis.

O esgotamento das tropas do Eixo foi acentuado pela brava resistência da população de Stalingrado. Foi registrada uma participação inédita de civis, sem qualquer experiência em conflitos armados e que nunca haviam manuseado qualquer equipamento militar, na defesa do território. Mulheres chegaram a operar baterias antiaéreas, soldados soviéticos munidos de granadas ativadas se lançavam sob tanques alemães, combates de residência em residência eram constantes. Essa foi uma grande surpresa, em termos de combate, para as forças alemãs, que ficaram ainda mais enfraquecidas com o início do contra-ataque soviético no final de 1942. Mesmo em situação de desvantagem, os soldados alemães continuaram enfrentando os soviéticos até fevereiro de 1943, quando as tropas já não conseguiam mais resistir à fome, ao frio intenso do inverno e à falta de equipamentos. Nesse momento, o então general Friedrich Paulus foi o primeiro comandante do exército alemão a se render em uma batalha, pondo fim ao conflito e garantindo a vitória da URSS.

O triunfo da União Soviética nesse confronto foi decisivo para o desfecho da Segunda Guerra Mundial, pois foi a partir disso que as forças do Eixo começaram a recuar para Berlim, onde ocorreu a derrota derradeira da Alemanha em 1945. É desse fato que decorre a grande importância da Batalha de Stalingrado para a História Mundial e o desenvolvimento das relações internacionais no pós-guerra. O grande mestre Daniel Araújo, professor de História especializado em concursos de Carreiras Internacionais, ressalta ainda que o evento possui um aspecto singular no que diz respeito ao movimento nazifascista. “A partir da vitória soviética em Stalingrado, foi iniciada a ‘desnazificação’ da Europa Oriental. Foi a mais significativa derrota nazista até então, que mudaria não apenas os rumos da guerra iniciada em 1939, mas também da geopolítica mundial na segunda metade do século XX”, pontua o docente.

Diante da grande relevância histórica, o conflito germano-soviético costuma ser um tema abordado direta ou indiretamente nos processos seletivos que abarcam a disciplina de História Mundial em seus editais. Sobre esse ponto, o professor Daniel destaca que “um dos eventos mais cobrados em qualquer concurso é a Guerra Fria, sendo o domínio soviético sobre o Leste Europeu a partir de 1942 algo fundamental no processo de construção de um mundo bipolar. Dessa forma, a Batalha de Stalingrado ganha importância maior por ser a origem desse processo”.

Portanto, meus caros pupilos, procurem ficar atentos a esse tema durante seus estudos e não deixem de inclui-lo nas revisões dos conteúdos de História Mundial!

 

Participação especial neste artigo:

Imagem do Professor

Daniel Araújo

Professor de História Mundial e História do Brasil na área de Carreiras Internacionais do Damásio Educacional.

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